Publicado 11/02/2026 15:48 | Atualizado 11/02/2026 16:07
Rio – A Polícia Civil procura por uma suspeita de exercer ilegalmente a profissão de dentista em um consultório na Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste. Falta de anestesia, lentes caindo e até uso de água oxigenada estão entre os problemas listados por ex-pacientes de Eloísa da Silva Souto.
Publicidade“Já instauramos procedimento e ela já foi identificada. A equipe segue em diligência para tentar localizá-la”, afirmou, ao DIA, o delegado Alexandre Netto, titular da 34ª DP (Bangu).
A reportagem fez contato com o Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ) para saber se Eloísa possui número de registro. O órgão informou que não há profissional inscrito com o nome de Eloísa.
Como a suspeita aparece em uma foto nas redes sociais - onde reúne mais de 12 mil seguidores - trajando um jaleco com a logomarca da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) bordada abaixo de seu nome, o DIA procurou a instituição de ensino, que informou ter registrada no Sistema de Ouvidoria, em 2025, uma “denúncia de teor semelhante, a qual foi devidamente apurada à época”.
A Uerj informou que não foram localizados, no Sistema Acadêmico de Graduação, registros de estudante com o nome de Eloísa.
'Dinheiro jogado no lixo'
O DIA ouviu uma ex-paciente de Eloísa. A jovem - que não chegou a registrar ocorrência na delegacia - relatou que esteve no consultório de Eloísa, localizado na Rua do Desenhista, há cerca de três meses, para uma restauração. O procedimento, realizado por R$ 180, acabou causando muitos transtornos.
“O resultado foi péssimo, fiquei com o dente inflamado, alguns dias chorando de dor. No dia seguinte, estive em uma clínica, onde fizeram um raio-x e confirmaram o que eu já sabia, que ela tinha feito totalmente errado, colocando uma massa em cima da minha cárie. Dinheiro jogado no lixo”, relembrou a mulher, acrescentando que ao pedir a quantia de volta, recebeu apenas “grosserias e ameaças”.
Ela recordou ainda detalhes questionáveis da experiência no consultório da suspeita, que oferece outros serviços, como colocação de facetas em resina, clareamento e remoções de tártaro: “Desconfiei que ela pudesse não ser dentista pelo fato de não dar anestesia. Mandou meu marido comprar água oxigenada para jogar no meu dente alegando que era para não inflamar. E alguns equipamentos pareciam ser de fazer unha”.
A paciente, que soube sobre os serviços prestados por Eloísa por meio de um conhecido, recordou que não foi a primeira a se frustrar com o atendimento: “Meu marido é uma das pessoas insatisfeitas, pois colocou uma lente de resina que não durou um mês. Tenho outra amiga que colocou com ela também e depois arrancou tudo, pois ficava caindo. Além disso, da forma que ela colocou, minha amiga não conseguia mais passar fio dental”.
Denúncia
Há denúncias em redes sociais devido à atuação de Eloísa como dentista. Em uma das publicações, foram postados prints de uma conversa por texto entre ela e uma pessoa, possivelmente uma paciente, que a confronta, pedindo seu número de registro no CRO-RJ.
Os erros de português de Eloísa no diálogo e a foto com a logo da Uerj bordado no jaleco chamaram atenção de usuários que fizeram comentários na postagem: “Dentista não fala inlegal (sic), observou um; “O jaleco com o emblema da Uerj foi forte”, brincou outra.
Ainda sobre graduação no Ensino Superior, em uma das redes sociais, Eloísa cita um colégio estadual e um curso de bombeiro civil, mas não menciona a universidade onde teria se formado em odontologia.
A reportagem de O DIA também fez contato com Eloísa Souto, pedindo um pronunciamento e o número de registro no CRO-RJ. Inicialmente, ela respondeu, afirmando que gostaria de se manifestar. Porém, em seguida, não retornou mais.
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