Eloísa surge em foto usando jaleco com a logo da UerjReprodução/redes sociais
Publicado 12/02/2026 17:00 | Atualizado 12/02/2026 18:42
Rio – Eloísa da Silva Souto, investigada pela Polícia Civil sob a suspeita de praticar ilegalmente a profissão de dentista na Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste, não atendia pacientes, apenas ajudava amigos e vizinhos, mesmo sem ter capacitação profissional. A afirmação é do advogado João Pedro de Souza Amorim, que representa Eloísa.
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Amorim admite que sua cliente não tem diploma, tampouco registro - embora suas redes sociais, já bloqueadas, fossem personalizadas como as de uma profissional de odontologia -, e alega que Eloísa, cuja ocupação é outra, recebia pessoas próximas - em um ambiente similar ao de um consultório, como se vê em fotos nas redes -, de maneira voluntária, por já ter atuado como auxiliar de saúde bucal de um profissional. Ainda de acordo com a defesa, ela nunca se passou por dentista.
“Isso não passa de um mal-entendido. A Eloísa não possui registro, tendo em vista que não realizava procedimentos, só ajudava vizinhos. Ela já trabalhou em consultório odontológico e, diante disso, ajudava”, disse o advogado. "Ela sempre deixou claro para todos que não era dentista, tampouco capacitada para trabalhar como tal, tendo sua ocupação como vendedora", completou.
Questionado se a suspeita não se preocupava em causar danos à saúde das pessoas por não ser uma especialista na área, Amorim respondeu: “Embora equivocada, a conduta de Eloísa não foi motivada pela intenção de causar dano, mas pelo desejo de ajudar familiares, sem qualquer vantagem econômica”.
Embora o advogado mencione um suposto desinteresse de Eloísa em obter lucro com os atendimentos, ela mantinha, até a publicação da reportagem, uma tabela com valores de diferentes procedimentos, como colocação de facetas em resina, clareamento e remoções de tártaro, em sua conta comercial no WhatsApp.
Sobre uma foto postada em uma rede social na qual Eloísa, mesmo não sendo graduada, ostenta o brasão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) bordado abaixo do próprio nome, em um jaleco branco, o que poderia sugerir a eventuais pacientes que se trata de uma dentista, o advogado salientou que a vestimenta foi adquirida: “Ela apenas comprou o jaleco em um bazar”.
Amorim ressalta que Eloísa passou a ser abordada com a repercussão do caso: “Ela está muito abalada com as ameaças e as mensagens que vem recebendo”.
Queixas de pacientes
Nesta quarta-feira (11), uma reportagem de O DIA trouxe retornos da Uerj e do Conselho Região de Odontologia (CRO-RJ), que garantiram desconhecer registros em nome da mulher. Além disso, uma ex-paciente - que preferiu não se identificar - relatou transtornos, incluindo dores, após um “atendimento” no consultório de Eloísa, localizado na Rua do Desenhista, há cerca de três meses, para uma restauração, que custou R$ 180.
“O resultado foi péssimo, fiquei com o dente inflamado, alguns dias chorando de dor. No dia seguinte, estive em uma clínica, onde fizeram um raio-x e confirmaram o que eu já sabia, que ela tinha feito totalmente errado, colocando uma massa em cima da minha cárie. Dinheiro jogado no lixo”, relembrou a mulher, acrescentando que ao pedir a quantia de volta, recebeu apenas “grosserias e ameaças”.
Ela recordou ainda detalhes questionáveis da experiência no consultório da suspeita, que oferece outros serviços, como colocação de facetas em resina, clareamento e remoções de tártaro: “Desconfiei que ela pudesse não ser dentista pelo fato de não dar anestesia. Mandou meu marido comprar água oxigenada para jogar no meu dente alegando que era para não inflamar. E alguns equipamentos pareciam ser de fazer unha”.
A paciente, que soube sobre os serviços prestados por Eloísa por meio de um conhecido, recordou que não foi a primeira a se frustrar com o atendimento: “Meu marido é uma das pessoas insatisfeitas, pois colocou uma lente de resina que não durou um mês. Tenho outra amiga que colocou com ela também e depois arrancou tudo, pois ficava caindo. Além disso, da forma que ela colocou, minha amiga não conseguia mais passar fio dental”.
Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado na 34ª DP (Bangu) e, posteriormente, encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).
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