Vacina contra a dengue produzida pelo Butantan começará a ser distribuída no estado do RioDivulgação
Publicado 22/02/2026 10:28
A nova vacina contra a dengue, produzida nacionalmente pelo Instituto Butantan, começa a ser distribuída pela Secretaria de Estado de Saúde aos 92 municípios do Rio nesta segunda-feira (23). O Governo do Estado recebeu ao todo 33.364 doses, das quais 12.500 serão encaminhadas à capital.
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O Ministério da Saúde definiu que a vacinação começará pelos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS. Neste primeiro momento, serão contemplados profissionais que atuam diretamente nas unidades: médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, integrantes das equipes multiprofissionais (como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos), além de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). Também estão incluídos trabalhadores administrativos e de apoio que atuam nas unidades. A ampliação para outros públicos ocorrerá posteriormente.

“A vacina contra a dengue do Instituto Butantan foi licenciada para uso na faixa etária de 12 a 59 anos. Considerando que a vacina do laboratório Takeda está preconizada para a população de 10 a 14 anos, recomenda-se que a vacina do Instituto Butantan seja administrada na faixa etária de 15 a 59 anos de idade. A estratégia será escalonada e gradativa, iniciando pelo grupo de profissionais da Atenção Primária à Saúde, e avançando progressivamente, conforme a disponibilidade de doses pelo fabricante, para demais grupos, até contemplarmos todos adolescentes com 15 anos de idade que não foram vacinados com a vacina do laboratório Takeda”, explica Keli Magno, gerente de Imunização da SES-RJ.

O andamento da vacinação levará em consideração a disponibilidade de doses e a situação epidemiológica dos municípios.

A vacina tem dose única e protege contra os quatro sorotipos da doença. No estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 têm aparecido com mais frequência. No entanto, a possibilidade de surgirem casos da dengue tipo 3 preocupa, já que não circula no estado desde 2007, o que pode levar a um cenário de vulnerabilidade para pessoas que não tiveram contato com esse sorotipo. Essa variante da dengue circula em estados vizinhos, mas não se propagou no RJ até o momento.

Embora os indicadores da dengue continuem em níveis baixos, a Secretaria de Saúde alerta para a importância de ações de prevenção da doença após o Carnaval. Vale lembrar que as chuvas intensas ocorridas dias antes do início da folia, associadas ao calor excessivo do verão, podem levar à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e também da chikungunya e da zika. Além disso, nesse período, há muita movimentação de turistas, que podem vir de áreas onde haja circulação do vírus.

Dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES mostram que, em 2026, até 20 de fevereiro, o estado registrou 1.198 casos prováveis e 56 internações por dengue, sem confirmação de óbitos. Até o momento, há 41 casos prováveis de chikungunya, com 5 internações. Não há, contudo, casos confirmados de zika no território fluminense. O monitoramento da dengue, arbovirose que mais circula, é realizado com um indicador composto que analisa atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e taxa de positividade. Os dados podem ser visualizados em tempo real no MonitoraRJ (monitorar.saude.rj.gov.br). Os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina.

Como o mosquito Aedes aegypti tem uma alta capacidade de reprodução, a recomendação é que cada pessoa dedique 10 minutos por semana para realizar uma varredura em suas casas.

As ações incluem verificar a vedação da caixa d'água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água de bandejas de geladeira. No verão, temporada que intercala chuvas e calor, o ciclo de reprodução do mosquito tem condições ideais. Os ovos do Aedes aegypti são depositados nos acúmulos de água, e com a incidência do sol e calor, eclodem.
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