Acesso liberado no metrô do Rio, que terá aumento da passagem a partir do dia 12 de abrilÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 25/02/2026 09:23 | Atualizado 25/02/2026 13:08
Rio - A passagem do metrô do Rio de Janeiro vai ficar mais cara a partir de abril. A tarifa do sistema passará de R$ 7,90 para R$ 8,20, um aumento de R$ 0,30, segundo informações do Metrô Rio. O reajuste entra em vigor no dia 12 de abril e foi alvo de críticas de usuários do modal.

O último reajuste havia ocorrido em abril de 2025, quando a passagem passou de R$ 7,50 para R$ 7,90. Na ocasião, o valor já era a tarifa mais alta do Brasil.
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Segundo a concessionária, o aumento corresponde a um reajuste de 3,8% e está previsto no contrato de concessão. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro.
Metrô do Rio lidera ranking nacional de tarifas

Com o novo preço de R$ 8,20, o metrô do Rio de Janeiro amplia a diferença em relação a outras capitais e segue isolado como o mais caro do país. O valor cobrado no estado é quase R$ 3 mais alto do que o praticado em grandes centros urbanos.

Para efeito de comparação, a passagem do metrô em Belo Horizonte custa R$ 5,80. Em Brasília, o valor é de R$ 5,50. Já em São Paulo, maior sistema metroviário do país, a tarifa é de R$ 5,40.

Em Porto Alegre, a passagem custa R$ 5,00, quase R$ 3,20 a menos do que o novo valor cobrado no Rio.
Usuários criticam aumento e qualidade do serviço

Para quem utiliza o metrô diariamente, o reajuste pesa no orçamento e levanta críticas sobre a qualidade do serviço. O cozinheiro Ramon Ramos, de 28 anos, afirma que o aumento compromete ainda mais o limite mensal de gastos com transporte.

“A gente depende do metrô porque é o mais perto, mas o salário não aumenta. Esses 30 centavos fazem muita diferença. Meu limite já está na risca”, disse.

O operador de telemarketing Brunno Conceição, de 21 anos, avalia que o aumento impacta principalmente quem não tem o custo do transporte bancado por empresas.

“Muita gente não trabalha com carteira assinada e paga tudo do próprio bolso. Isso acaba dificultando até o acesso à cultura e ao lazer”, afirmou.

Morador de Campo Grande, Brunno também criticou a superlotação e o tempo de deslocamento.

“Tem dias em que eu faço hora extra só para esperar o metrô esvaziar. A superlotação é constante e a qualidade poderia ser muito melhor”, disse.

Já a advogada Danúbia Ribeiro, de 43 anos, classificou o reajuste como injustificável diante das falhas recorrentes do sistema.

“É um absurdo. A gente pega metrô sem ar-condicionado, frota antiga, linhas lotadas. Antes de aumentar a passagem, o serviço precisava melhorar”, afirmou.

Segundo ela, o aumento prejudica especialmente quem está em busca de emprego e depende do transporte público para circular pela cidade.

“O metrô é escolhido por ser mais seguro, mas com esse valor as pessoas acabam sendo empurradas para outros meios, muitas vezes mais precários”, completou.

Transporte municipal também ficou mais caro

Os transportes municipais da cidade do Rio — ônibus, BRT, VLT e vans — também passaram por reajuste neste ano. Desde janeiro, a tarifa paga pelo passageiro subiu de R$ 4,70 para R$ 5, um aumento de R$ 0,30.

Apesar disso, o valor desembolsado pelo usuário não corresponde ao total recebido pelas empresas. A chamada tarifa de remuneração foi fixada em R$ 6,60. A diferença de R$ 1,60 por viagem é bancada pela Prefeitura do Rio, na forma de subsídio, após a conversão do pagamento por passageiro em remuneração por quilômetro rodado.
Reportagem de Guilherme Domingues, com supervisão de Adriano Araújo. Colaborou Érica Martin
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