Publicado 01/03/2026 06:00
Rio - A Cidade Maravilhosa celebra, neste domingo (1º), o aniversário de 461 anos. Ao DIA, cariocas ilustres e anônimos buscaram as melhores palavras para descrever o sentimento de pertencimento aflorado pelo Rio, passando pelas belas paisagens e o universo cultural que marcam o município.
PublicidadeA cantora e atriz Mart’nália nasceu em Vila Isabel, na Zona Norte, e cresceu no bairro de Pilares. Ela acredita que a cidade ajuda ao carioca ser mais leve, principalmente pela união nos momentos de lazer.
"Nasci em Vila Isabel, morei muito tempo no subúrbio de Pilares, foi onde tive minha base geral. Depois que você cresce, você vê que foi bom ter essa amplitude de informações. Conviver com a linha do trem, com pipa, com sol quente na testa… E com a praia ao mesmo tempo. Tem um pouco de tudo. O Rio me fez dessa forma, mais leve", explicou a cantora.
"Poder estar perto da cultura é fácil, é acessível. Tem a escola de samba, a família, tudo junto. Aí o lixeiro é o compositor, faz samba com meu pai, e a gente brinca ali. Todos juntos no samba, tomando uma cerveja. Tem as baianas da ala das baianas, que são as tias que também passam na feira. É tudo muito próximo da gente, então é mais fácil para o carioca. Você vê Vila Isabel, o bairro, a escola de samba, o morro, tudo no mesmo lugar. Fica tudo mais leve", acrescentou.
Mart’nália ainda destacou o sentimento de pertencimento pelo Rio e a vontade de defender a cidade. Por isso, deixou seu pedido de aniversário: paz.
"A gente até fala mal da gente, mas ninguém pode falar mal da gente. Detesto quando falam mal do Rio de Janeiro! Está fazendo o que aqui? Tem tantos lugares no mundo (risos). O Rio precisa de paz. Está complicado de assalto, o pessoal está mal pago. Queria que voltasse aquela malandragem do cavalheirismo, do 'bom dia, boa tarde, boa noite'. Precisa dessa paz, de um acolher o outro. Temos que assumir a 'carioquice', porque a gentileza gera gentileza. Isso traz uma paz, o carioca transmite paz um para o outro", concluiu.
Carlinhos de Jesus: orgulho de ser suburbano
O renomado coreógrafo Carlinhos de Jesus cresceu no bairro de Cavalcante, na Zona Norte, e também carrega o orgulho dos aprendizados no subúrbio carioca. Ao DIA, ele relembrou o berço cultural que possibilitou esses ensinamentos.
"Tenho o orgulho de ser suburbano. Tudo que eu aprendi na minha vida, o meu caráter, a minha formação moral, minha educação, tudo foi vivido no subúrbio. Culturalmente, o subúrbio é muito forte. Chega o período do carnaval, o samba, as escolas de samba estão fervendo. Acabou o carnaval, não faltava uma igreja, não faltavam candomblés famosos, grandes candomblés no bairro, então a vida religiosa. No período junino, festas juninas em cada esquina, como se eu estivesse no Norte e Nordeste. Em agosto, setembro, festas folclóricas", relatou.
Ainda na infância, Carlinhos viveu o início da escola de samba Em Cima da Hora, onde pôde conhecer grandes nomes da música brasileira. Durante a entrevista, ele lembrou do enredo "Este Rio que eu amo", apresentado pela agremiação no carnaval de 1971, que descreve a cidade como a "sala de visitas do Brasil".
"Eu diria que o Rio é a minha parte mais perfeita. A cidade me contempla com a música, me contempla com a dança, me contempla com a alegria, com o pertencimento de ser carioca, essa paixão. Se eu vejo alguém mexendo ou destruindo uma parte, eu tenho que controlar meus impulsos, porque eu chamo atenção. Essa é a coisa do pertencimento da cidade, que tem uma consciência também das mazelas dela. Não resta a menor dúvida que é uma cidade linda, mas que é uma cidade como outra qualquer do mundo, que tem seus problemas de segurança, seus problemas de mazelas de qualquer grande cidade", pontuou o coreógrafo.
Outra que destacou o orgulho de ser carioca foi Tia Surica. A sambista, que mora em Madureira, ressaltou o Carnaval como seu grande amor. A poucos metros da quadra da Portela, ela afirmou que não deixa a cidade por nada.
"Eu adoro o Rio de Janeiro! Nasci, fui criada e até hoje estou aqui no Rio. É uma cidade maravilhosa e não troco meu Rio de Janeiro por nada. Tem muita coisa boa, principalmente o Carnaval. Eu amo muito o Carnaval. Para mim, ser carioca é tudo. Tem o samba que eu amo, toda essa parte cultural. Eu sou apaixonada pelo Rio", contou.
O renomado coreógrafo Carlinhos de Jesus cresceu no bairro de Cavalcante, na Zona Norte, e também carrega o orgulho dos aprendizados no subúrbio carioca. Ao DIA, ele relembrou o berço cultural que possibilitou esses ensinamentos.
"Tenho o orgulho de ser suburbano. Tudo que eu aprendi na minha vida, o meu caráter, a minha formação moral, minha educação, tudo foi vivido no subúrbio. Culturalmente, o subúrbio é muito forte. Chega o período do carnaval, o samba, as escolas de samba estão fervendo. Acabou o carnaval, não faltava uma igreja, não faltavam candomblés famosos, grandes candomblés no bairro, então a vida religiosa. No período junino, festas juninas em cada esquina, como se eu estivesse no Norte e Nordeste. Em agosto, setembro, festas folclóricas", relatou.
Ainda na infância, Carlinhos viveu o início da escola de samba Em Cima da Hora, onde pôde conhecer grandes nomes da música brasileira. Durante a entrevista, ele lembrou do enredo "Este Rio que eu amo", apresentado pela agremiação no carnaval de 1971, que descreve a cidade como a "sala de visitas do Brasil".
"Eu diria que o Rio é a minha parte mais perfeita. A cidade me contempla com a música, me contempla com a dança, me contempla com a alegria, com o pertencimento de ser carioca, essa paixão. Se eu vejo alguém mexendo ou destruindo uma parte, eu tenho que controlar meus impulsos, porque eu chamo atenção. Essa é a coisa do pertencimento da cidade, que tem uma consciência também das mazelas dela. Não resta a menor dúvida que é uma cidade linda, mas que é uma cidade como outra qualquer do mundo, que tem seus problemas de segurança, seus problemas de mazelas de qualquer grande cidade", pontuou o coreógrafo.
Outra que destacou o orgulho de ser carioca foi Tia Surica. A sambista, que mora em Madureira, ressaltou o Carnaval como seu grande amor. A poucos metros da quadra da Portela, ela afirmou que não deixa a cidade por nada.
"Eu adoro o Rio de Janeiro! Nasci, fui criada e até hoje estou aqui no Rio. É uma cidade maravilhosa e não troco meu Rio de Janeiro por nada. Tem muita coisa boa, principalmente o Carnaval. Eu amo muito o Carnaval. Para mim, ser carioca é tudo. Tem o samba que eu amo, toda essa parte cultural. Eu sou apaixonada pelo Rio", contou.
Em homenagem ao aniversário da cidade, o prefeito Eduardo Paes também falou ao DIA sobre a identidade do carioca e o carinho que tem pelo município.
"O carioca tem uma identidade própria, sendo alegre, descontraído, resiliente, criativo e espontâneo. Ser carioca é ter orgulho da cidade mesmo diante dos desafios, mantendo a energia positiva e a capacidade de celebrar a vida. Eu tenho uma relação afetiva e de enorme paixão pelo Rio, a melhor cidade das galáxias e que tenho a honra de ser prefeito pela quarta vez. Uma cidade com enorme diversidade cultural, espírito democrático e uma paisagem incrível. E que recebe grandes eventos com enorme sucesso", comentou.
Anônimos que são a cara do Rio se declaram
O ambulante Valdemar Gomes do Nascimento, conhecido como Val da Salada de Frutas, se mudou para o Rio de Janeiro há mais de 50 anos e se tornou uma das figuras mais conhecidas na Praia de Ipanema, na Zona Sul. Aos 70 anos, ele desfila pelas areias carregando seu chapéu decorado com bananas, uvas e maçãs.
"Esse chapéu é tudo, é meu 'marketing'. As pessoas já me conhecem pelo chapéu. Eu vim morar no Rio há 51 anos e essa cidade é fantástica, acolhe a todos maravilhosamente. É por isso que chama de Cidade Maravilhosa. São muitas histórias aqui", disse o ambulante.
Além de um principais cenários do Rio, a praia também ficou imortalizada pela canção "Garota de Ipanema", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, lançada em 1962. Ainda hoje, a música é parte importante da área. Raphael Alves de Menezes é cantor do Grupo Samba Praia e passa há mais de 30 anos pelas areias com seu vasto repertório.
"Ser carioca é muito bom. Olha essa praia, esse mar maravilhoso. Ser carioca é um privilégio, não tem como não gostar. Nasci em Vista Alegre, depois fui para a Tijuca e agora estou em Caxias, na Baixada. Mas Baixada e Zona Norte não tem tanta diferença. Tem muita gente que nasceu na Baixada e se mudou pra Zona Norte, saiu da Zona Norte e foi pra Baixada. Todo mundo tem defeitos, a cidade também, mas não deixa de ser maravilhosa", destacou.
Maracanã: palco do futebol no Rio
O futebol também não pode deixar de ser homenageado no aniversário do Rio de Janeiro. Um dos principais palcos do esporte no mundo, o Maracanã é passeio obrigatório para os cariocas e turistas que chegam à cidade. Há 40 anos, a vendedora Rita de Cássia Rodrigues monta sua barraca nas proximidades do estádio.
"Nós podemos disfrutar muitas coisas boas que o Rio oferece. Sou carioca com muito orgulho! Tenho muitas histórias aqui no Maracanã. Problemas tem em todos os lugares, então vamos levando. Continuo trabalhando, recebendo vários turistas que vem ao Brasil e amam o Rio de Janeiro", contou.
O guia turístico Pedro André, de 30 anos, organiza passeios e apresenta pontos da cidade. O chileno passou a morar no Rio há 12 anos e já fala português fluentemente, sem sotaque. Morando em Copacabana, ele reforçou que a cidade vai muito além da Zona Sul.
"A cidade encanta todo mundo, sou muito feliz por morar aqui. Conheço o Rio na palma da mão e a cidade não tem só a Zona Sul. A Anitta, na música 'Girl From Rio', fala que o Rio é mais do que o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. É exatamente isso", ressaltou.
Escadaria Selarón: os azulejos que colorem a Lapa
A Escadaria Selarón, entre os bairros de Santa Teresa e Lapa, se destaca pelo colorido e se tornou cenário de músicas internacionais. Em sintonia com o Rio, os azulejos do ponto turístico vão além da beleza e concentram parte da cultura latino-americana. O empreendedor Cristiano José Vicente, de 52 anos, mora na Lapa, próximo à escadaria, e pontuou o orgulho de ser carioca.
"Ser carioca é levar a vida numa boa, viver bem. Viver, trabalhar, curtir uma praia na folga. Tenho muito orgulho de ser carioca, nós estamos no melhor lugar do mundo. Todos os dias converso com vários turistas e eles acham o Rio maravilhoso. É o lugar que tem mais beleza no mundo! A Escadaria Selarón é um lugar lindo, feito sem a ajuda do governo, e milhões de pessoas vem visitar", relatou o empreendedor.
O guia Bruno Dias, de 37 anos, leva dezenas de turistas diariamente para conhecer a escadaria e contou que os grupos costumam ficar impressionados com a beleza dos azulejos coloridos. Com experiência em diferentes cenários cariocas, ele elegeu o mirante Dona Marta como a paisagem mais bonita da cidade.
"Temos de tudo no Rio, é a Cidade Maravilhosa. Dá para curtir com segurança as belezas naturais e artificiais que temos. O carioca é feliz, está sempre tentando se reinventar, mesmo com a dureza que existe no país. Estamos sempre correndo atrás e procurando uma forma de ser feliz. É um alto astral lá em cima. O local mais bonito é o Cristo Redentor, mas a vista mais bonita é o mirante Dona Marta. Ver toda a Baía de Guanabara, o Cristo Redentor ao fundo, o Pão de Açúcar", explicou.
*Colaborou Érica Martin
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