Publicado 03/03/2026 10:26 | Atualizado 03/03/2026 10:36
Rio - A família de uma bebê, de 1 ano e 7 meses, acusa a equipe médica do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), unidade particular da cidade da Região Metropolitana, de negligência. Segundo Rayanna Brito, de 20 anos, mãe de Valentina Brito, a criança morreu depois de uma medicação errada. A Polícia Civil investiga.
PublicidadeAo DIA, Rayanna conta que a filha deu entrada no hospital na última sexta-feira (27) com crise convulsiva. Durante a internação, Valentina passou pelo Centro de Terapia Intensiva (CTI) e começou uma série de medicamentos.
De acordo com a mãe, na manhã do último domingo (1º), uma enfermeira trocou a medicação de Valentina. Rayanna afirma que viu a etiqueta do medicamento no nome de outra pessoa, com o mesmo primeiro nome de sua filha.
"Eu corri para pedir a eles para tirar. A enfermeira falou assim: 'É só a etiqueta que está trocada. Sou eu que faço a medicação dos pacientes e a dela está certa'. No mesmo instante que ela falou, ela mexeu na bomba, tirou a seringa, saiu da sala e voltou com outra seringa já com o nome certo da Valentina. O pouquinho de remédio que foi, que pode ter ido em dosagem maior, fez o que fez. Depois da medicação, ela começou a inchar. Parecia que minha filha ia explodir, com os olhos arregalados, braços gordos e pernas inchadas e vermelhas", explica.
Segundo a mãe, após o episódio, a equipe não deu a atenção devida para sua filha. "Quando foram dar um banho, que viram que ela estava queimada. Foi quando começaram a dar atenção, trocaram de quarto. Foi nessa que eu disse que ia denunciar. Eu estava voltando para o hospital quando o pai da minha filha disse que não ela não estava respirando e estavam entubando ela. Foi um erro médico porque não estava tendo atenção nem assistência", completa.
Rayanna questiona o hospital sobre a causa da morte. A mãe destaca que a unidade atribuiu o óbito à pneumonia, desnutrição e epilepsia. "Eu tinha questionado se ela tinha algum problema respiratório e falaram que não tinha nada. Ela passou mal quando a fisioterapeuta foi aspirar ela na parte da noite."
Luta por justiça
Nesta segunda-feira (2), parentes e amigos da família fizeram uma manifestação pedindo justiça sobre o caso. Os presentes usaram camisas com uma imagem de Valentina e levaram uma roupa da bebê. A mãe ressalta que não recebeu apoio do hospital.
"Valentina era minha primeira e única filha, um sonho. Ela me curou porque eu era depressiva. Era tudo para mim e para minha família, uma criança muito amada. A gente não sabe como e nem por onde recomeçar a nossa vida. A gente está lutando. Isso não vai trazer ela de volta, mas estamos lutando para que isso não aconteça com outras pessoas e crianças. Estamos em busca de justiça", finaliza.
O corpo da menina ainda está no Instituto Médico Legal (IML) da cidade na manhã desta terça-feira (3). A previsão é que o enterro aconteça no período da tarde no Cemitério do Maruí.
O caso é investigado pela 76ª DP (Niterói). A Polícia Civil informou que todas as medidas cabíveis para apurar os fatos estão em andamento.
Questionado, o CHN lamentou o falecimento e afirmou que as prescrições médicas foram administradas de forma correta durante toda a internação.
"Neste momento de profunda dor, o hospital se solidariza com os familiares e está disponível para prestar todo o suporte necessário", diz o texto.
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