Presidente da República, Luiz Inácio Lula da SilvaRicardo Stuckert / PR
Publicado 06/03/2026 09:00 | Atualizado 06/03/2026 09:10
Horas antes de desembarcar no Rio para cumprir uma extensa agenda ao lado do prefeito Eduardo Paes, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal O DIA. Na conversa, entre outros temas, Lula destacou ações do governo federal na cidade, falou da importância do combate à violência contra mulheres e analisou a corrida eleitoral no estado.

No fim da manhã desta sexta-feira (6), o presidente visita a Comunidade do Aço, em Santa Cruz, na Zona Oeste, onde haverá entrega moradias para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Já em Campo Grande, participa de inauguração da primeira fase do anel viário e de um túnel. Em seguida, Lula irá ao Galeão para anunciar a instalação do hub internacional do aeroporto.

O DIA: Campo Grande, na Zona Oeste, o maior bairro do Brasil, está ganhando um túnel e um anel viário que irão melhorar a mobilidade do entorno. Muitos moradores da região, no entanto, reclamam de problemas ainda na área de transportes, na saúde e na segurança pública, principalmente. Que tipo de outras ações e benfeitorias a população da Zona Oeste pode esperar por parte do governo federal, presidente?
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Lula: A Zona Oeste tem vários projetos em andamento para fortalecer os serviços públicos e melhorar a mobilidade na região. Estamos inaugurando hoje o trecho 1 do Anel Viário e o Túnel Luiz Bom, com investimentos de R$ 838,5 milhões. E já iniciamos as obras do trecho 2 do Anel, que terá 6,1 quilômetros de extensão e permitirá aos mais de 350 mil moradores de Campo Grande chegarem muito mais rápido à Avenida Brasil. Tudo isso faz parte do Plano de Mobilidade de Campo Grande, que é realizado em parceria com a prefeitura e conta com 38 quilômetros de intervenções viárias, 13 quilômetros de ciclovias e mais de 40 quilômetros de obras de drenagem. Em relação à saúde, estive em Jacarepaguá há menos de um mês para inaugurar a nova emergência 24 horas do hospital Cardoso Fontes, com investimentos de R$ 100 milhões do governo federal. Sobre a Segurança Pública, encaminhamos e já aprovamos na Câmara dos Deputados a proposta de emenda constitucional para que a União possa atuar mais diretamente no combate ao crime. Isso significa ter a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal com mais capacidade de ação, agindo em conjunto com as polícias estaduais e os órgãos de inteligência para combater com muito mais força as facções criminosas e o crime organizado.

Pessoas em situação de vulnerabilidade na Comunidade do Aço, em Santa Cruz, estão ganhando moradias. O déficit habitacional, no entanto, continua sendo um dos maiores problemas da cidade e do estado do Rio. Como tentar equacionar ou melhorar essa questão de forma concreta, presidente? O governo federal tem algum projeto específico para outras comunidades daqui?
Desde 2023, o Minha Casa Minha Vida já contratou a construção de quase 35 mil casas e apartamentos apenas no município do Rio, com investimentos de R$ 5,6 bilhões. No estado inteiro, são mais de 88 mil moradias, com investimentos de R$ 13,5 bilhões para que as famílias conquistem o sonho da casa própria. Trabalhamos também com parcerias como a da Comunidade do Aço. Hoje mesmo, estou entregando moradias para 64 famílias no empreendimento, com financiamento de R$ 213 milhões pelo Banco do Brasil. Vou aproveitar a minha ida até lá para rever a Mariza Batista da Silva e cumprir um compromisso que firmei com ela em 2024, quando também estive na comunidade: tirar uma foto juntos em sua nova moradia, que ficou pronta no ano passado. Outro bom exemplo de ação é o PAC Periferia Viva na Maré, com investimentos de mais de R$ 170 milhões para construção de casas, redes de abastecimento e esgoto e urbanização. O Periferia Viva também já está em andamento em São Gonçalo e teve propostas selecionadas para o Complexo do Alemão e Caniçal, em Niterói. 

Presidente, tivemos recentemente a tragédia das chuvas em Minas Gerais. Em visita à região, o senhor prometeu esforços para ajudar pessoas que perderam casas, por exemplo. Aqui no estado do Rio, tivemos áreas bastante afetadas também, como Nova Iguaçu, Rio das Ostras e Paraty. De que maneira o governo pode ajudar mais efetivamente pessoas atingidas por enchentes, já que elas costumam ser recorrentes?
O mais importante é investir para que as enchentes não ocorram, como estamos fazendo no Jardim Maravilha, em Guaratiba. Ali, com o Novo PAC, estamos aportando R$ 340 milhões para controlar as cheias que sempre afetaram a região e que agora vão deixar de ser um problema. No PAC Seleções, já selecionamos ou retomamos quase 60 projetos de obras de drenagem e contenção de encostas para o estado do Rio, com recursos de R$ 3,9 bilhões. Fortalecemos a Defesa Civil e criamos um sistema para enviar alertas pelo celular quando há risco de enchentes ou deslizamentos, o que salva muitas vidas. Quando os governos locais pedem nossa ajuda, conseguimos deslocar rapidamente especialistas para as áreas afetadas, incluindo a Força Nacional do SUS. E estamos sempre prontos a avaliar e implementar os planos de ação propostos pelos municípios após os desastres, como estamos fazendo agora com Paraty, com o envio de profissionais e recursos financeiros. 
No Mês internacional da Mulher, estamos vendo o caso de estupro coletivo contra uma adolescente em Copacabana, algo que que vem mobilizando bastante a sociedade como um todo. Sabemos que os crimes de estupro e feminicídio continuam com números alarmantes em todo o Brasil. Como essa questão pode ser enfrentada com mais resultado pelo poder público?
Este é um tema que tem mexido muito comigo e que decidi trazer para o centro do debate público. É inaceitável que homens continuem achando que são donos das mulheres, que podem agredi-las ou fazer o que bem entendem com elas. Todos – especialmente nós, homens – temos que fazer nossa parte para que essa cultura desapareça de nosso país e se torne coisa do passado. Criamos o Pacto Brasil para Enfrentamento do Feminicídio, que mobiliza os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo para dar celeridade às medidas protetivas, responsabilizar os agressores e fortalecer a rede de acolhimento. E estamos implantando o “Alerta Mulher Segura”, que aprimora o monitoramento eletrônico de criminosos que usam tornozeleiras eletrônicas e aumenta nossa capacidade de acompanhar os casos em tempo real. Também estamos abrindo novas Casas da Mulher Brasileira e novos Centros de Referência, além de reforçar as delegacias especializadas para que elas funcionem por 24 horas, com agentes qualificados. Com tudo isso, vamos dar a atenção e a prioridade que as mulheres precisam quando sofrem ameaças, sem perder tempo e deixar o pior acontecer. 
Presidente, Eduardo Paes (PSD) já anunciou que sairá da Prefeitura do Rio, no dia 20 de março, para disputar o governo do Estado. Por outro lado, o governador Cláudio Castro e o senador Flávio Bolsonaro, este seu adversário direto na eleição, já indicaram o deputado estadual licenciado e secretário Douglas Ruas (PL) pela situação, para concorrer. Como o senhor está vendo o cenário eleitoral no estado onde o bolsonarismo nasceu?
O Eduardo Paes é um excelente prefeito e trabalhamos muito bem juntos. E dessa parceria com o governo federal vieram muitas ações importantes, verdadeiras conquistas para os cariocas, como a renovação da frota de BRT e a grande melhoria na rede hospitalar da cidade. Sobre as eleições, temos que lembrar que não se escolhe adversários, mas sim aliados. Paes tem o meu apoio político e o importante agora é construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado, na Câmara e na Alerj e não deixar que o autoritarismo e o retrocesso voltem a ganhar espaço no Rio de Janeiro e em nosso país.
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