Publicado 16/03/2026 00:00
"Tem que correr, tem que suar, tem que malhar. Musculação, respiração, ar no pulmão. Tem que esticar, tem que dobrar, tem que encaixar. Um, dois e três, é sem parar, mais uma vez''. Os versos de uma antiga música do compositor e cantor Marcos Valle caem como uma luva para o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Sedentarismo, celebrado em 10 de março. A data serve como um grande alerta sobre os riscos da falta de atividade física, um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. fotogaleria
O sedentarismo está diretamente associado ao aumento de doenças crônicas, como infarto, diabetes, obesidade, hipertensão, acidente vascular cerebral e alguns tipos de câncer, além de impactar negativamente a saúde mental, contribuindo para quadros de ansiedade e depressão.
PublicidadeSegundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço da população adulta mundial é fisicamente inativa, e essa condição é responsável por aproximadamente cinco milhões de mortes todos os anos. Até 2030, quase 500 milhões de pessoas devem desenvolver doenças relacionadas à inatividade física, caso esse cenário não mude.
O Brasil é considerado o país mais sedentário da América Latina e ocupa a quinta posição no ranking mundial. A cada ano, cerca de 300 mil brasileiros morrem por doenças associadas ao sedentarismo. Aqui, segundo o IBGE, 47% dos adultos brasileiros são sedentários. Entre os jovens, a situação é ainda mais alarmante: 84% não praticam atividade física suficiente. A recomendação da OMS é que adultos pratiquem pelo menos 150 minutos semanais de atividade física, enquanto crianças e adolescentes precisam de cerca de 60 minutos por dia.
Pequenas mudanças na rotina, como caminhar 30 minutos por dia, levantar-se a cada hora para se alongar, beber água, reduzir o tempo em frente às telas e optar por deslocamentos ativos, já trazem benefícios significativos, como melhora da circulação, controle do peso, redução da pressão arterial, melhoria do sono e aumento do bem-estar físico e mental.
'Plano de saúde que todo mundo pode pagar'
Profissional de Educação Física, Luiz Fernando Lukas fala sobre o assunto. "A relação entre saúde mental e exercícios físicos é mais poderosa do que muita gente imagina. Já diziam os antigos que quando a cabeça não vai bem, o corpo sente. E o contrário também é totalmente verdadeiro. O movimento é um dos remédios mais naturais que existem para cuidar da mente. Na verdade, eu costumo dizer que o exercício é o plano de saúde que todo mundo pode pagar".
O Brasil é considerado o país mais sedentário da América Latina e ocupa a quinta posição no ranking mundial. A cada ano, cerca de 300 mil brasileiros morrem por doenças associadas ao sedentarismo. Aqui, segundo o IBGE, 47% dos adultos brasileiros são sedentários. Entre os jovens, a situação é ainda mais alarmante: 84% não praticam atividade física suficiente. A recomendação da OMS é que adultos pratiquem pelo menos 150 minutos semanais de atividade física, enquanto crianças e adolescentes precisam de cerca de 60 minutos por dia.
Pequenas mudanças na rotina, como caminhar 30 minutos por dia, levantar-se a cada hora para se alongar, beber água, reduzir o tempo em frente às telas e optar por deslocamentos ativos, já trazem benefícios significativos, como melhora da circulação, controle do peso, redução da pressão arterial, melhoria do sono e aumento do bem-estar físico e mental.
'Plano de saúde que todo mundo pode pagar'
Profissional de Educação Física, Luiz Fernando Lukas fala sobre o assunto. "A relação entre saúde mental e exercícios físicos é mais poderosa do que muita gente imagina. Já diziam os antigos que quando a cabeça não vai bem, o corpo sente. E o contrário também é totalmente verdadeiro. O movimento é um dos remédios mais naturais que existem para cuidar da mente. Na verdade, eu costumo dizer que o exercício é o plano de saúde que todo mundo pode pagar".
De acordo com Lukas, todos os problemas sociais que o estresse, a depressão, a ansiedade carregam, esses sintomas (principalmente o estresse) engordam. ''O estresse mantém o nosso corpo em estado de alerta o tempo todo, elevando um hormônio chamado cortisol, que favorece o acúmulo de gordura (principalmente a abdominal, aquela da 'pochete'), aumenta a fome emocional e atrapalha o sono. O resultado dessa combinação é mais cansaço, menos disposição para se mexer. Ou seja, um ciclo difícil de quebrar", conta.
Para o profissional, a boa notícia é que o exercício físico atua diretamente nesse sistema. "Durante a atividade física, o corpo libera endorfina, serotonina e dopamina, um trio de neurotransmissores mágico. Eles são ligados ao prazer, ao bem-estar e ao equilíbrio emocional, ou seja, tudo aquilo que buscamos quando o assunto é saúde mental", pontua.
Lukas explica que não existe um exercício melhor que o outro para obter os benefícios na saúde mental ou até mesmo na saúde física. "Lógico, alguns gastam mais calorias que os outros, são mais intensos que outros, mas quando o assunto é constância (que é o que nos interessa), o melhor exercício é aquele que você gosta de fazer e consegue manter a regularidade", explica o profissional.
O especialista diz que os exercícios aeróbicos (aqueles que aumentam os batimentos cardíacos) como a caminhada, a corrida, a bicicleta, natação, são ótimos para reduzir a ansiedade e a tensão do dia a dia. Já a musculação melhora a autoestima, da sensação de controle e confiança. Os esportes coletivos unem movimento com interaçaõ social (super importante para quem precisa socializar). Atividades ao ar livre potencializam os efeitos positivos por contato com a natureza. "O exercício que vira hábito sempre vence o exercício perfeito que nunca acontece", ensina.
"O esporte vai muito além da parte física e estética. Ele cria sociabilidade, pertencimento e troca. É uma oportunidade de conhecer pessoas, dividir objetivos, dar risadas, aprender com o outro e sair do isolamento, itens essenciais para saúde mental. E além disso, unir o esporte com novas experiências como viajar para lugares diferentes para competir ou simplesmente para explorar novos ambientes. Isso ativa sensações de novidade, liberdade e prazer que fazem muito bem à mente", finaliza Lukas.
Melhoras na saúde mental
Engana-se quem pensa que existe um tempo para começar nos exercícios. O assessor de imprensa Wellington Melo, de 30 anos, é praticante de judô e vem sentindo muitas melhoras no seu cotidiano, tanto na parte física como mental.
"Comecei em setembro por questões médicas, e me ajuda na minha saúde física e mental. O judô ajuda muito, pois ganho mais disposição e velocidade, além de queimar calorias. Mas na saúde mental é onde sinto mais impacto. Com a atividade, eu aprendo a controlar mais as minhas emoções e descarregar meus estresses de coisas externas no dojô, que é a área de lutas. No judô, esqueço esses problemas e me sinto bastante concentrado, pois é uma cultura da arte: todos os nossos problemas externos ficam fora da área do dojô",diz Melo, que fazia aulas duas vezes mais aumentou para três de tanto bem que a atividade faz para ele.
"Com chuva ou sol, estou nos treinos aprendendo e melhorando minha saúde mental e física. E passo a indicar a quem precisa melhorar a sua saúde mental a fazer uma atividade, pois faz bem e auxilia muito na mente e no corpo. Hoje vejo o judô não apenas como um esporte, mas como uma ferramenta de equilíbrio emocional. Ele se tornou um momento essencial da minha rotina e do meu autocuidado".
Diminuição da ansiedade e aumento da autoestima
Professor de judô Glaudson Azevedo, da academia de mesmo nome, situada no Anil, em Jacarepaguá, explica como a prática esportiva contribui para a saúde mental. "Primeiro, ela libera endorfinas, que são hormônios responsáveis por melhorar o humor e reduzir o estresse. Além disso, a atividade física contribui para a melhoria do sono, aumenta a autoestima e promove uma sensação geral de bem-estar. Também pode ser uma excelente maneira de diminuir a ansiedade e a depressão".
De acordo com o profissional, o esporte também tem impacto muito positivo na autoestima e na autoconfiança, pois, quando se pratica atividade física, a condição física melhora, e sente-se mais energia. "Com isso, passamos a nos sentir mais capazes. Além disso, o esporte promove a liberação de endorfinas, reduz o estresse e ajuda a desenvolver um senso de conquista e superação. Tudo isso contribui para uma visão mais positiva de si mesmo", avalia.
Segundo o professor, a prática esportiva estimula o cérebro e melhora a circulação sanguínea, o que, por sua vez, contribui para a clareza mental e a capacidade de concentração. Além disso, o esporte ensina disciplina, ajuda a estabelecer metas e a manter o foco, o que se reflete também em outras áreas da vida.
Ele conta que o esporte ajuda bastante no controle das emoções, pois promove a liberação de hormônios, como as endorfinas, que proporcionam sensação de bem-estar e reduzem o estresse. "A prática esportiva ensina a lidar com frustrações, a manter a calma sob pressão e a desenvolver resiliência emocional. Tudo isso contribui".
Ele conta que o esporte ajuda bastante no controle das emoções, pois promove a liberação de hormônios, como as endorfinas, que proporcionam sensação de bem-estar e reduzem o estresse. "A prática esportiva ensina a lidar com frustrações, a manter a calma sob pressão e a desenvolver resiliência emocional. Tudo isso contribui".
Organizador psíquico
Em entrevista ao jornal O DIA, a piscóloga Clínica do Esporte Intercultural Andréia Batista (@psi.andreiabatista) fala da importância dos exercícios para o equilíbrio da mente.
O DIA: De que forma a prática esportiva contribui para a saúde mental?
O DIA: De que forma a prática esportiva contribui para a saúde mental?
Andréia Batista: A prática esportiva atua como um organizador psíquico. Ela estrutura rotina, disciplina, metas e pertencimento. Elementos fundamentais para o equilíbrio emocional. Do ponto de vista neurobiológico, o movimento regula sistemas ligados ao humor e ao estresse. Mas, além da biologia, o esporte oferece algo muito potente: experiência de competência.
Quando uma pessoa percebe que evolui, que aprende, que supera limites, ela fortalece sua autoeficácia, um dos pilares da autoestima saudável. No alto rendimento, isso é ainda mais evidente. Porém, é importante lembrar: o esporte não substitui psicoterapia quando há sofrimento psíquico estruturado. Ele é um aliado, não um tratamento isolado.
O DIA: Quais benefícios psicológicos o esporte pode trazer no dia a dia?
O DIA: Quais benefícios psicológicos o esporte pode trazer no dia a dia?
Andréia Batista: Entre os principais benefícios estão:
•Redução da ansiedade
•Melhora do humor
•Aumento da sensação de controle interno
•Regulação do sono
•Melhora da concentração
•Fortalecimento da autoestima
•Redução da ansiedade
•Melhora do humor
•Aumento da sensação de controle interno
•Regulação do sono
•Melhora da concentração
•Fortalecimento da autoestima
O esporte também ensina algo essencial para a vida: tolerância ao erro. Aprender a errar, ajustar e continuar é uma competência emocional que extrapola o campo, a quadra ou a academia. Além disso, ele cria redes de pertencimento. O ser humano é relacional, e sentir-se parte de um grupo é fator protetivo para a saúde mental.
O DIA: Como o exercício físico estimula a liberação de hormônios ligados ao bem-estar?
O DIA: Como o exercício físico estimula a liberação de hormônios ligados ao bem-estar?
Andréia Batista: Durante a prática esportiva, o corpo libera substâncias como endorfina, dopamina e serotonina, que estão associadas à sensação de prazer, motivação e equilíbrio emocional. Além disso, o exercício contribui para a regulação do cortisol, hormônio ligado ao estresse. Mas é importante reforçar: o benefício hormonal ocorre dentro de um contexto de equilíbrio. O excesso de treino, sem descanso adequado, pode gerar efeito contrário como: aumento de irritabilidade, fadiga emocional e até sintomas depressivos. Saúde mental não é apenas movimento. É movimento com consciência e recuperação.
O DIA: O esporte pode ser um aliado no enfrentamento da pressão e das frustrações?
O DIA: O esporte pode ser um aliado no enfrentamento da pressão e das frustrações?
Andréia Batista: Sim. Quando há orientação adequada. O esporte ensina habilidades emocionais valiosas: foco, resiliência, disciplina, autorregulação e gestão de expectativas. No entanto, se a prática for guiada apenas pela cobrança externa, pode reforçar padrões de autocrítica excessiva. Por isso, o ideal é que o esporte seja um espaço de desenvolvimento emocional. Aprender a perder, a ajustar estratégia, a lidar com erros e continuar. Tudo isso fortalece a maturidade psicológica, especialmente no contexto profissional, onde a exposição é intensa, o trabalho psicológico ajuda o atleta a diferenciar desempenho de identidade.
O DIA: Com que frequência é ideal praticar exercícios para obter benefícios à saúde mental?
O DIA: Com que frequência é ideal praticar exercícios para obter benefícios à saúde mental?
Andréia Batista: Para a população geral, recomenda-se prática regular, em média de 3 a 5 vezes por semana, respeitando idade, condição física e orientação médica. Mas mais importante do que a frequência é a constância. A saúde mental é construída no cotidiano. Pequenos hábitos consistentes têm mais impacto do que picos intensos e esporádicos. O ideal é que o esporte faça parte da rotina como um cuidado e não como punição ou obrigação.
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