Materiais apreendidos na residência de um dos policiais civis presosDivulgação
Publicado 10/03/2026 07:09 | Atualizado 10/03/2026 13:38
Rio - A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (10), o delegado Marcos Henrique Oliveira Alves e outros dois policiais civis durante a segunda fase da "Operação Anomalia". O grupo é investigado por usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.
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Ao todo, cerca de 40 agentes federais cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O quarto alvo é o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, que já estava detido.
O delegado era titular da 44ª DP (Inhaúma). Já os outros policiais foram identificados como Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus.
Ainda durante a ação, as equipes apreenderam grande quantidade de dinheiro em espécie na residência de um dos servidores públicos, localizada em um condomínio de luxo em frente à praia, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste.
Condomínio de luxo onde morava um dos policiais civis presos - Divulgação
Condomínio de luxo onde morava um dos policiais civis presosDivulgação
Além das prisões e buscas, a Suprema Corte também autorizou medidas para enfraquecer financeiramente a quadrilha. Entre elas estão o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão das atividades das empresas usadas nos crimes e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.
Em nota, a Polícia Civil respondeu que não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e atividade ilícita, reiterando seu compromisso de combate ao crime em defesa da sociedade.

"A instituição acompanha os desdobramentos da operação da Polícia Federal. Serão instaurados processos administrativos disciplinares para apurar a conduta dos servidores", disse em comunicado.
A defesa do policial Leandro Moutinho, representada pelo advogado Jairo Magalhães, informou que já ingressou com pedido diretamente no STF para acesso à todo o procedimento. "Estamos aguardando a ordem de liberação, uma vez que se trata de procedimento sigiloso", afirmou a O DIA.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos demais investigados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

Entenda o esquema
As apurações revelaram que o esquema era liderado por um delegado e por outro policial civil. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício.

A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas e manter um distanciamento físico das lideranças da facção, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.

A inteligência financeira da PF detectou que os agentes investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos. Para esconder a origem do dinheiro ilegal, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial.

A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa assegurar a atuação uniforme e coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão aos principais grupos criminosos violentos no estado do Rio, com foco primário no enfraquecimento financeiro e na ruptura de suas conexões com agentes públicos.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.
Delegado federal preso
Na primeira fase da operação, nesta segunda (10), o delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano foi preso por suspeita de participar de um grupo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. 
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio, além de medidas cautelares diversas, como afastamento do exercício de função pública. Um dos mandados foi cumprido contra o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, que já está preso desde setembro do ano passado na operação que também deteve o ex-deputado estadual TH Joias. 
Bacellar foi preso na "Operação Unha e Carne", também da Polícia Federal, mas deixou a prisão no dia 9 de dezembro após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou o uso de tornozeleira eletrônica e afastamento da presidência da Casa. Ele é suspeito de participar do vazamento de informações que teria levado à obstrução da investigação da "Operação Zargun", responsável pela prisão de TH Joias, em setembro do ano passado.
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