Publicado 11/03/2026 14:00 | Atualizado 11/03/2026 14:25
Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu um inquérito civil para investigar possível discriminação religiosa contra evangélicos durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, no domingo de Carnaval, em 15 de fevereiro.
PublicidadeA apuração foi instaurada pela 8ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania após o receber representações da ala "Neoconservadores em conserva".
Segundo o MP, o setor retratava evangélicos e outros grupos, como "defensores da ditadura militar", dentro de latas de conserva. Para a promotoria, a representação pode ter caráter depreciativo ao associar um grupo religioso a uma imagem negativa.
No despacho que determinou a abertura do inquérito, o órgão afirmou que a associação pode acabar rotulando e estigmatizando a coletividade religiosa. "A situação se agrava quando essa representação associa o grupo à categoria de 'defensores da ditadura militar', projetando sobre a coletividade religiosa uma identidade política moralmente desqualificada no imaginário público", destacou a promotoria.
O Ministério Público também apontou que desfiles de escolas de samba têm grande visibilidade e, muitas vezes, contam com recursos públicos, o que exige atenção aos princípios constitucionais de igualdade e tolerância religiosa.
A investigação também deverá analisar os limites entre a liberdade de expressão artística e o respeito à diversidade religiosa.
O DIA procurou a Acadêmicos de Niterói, que foi rebaixada para a Série Ouro, para comentar o caso. Até a publicação desta reportagem, a escola não havia se manifestado.
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