Publicado 12/03/2026 08:22 | Atualizado 12/03/2026 12:32
Rio – A Polícia Civil, o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CyberGaeco/MPRJ) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) realizam, na manhã desta quinta-feira (12), uma operação contra um esquema interestadual responsável pela produção e comercialização de armamentos fabricados em impressoras 3D. Até o momento, quatro pessoas foram presas.
PublicidadeNa ação, são cumpridos quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados, em endereços ligados a vendedores e compradores do material. A ofensiva ocorre com apoio das polícias civis estaduais e cooperação de organismos internacionais.
De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de produzir e comercializar carregadores de armas de fogo feitos por impressão 3D, além de disseminar projetos para fabricação de armamentos conhecidos como “armas fantasmas”, que não possuem número de série ou rastreabilidade.
As apurações tiveram início após um alerta enviado por um órgão internacional ao Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), que identificou um usuário de rede social suspeito de desenvolver e vender armamentos produzidos com impressoras 3D.
Segundo a Polícia Civil, o líder da organização criminosa é um engenheiro especializado em controle e automação, responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento. Sob pseudônimo, ele publicava testes balísticos, atualizações de design e orientações detalhadas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.
Ainda de acordo com a corporação, o suspeito produziu um manual com mais de cem páginas, descrevendo passo a passo a fabricação das armas. O documento permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D montassem o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo.
As investigações apontam que o principal produto disseminado pelo grupo é uma arma semiautomática produzida por impressora 3D, combinada com componentes não regulamentados. O projeto circulava em redes sociais, fóruns e na dark web, acompanhado de um manual técnico e de um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas.
A polícia também identificou que o líder atuava com três comparsas, responsáveis por diferentes funções dentro da estrutura criminosa. Um deles prestava suporte técnico aos interessados, outro atuava na divulgação e análise do projeto, enquanto o terceiro cuidava da propaganda e da identidade visual do grupo.
A organização utilizava criptomoedas para financiar as atividades e comercializava carregadores de pistolas produzidos em impressoras 3D em plataformas de venda on-line.
Entre 2021 e 2022, o principal suspeito negociou o material com 79 compradores. Posteriormente, as transações passaram a ocorrer por outros canais e plataformas digitais. A maioria dos compradores possui antecedentes criminais por tráfico de drogas e outros delitos graves.
No estado do Rio, os agentes identificaram 10 compradores, localizados em São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital fluminense. Um deles está preso após ter sido flagrado com grande quantidade de armas e munições.
Durante a operação desta quinta-feira, equipes da 32ª DP (Taquara) cumprem seis mandados de busca e apreensão no estado, em endereços ligados aos compradores, no interior e na Região dos Lagos. Na capital, as diligências ocorrem nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e da Barra da Tijuca, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Os policiais da distrital também foram enviados a São Paulo para cumprir os mandados de prisão contra o líder da organização e outros três integrantes do grupo. As investigações continuam para identificar o destino do material no Rio, que, segundo a polícia, pode ter abastecido o tráfico de drogas e milícias.
Com base nas provas reunidas, o MPRJ denunciou integrantes da organização pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais. O órgão também pediu à Justiça a condenação solidária dos investigados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, em razão da ameaça à segurança pública provocada pela produção e disseminação de armamentos ilegais de difícil rastreamento.
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