Fachada do Colégio Pensi, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de JaneiroReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 13/03/2026 10:17 | Atualizado 13/03/2026 12:54
Rio - Uma adolescente de 14 anos foi vítima de assédio sexual dentro do Colégio Pensi, na unidade Vila da Penha, Zona Norte do Rio, na última quarta-feira (11). O caso teria ocorrido durante o recreio, segundo registro de ocorrência feito pelos pais da menor.
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De acordo a denúncia, enquanto estava na fila da cantina, ela foi abordada por um aluno mais velho, do Ensino Médio, que encostou o corpo nela e, após ser repreendido, passou a mão nos seus glúteos. Tudo aconteceu na frente de testemunhas, inclusive duas amigas da vítima.
"Ontem, ela ligou para a mãe pedindo para que a gente esperasse ela chegar do colégio antes da gente sair para trabalhar. Ela estava chorando, nervosa, não quis falar por telefone. Quando chegou em casa, estava com o olho vermelho, lacrimejando, e já não queria mais contar. Mas insistimos e ela contou que um garoto havia encostado por trás dela e que tinha passado a mão na bunda dela", disse o pai da menina de 14 anos.
A família procurou a direção da escola, mas denunciou descaso e omissão no atendimento. "Quando chegamos no colégio, eu me surpreendi com o desleixo que a situação foi tratada. A minha filha tentou dar queixa no colégio, mas mandaram ela de volta para a sala depois de meia hora tentando falar com a coordenadora. A coordenadora, depois de algum tempo, foi na sala dela para resolver outro assunto. As amigas dela levantaram a mão e pediram para conversar. Ela foi levada então para o corredor, onde disse o que tinha acontecido e a escola não tomou nenhum tipo de providência, mandou ela voltar para a sala", relatou o pai da vítima.
Em nota, a instituição de ensino informou que "tomou conhecimento de um relato envolvendo uma aluna e que o caso está sendo tratado com a devida seriedade e responsabilidade" (veja nota na íntegra no final do texto).
Segundo a família, nenhuma providência imediata foi tomada, nem mesmo a verificação das câmeras de segurança.
"E o mais assustador é que quando chegamos no colégio, mais ou menos três, quatro horas depois do ocorrido, as câmeras de segurança não tinham sido verificadas ainda. A menina (que me atendeu) me tratou com descaso e disse que a empresa das câmeras tinha que mandar as imagens primeiro", completou o responsável.
Diante disso, os pais registraram a ocorrência na 38ª DP (Brás de Pina). "Eu vi que não ia levar em nada, que eu ia acabar perdendo minha paciência com a funcionária e fomos à delegacia. Na delegacia recebemos todo o amparo da polícia. Eles conversaram com minha filha, falaram sobre ela ser uma heroína, por estar denunciando, que nem todo mundo hoje consegue fazer essa denúncia. Fizemos a queixa, relatamos tudo e fomos embora."

De acordo com a Polícia Civil, agentes foram até a escola para garantir a preservação das imagens e dar início às investigações. Eles procuraram a diretoria da unidade de ensino para prestar esclarecimentos, porém a coordenadora que atendeu a equipe. A investigação segue em andamento.

O Colégio Pensi afirmou que preservou as imagens do sistema de monitoramento e disponibilizou essas informações à polícia. A instituição disse ainda que permanece colaborando com os órgãos responsáveis, respeitando os procedimentos legais e a preservação dos menores envolvidos.
A família afirma ainda que, abalada com o ocorrido e se sentindo desacreditada, a adolescente não quer mais voltar ao colégio.
Nas redes sociais, outros pais também relataram casos de omissão da escola em situações vividas pelos filhos e criticaram a postura da coordenação.
Veja nota do Colégio Pensi na íntegra:
O Pensi informa que tomou conhecimento de um relato envolvendo uma aluna e que o caso está sendo tratado com a devida seriedade e responsabilidade. Desde o primeiro momento, a instituição adotou as providências cabíveis no âmbito escolar, realizando o atendimento à estudante e às famílias envolvidas, preservando as imagens do sistema de monitoramento e disponibilizando essas informações às autoridades competentes para a devida apuração. A escola permanece colaborando com os órgãos responsáveis, respeitando os procedimentos legais e a preservação dos menores envolvidos. A instituição reforça que possui protocolo interno de prevenção e enfrentamento a situações de bullying e violência, que inclui canal de ética, equipe preparada para análise de ocorrências e acompanhamento por profissionais da área educacional e psicossocial. Por envolver menores de idade, a escola não divulgará detalhes adicionais, mantendo seu compromisso com a proteção e o bem-estar dos estudantes. A instituição permanece à disposição para eventuais esclarecimentos por meio de seus canais oficiais.
*Reportagem de Rodrigo Bresani, com supervisão de Adriano Araújo
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