Agentes da Força Municipal são acompanhados por pick-ups, motos e vansReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 16/03/2026 12:45 | Atualizado 16/03/2026 13:50
Rio - No primeiro dia útil de atuação da Força Municipal, cariocas celebraram o reforço nas ações de policiamento ostensivo e preventivo voltadas ao combate de roubos e furtos no Rio. Inicialmente, o efetivo atua em dois perímetros: a região que abrange a Rodoviária, o Terminal Gentileza e a Estação Leopoldina, na Zona Portuária; e as adjacências do Jardim de Alah, na Zona Sul.
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No Leblon, onde fica situada a base litorânea da divisão de elite da Guarda Municipal, moradores e trabalhadores relataram ao DIA, na manhã desta segunda-feira (16), a sensação do aumento da criminalidade na região e comemoraram o fortalecimento da segurança.

"Muitas vezes, saio do trabalho e vejo grupos grandes de adolescentes que roubam, já vi vários assaltos por aqui. Eles dão a volta no clube do Flamengo e não tem o que as pessoas fazerem. É muito revoltante. Fiquei até surpresa com a construção da base, acho que vai trazer um benefício grande. Toda a cidade está precisando disso. O armamento assusta, não sabemos se o agente está preparado. Acho perigoso principalmente por ser uma arma letal. No calor da emoção, ainda mais no Rio, é difícil ter preparo", contou a doméstica Regina Silva, de 40 anos.
Por meio de uma análise de ocorrências e dados, a Força Municipal reforça o policiamento em áreas e horários com maior incidência de furtos. A dona de casa Fabiana Farias, de 39 anos, mora próximo ao Jardim de Alah e contou que já presenciou diversas ocorrências na praça. "Costumo passar pelo Jardim de Alah e vejo muitos assaltos, há muitos moradores de rua. Então acredito que essa nova base será importante para o bairro e vai melhorar a segurança na cidade", comentou.
Outro ponto de insegurança citado pelos moradores da região é o canal da Avenida Visconde Albuquerque. O estudante de Direito Mateus Barreto, de 25 anos, relatou que já foi assaltado por criminosos armados no momento em que passava pela área.
"Acredito que o Rio de Janeiro sofre com um problema crônico de segurança. O que puder trazer mais segurança, é sempre bem-vindo. Espero que melhore e, então, precise expandir para toda a cidade. Já sofri um episódio de violência aqui próximo ao canal. Eu estava voltando de um futebol com mais seis amigos e fomos assaltados a mão armada", lamentou.
Além do Jardim de Alah e a região da Rodoviária do Rio, a prefeitura definiu outros 20 perímetros para o reforço no policiamento. A implementação nessas áreas será feita de forma gradual, com a expansão sendo avaliada nas reuniões do CompStat - sistema de segurança adotado pela Força Municipal.
A corporação montou outras duas bases na cidade que contam com setor administrativo, vestiários, refeitório, estacionamento e paiol - área destinada à guarda de armamentos. Uma fica em Inhoaíba, na Zona Oeste, e a outra em Piedade, na Zona Norte. O digitador Sebastião Santos, de 62 anos, torce para que o patrulhamento chegue o quanto antes a mais pontos do município.
"Sempre estamos precisando de mais segurança, porque a violência está grande. Creio que o início do policiamento da Força Municipal é um passo importante para nos sentirmos mais seguros. Espero que o policiamento também chegue a outras regiões, não pode só priorizar a Zona Sul", reforçou.
Na manhã desta segunda-feira, agentes armados atuaram nas proximidades da Rodoviária do Rio, com apoio de viaturas, pick-ups, motocicletas e vans. Além das pistolas, as equipes carregam tasers e cassetetes. A cabelereira Michele Barros pontou que costuma se sentir insegura na área e celebrou a presença das equipes.
"Acho que ainda é cedo para avaliar a questão da segurança, mas já uma iniciativa que vem para melhorar esse problema. O entorno da rodoviária é um ambiente bem hostil, bem inseguro. Com certeza a presença dos agentes vai dar melhor sensação de segurança", comemorou.
Cada área de implementação da Força Municipal conta com um supervisor responsável por coordenar e acompanhar o Quadro de Missão Dirigida (QMDs), ferramenta utilizada no planejamento e na gestão operacional das atividades. Por meio dos QMDs, os agentes recebem informações detalhadas sobre as ações previstas, os objetivos, os pontos de atuação e o trajeto planejado, além de orientações. São 600 guardas já incorporados à divisão de elite e mais 600 serão convocados.
A atuação dos agentes é acompanhada pela Sala de Monitoramento e Gestão Operacional, no Centro de Operações do Rio (COR). Por meio de GPS, câmeras corporais e dispositivos móveis de comunicação, os supervisores podem acionar as equipes e acompanhar ocorrências. Se um guarda se afastar do trajeto previsto sem avisar, o sistema envia um alerta à sala após 15 minutos, permitindo que a supervisão acompanhe a situação pelas câmeras corporais e intervenha caso seja necessário.
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