Publicado 19/03/2026 08:05 | Atualizado 19/03/2026 08:57
Rio - Fotos e vídeos registrados na madrugada desta quinta-feira (19) mostram novos focos de incêndio no terreno da loja Motocriss, que foi destruída pelo fogo há dez dias, em Ramos, na Zona Norte.
PublicidadeUma moradora da vila que fica ao lado do estabelecimento relatou que tentou dormir em casa, já liberada pela Defesa Civil municipal, mas sofreu com a fumaça entrando na sua residência. "Não paro de tossir. Não sei se é pior ficar em casa ou na rua. Não aguento mais isso não", lamentou a autônoma Ana Cláudia Santos, de 39 anos.
Vídeo
O DIA esteve no local na manhã de quarta-feira (18) e presenciou os focos de incêndio que estão se formando em meio aos escombros da loja Motocriss. Uma escavadeira foi utilizada no terreno para movimentar os destroços e possibilitar com que o Corpo de Bombeiros consiga apagar essas chamas.
Militares que atuam no terreno explicaram que, conforme os entulhos são revirados, o oxigênio chega a materiais inflamáveis, como pneus e óleo, e formam novas chamas. Os agentes ainda apontam que há a possibilidade de haver baterias de lítio, o que dificultaria ainda mais o combate ao incêndio. Apesar de não ter risco desse fogo chegar às casas, o grande volume de fumaça com cheiro forte impossibilita que os moradores fiquem em suas residências.
Ana Cláudia dos Santos contou que tem passado mal por conta do forte cheiro da fumaça. Ela comercializa salgados e está conseguindo vender suas mercadorias, já que perdeu muitos dos produtos e não consegue fazer novas levas.
"Estou pedindo ajuda, deixando meus filhos espalhados nas casas dos outros, não tenho como deixá-los em casa com essa fumaça. Na vila, tem criança, bebê recém-nascido, e a gente precisa de ajuda. Depois do primeiro dia do incêndio, nós fomos abandonados. Os donos da loja falaram que não tem dinheiro e a gente entende, mas também precisam entender nosso lado. Nós estamos sendo muito prejudicados, não temos culpa e não temos para onde ir. Perdi dois 'freezers' de salgados, porque ficamos cinco dias sem energia e eu não tinha como entrar em casa para pegar meus salgados. Então meu trabalho foi em vão, cadê o dinheiro para eu repor minhas mercadorias? Minha casa está cheia de fumaça, não dá para ficar dentro de casa. A gente passa o dia inteiro na rua", lamentou.
O conferente de transportadora Jorge Augusto, de 72 anos, teve a parede da sua casa destruída no incêndio. Cercado por incertezas, o idoso contou que os moradores precisam de ajuda e estão se sentindo abandonados pelos órgãos públicos.
"Estou esperando alguém que possa fazer alguma coisa por nós moradores e ainda não apareceu ninguém. Estamos vivendo um filme de terror. Estou com medo de perder minha casa, o fogo não apaga. O Corpo de Bombeiros está fazendo tudo que eles podem, mas o fogo não vai embora. Eu não sei nem o que dizer, passa muita incerteza na cabeça. É fumaça, fogo. É uma covardia. Perdi muita coisa, preciso recomeçar e não tenho como, financeiramente. Quero voltar para minha casa", desabafou emocionado.
Após as críticas pela falta de apoio aos moradores, o DIA entrou em contato com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). Em nota, a pasta comunicou que as famílias recusaram acolhimento institucional, informando que se hospedariam na casa de parentes.
"Como apoio emergencial, as famílias receberam o Cartão Protege SUAS, no valor de R$ 250, destinado à alimentação. O acompanhamento seguirá sendo realizado pelo CRAS Nelson Mandela, em Bonsucesso, responsável pelo atendimento", pontuou a secretaria.
O incêndio
A loja de autopeças pegou fogo no início da manhã da segunda-feira passada, dia 9, e os Bombeiros foram acionados por volta de 6h50. Rapidamente, as chamas destruíram toda a estrutura do estabelecimento, que havia recebido recentemente uma carga de pneus e óleo. Funcionários acreditam que o incêndio tenha começado no último andar, onde estava armazenado o material recém-chegado.
O enorme volume de fumaça escura assustou moradores e a pista lateral da Avenida Brasil, no sentido Centro, precisou ficar mais de 24 horas interditada na altura de Ramos. Ao todo, mais de 100 militares de 15 diferentes unidades foram mobilizados para a ocorrência, que não deixou mortos ou feridos.
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