Adriano da Nóbrega, ex-miliciano morto em 2020 era um dos chefes da organização criminosaReprodução
Publicado 19/03/2026 13:33 | Atualizado 19/03/2026 14:03
Rio – O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpre, na manhã desta quinta-feira (19), dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa ligada ao ex-miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2021. 

Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas por envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro. Entre os alvos da denúncia está um deputado federal, que ainda não teve a identidade confirmada. Segundo o MPRJ, não há mandados expedidos contra o parlamentar.

De acordo com as investigações, o grupo atuava na ocultação de valores provenientes do jogo do bicho, especialmente na Zona Sul do Rio, com concentração em Copacabana. A organização seria ligada a Adriano da Nóbrega, que controlava pontos da contravenção em parceria com o bicheiro Bernardo Bello.

Ainda segundo o Ministério Público, empresas de fachada eram utilizadas para movimentar os recursos ilícitos. Apenas quatro dessas empresas somaram mais de R$ 8,5 milhões em transações em pouco mais de um ano. Entre os estabelecimentos identificados estão um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e até um quiosque de serviços de sobrancelha em um shopping na Zona Norte, que registrou cerca de R$ 2 milhões em créditos em seis meses.

As apurações também apontam para a ocultação de patrimônio do grupo. Dois imóveis rurais avaliados em R$ 3,5 milhões, que pertenciam a Adriano da Nóbrega, estavam registrados em nome de terceiros. Após a morte do miliciano, a viúva dele, Julia Lotufo, teria negociado os bens, mesmo ciente das investigações em curso.

A organização criminosa continuou em atividade mesmo após a morte do ex-miliciano. O grupo manteve e ampliou suas operações, com atuação em atividades como agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular. A gestão dos negócios teria ficado sob responsabilidade de Julia Lotufo.

As acusações foram divididas em três ações penais, que tratam da lavagem de dinheiro do jogo do bicho, da estrutura da organização criminosa e do branqueamento de bens do grupo. A ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI).
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Quem foi Adriano da Nóbrega

Adriano Magalhães da Nóbrega foi um ex-capitão do Bope apontado como um dos principais líderes de milícia no Rio de Janeiro. Ele é apontado como chefe do 'Escritório do Crime', responsável por uma série de execuções, e de comandar grupos paramilitares com atuação na Zona Oeste com envolvimento em esquemas de contravenção, como o jogo do bicho, além de lavagem de dinheiro.

O ex-policial também foi citado em investigações que apuravam a atuação de milícias e suas conexões políticas no estado.

Adriano morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial no interior da Bahia. Segundo a versão oficial, ele entrou em confronto com policiais e foi baleado. 
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