A psicoterapeuta Gláucia Santana fala que existe um ecossistema digitalArquivo pessoal
Publicado 22/03/2026 00:00
Enquanto a violência contra a mulher cresce a cada dia (no ano passado foram 4 mulheres assassinadas diariamente pelos companheiros, maridos ex e afins, numa estatística assustadora), o espetáculo midiático não para. Nas redes sociais não são poucos os grupos redpills que visam tomar a 'supremacia masculina' com postagens de mau gosto incitando ainda mais a violência de gênero.Há alguns anos especialistas em comportamento e saúde mental passaram a observar com mais atenção o crescimento de comunidades digitais associadas à chamada cultura Red Pill. Presente em vídeos, fóruns e perfis nas redes sociais, esse conjunto de ideias afirma revelar uma suposta 'verdade' sobre relações entre homens e mulheres e tem sido apontado por pesquisadores como um fenômeno que pode alimentar ressentimento, misoginia e discursos de hostilidade.
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Grupos com nomes como Homem Sagaz Oficial e redeflags, mundo.redpill, redpill avançado, Clã Antiotário, Sedutor Afrovem, entre muitos outros, se espalham na internet na mesma proporção que pessoas públicas como Fátima Bernardes, Rafael Portugal, Chico Alencar,  argumentam que é preciso que se tomem providências mais severas. No Senado Federal, inclusive, está em votação se a misoginia (ódio à mulher) poderá ser considerada crime.
A discussão ganhou  ainda mais força diante de casos recentes de violência que mencionam ou fazem referência ao movimento. Um dos episódios ocorreu no Rio de Janeiro, onde um adolescente foi apreendido após ser acusado de estuprar uma menina menor de idade. O caso chamou atenção porque o jovem chegou à delegacia vestindo uma camiseta com referência ao movimento Red Pill, símbolo que passou a circular amplamente nas redes sociais.
Em outro caso, alunos de 13 a 15 anos do Colégio São Domingos, instituição de alto padrão localizada em Perdizes, em São Paulo, foram suspensos após o vazamento de mensagens em grupos de WhatsApp. Segundo relatos, o conteúdo tinha teor misógino e fazia referência a formas de violência contra meninas da própria escola, gerando revolta entre estudantes e forte repercussão.A instituição informou que adotou medidas disciplinares, realizou reuniões com as famílias e iniciou ações educativas voltadas à ética digital, ao respeito e à prevenção da violência de gênero.
Um não à hostilidade
Ao mesmo tempo, um movimento paralelo começou a surgir também entre mulheres na internet. Em plataformas como o Instagram, usuárias passaram a incentivar outras a identificar perfis ligados ao conteúdo Red Pill e deixar de seguir homens que acompanham esse tipo de página. A proposta, segundo defensoras da iniciativa, seria evitar relacionamentos com pessoas que consomem conteúdos considerados misóginos ou hostis às mulheres.
Frustrações profundas
Para especialistas, o fenômeno revela tensões sociais que vão além do ambiente digital. A psicanalista e terapeuta Gláucia Santana explica que a cultura Red Pill funciona como uma narrativa que oferece respostas rápidas para frustrações emocionais profundas.
"Quando falamos de Red Pill, estamos falando menos de um movimento organizado e mais de um ecossistema digital de ideias presente em vídeos, fóruns e perfis que prometem revelar uma suposta verdade sobre relacionamentos. A narrativa costuma sugerir que os homens foram enganados por uma sociedade que favoreceria as mulheres e que, para não sofrer, eles precisam 'acordar', endurecer e aprender a jogar o jogo das relações. Do ponto de vista psicanalítico, isso frequentemente funciona como uma defesa emocional. O discurso oferece explicações simples para dores complexas, como rejeição, frustração, sensação de inadequação ou medo de não ser escolhido. Para muitos jovens, isso gera um alívio narcísico, porque desloca a responsabilidade para fora. O risco é que a vulnerabilidade masculina, que é legítima, acaba sendo transformada em ressentimento".
Segundo a especialista, quando esse ressentimento encontra comunidade e linguagem nas redes, ele pode se transformar em identidade. "O Red Pill promete força, mas muitas vezes entrega medo disfarçado de controle. Em vez de elaborar a própria dor, o sujeito passa a buscar poder como anestesia, seja sobre dinheiro, status ou sobre o próprio vínculo afetivo. O relacionamento deixa de ser espaço de troca e passa a ser tratado como jogo de dominação. Quando o vínculo vira jogo, a empatia passa a ser vista como fraqueza, e isso abre espaço para comportamentos de humilhação, manipulação emocional e controle".

Inseguranças emocionais

A psiquiatra Jessica Martani explica que esses grupos costumam atrair principalmente jovens que enfrentam inseguranças ou dificuldades emocionais.
"Esses movimentos surgem muitas vezes em comunidades digitais que compartilham uma visão específica sobre relações de gênero, marcada por frustração, ressentimento ou sensação de exclusão social. Do ponto de vista da saúde mental, é importante entender que eles oferecem narrativas simplificadas para explicar dificuldades pessoais, como rejeição afetiva, insegurança ou baixa autoestima. É mais fácil colocar a culpa no outro do que parar para refletir sobre si mesmo. Ter um inimigo em comum e fazer parte de um grupo cria uma sensação de pertencimento e de estar do lado certo".
Segundo a psiquiatra, o impacto dessas ideias pode se refletir no comportamento de jovens que ainda estão formando sua identidade emocional."Quando a frustração pessoal passa a ser  interpretada como resultado de uma suposta injustiça causada pelas mulheres ou pela sociedade, existe o risco de transformar sofrimento psicológico em raiva direcionada. Alguns jovens podem começar a validar comportamentos agressivos ou enxergar a violência como forma de afirmação ou vingança. Sentimentos como rejeição, isolamento e baixa autoestima precisam ser trabalhados de forma saudável, com apoio emocional e reflexão, e não canalizados para narrativas que reforçam hostilidade".
Para as mulheres, o efeito também é perceptível nas redes e fora delas. Segundo a psiquiatra, o crescimento desses discursos pode gerar insegurança e sensação constante de vulnerabilidade.
"Quando discursos que culpabilizam ou desumanizam mulheres ganham espaço, o impacto vai além do ambiente virtual. Isso pode reforçar estereótipos negativos, alimentar hostilidade e legitimar comportamentos de desrespeito. Muitas mulheres relatam aumento de ataques online, assédio e discursos de ódio. Psicologicamente, viver em um ambiente social onde sua autonomia é constantemente questionada pode gerar ansiedade e sensação permanente de ameaça".

Sinal de alerta

A ativista feminista e conservadora Vann Ferreira avalia que o crescimento do fenômeno representa um sinal de alerta para a sociedade.
"O movimento chamado Red Pill surgiu na internet reunindo grupos de homens que acreditam que a sociedade enganou os homens sobre como funcionam os relacionamentos. Eles dizem que estão abrindo os olhos dos homens para essa realidade. O problema é que, em muitos desses espaços, surge um discurso de desconfiança e até hostilidade contra as mulheres, e isso pode influenciar principalmente jovens que ainda estão formando sua visão sobre relacionamentos".
Na avaliação da ativista, a expansão desse tipo de conteúdo pode contribuir para a normalização do desrespeito. "Quando esse tipo de conteúdo reforça raiva ou desprezo pelas mulheres, existe o risco de normalizar comportamentos agressivos. Na minha visão, esse tipo de movimento pode ser um retrocesso, porque em vez de promover diálogo e equilíbrio entre homens e mulheres, acaba estimulando uma ideia de conflito permanente. A sociedade precisa avançar para relações mais maduras e respeitosas, não para uma guerra entre homens e mulheres.”
Para especialistas, o debate sobre masculinidade, frustração e saúde emocional é necessário. O desafio está em evitar que essas discussões sejam capturadas por narrativas que transformem relações afetivas em disputas de poder e reforcem a hostilidade entre homens e mulheres.
Marketing digital sobre cultura machista
Em entrevista ao jornal O DIA, a psiquiatra Paula Gibim, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, fala sobre o assunto.
O DIA: Como a senhora vê o crescimento do movimento redpill?
Paula Gibim: Muitas pessoas veem o movimento redpill como algo aberrante, uma exceção em nossa sociedade, mas eu o vejo como o resultado da confluência do marketing digital sobre uma cultura machista que vem perdendo espaço nas últimas décadas; A posição de domínio e privilégio, que era considerada proveniente de uma suposta superioridade natural do homem, é cada vez mais suplantada pelo entendimento da igualdade de valor e direitos entre homens e mulheres.
As mulheres vêm conquistando espaços na sociedade que eram exclusivamente deles até o início do século passado (na educação, nas artes, na política, no mercado de trabalho...). Isso vem gerando movimentos reacionários e, neste caso específico, conspiracionistas, de homens que se sentem sob ataque ao perder esses privilégios históricos. O movimento redpill, em especial, é explorado e potencializado como nicho de marketing digital. Os influenciadores encontram um público suscetível para vender produtos, cursos, assessorias e conteúdos eróticos, o que gera abundante injeção de capital para estimular o crescimento dessa bolha.

O DIA: A senhora acredita que esse movimento contribui para o aumento da violência contra a mulher?
Paula Gibim: Não sobra nem espaço para questionamento. Infelizmente, símbolos desse movimento estão literalmente estampados nas roupas de homens presos, acusados de violências gravíssimas contra mulheres. Esse movimento parte da teoria conspiratória de que as mulheres estariam dominando o mundo e controlando os homens, quando o 'natural' seria o inverso. O 'natural' seria as mulheres retornarem exclusivamente a papéis subservientes ao homem, por este ser considerado superior.
A partir dessas premissas, os conteúdos vão adquirindo nuances cada vez mais radicais, chegando à apologia explícita à violência física, sexual e psicológica contra mulheres (e também outros grupos). Quanto mais radical, mais curtidas, mais comentários, mais engajamento, seguidores, influência, vendas, dinheiro...
O DIA: Muitos homens são bem jovens. O que leva essas pessoas a acharem que o homem tem alguma supremacia sobre a mulher?
Paula Gibim: Os homens jovens, até pré-adolescentes, são mais suscetíveis à internet e às influências. São fases de insegurança, questionamentos e construção de identidade. O redpill lhes oferece respostas simples e uma cartilha conveniente a ser replicada. Os argumentos usados vão de crenças religiosas à pura desinformação. A mensagem que fica é que eles são as vítimas do sistema e que as mulheres são as opressoras, que devem ser dominadas para que eles provem seu valor. Simplesmente humilhar, bater ou assediar uma mulher já lhes traz sensação de superioridade e ameniza sua própria baixa autoestima.
O DIA: Traumas na infância podem levar homens a terem ódio de mulheres e a participarem desses grupos?
Paula Gibim: É um possível fator de influência, mas não há um único fator que seja suficiente ou definitivo para que essa adesão ocorra. Eventos ou circunstâncias que prejudiquem a autoestima deixam as pessoas mais vulneráveis a influências e à busca por supercompensação dessa insegurança.
Outro fator central é o isolamento dentro dessas bolhas e a falta de outras influências positivas para contrabalançar. Isso acontece, por exemplo, com adolescentes que passam muitas horas expostos às redes sociais, onde essas ideias e conteúdos são propagados.
Nesses nichos, todos os usuários são simpáticos a esses pensamentos, o que vai fortalecendo o sentimento de pertencimento a um grupo e a progressiva identificação com os valores e comportamentos estimulados.
Diversos influenciadores redpill provêm de lares desestruturados ou conflituosos. A ausência de um modelo masculino real, que um pai geralmente representa, possivelmente predispõe esses jovens a buscar outros exemplos para mimetizar.

O DIA: A misoginia está sendo votada no Senado para ser considerada crime. Qual sua opinião a respeito?
Paula Gibim: É um mecanismo importante como reconhecimento da existência de um problema. Em relação à eficiência como forma de efetivamente coibir tais posturas, sou um tanto cética. Vejo como uma medida muito mais relevante e eficiente a aprovação do ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente), que tivemos neste mês aqui no Brasil. Ele atua em um dos pilares do movimento, que é a exposição descontrolada de adolescentes e crianças a conteúdos de ódio, além de outros conteúdos danosos nos espaços digitais.
Certamente, a regulamentação digital ainda está engatinhando. Ainda estamos muito longe de conseguir responsabilizar adequadamente todos que lucram com conteúdos de ódio. A aprovação do ECA Digital é um passo para a proteção das gerações em formação.

O DIA: Como é possível se proteger de homens que só 'escorraçam' as mulheres?
Paula Gibim: Sozinhas, elas não poderão se proteger. A misoginia é um problema social, não individual. Mães, pais, avós e professores precisam conversar com os meninos sobre respeito mútuo e às minorias. As meninas precisam se sentir seguras e acolhidas nesses ambientes de cuidado, para que possam expressar quando estiverem com medo ou passando por qualquer tipo de violência.
Existem homens abertamente redpill, mas muitos podem se apresentar como um príncipe encantado. Existem sinais de alerta que podem ser ensinados às meninas, como emojis, frases e imagens usadas dentro da comunidade redpill. Além disso, há sinais de misoginia e agressividade, como controle da roupa e do comportamento da menina, afastamento de amigas e familiares, críticas constantes, ameaças e acusações de que a menina é instável ou louca.
É comum que homens um pouco mais experientes consigam perceber quais meninas estão em um momento mais vulnerável. Eles vão justamente atrás de quem está menos capaz de se proteger ou estabelecer limites, sendo mais mais fácil de ser influenciada e menos propensa a reagir aos abusos.
Discurso passível de responsabilização jurídica

Advogada, professora de Direito Constitucional e pesquisadora nas áreas de direitos fundamentais e liberdade de expressão no âmbito digital, Adriane Fauth fala sobre o movimento.

O DIA: O que pode ser feito para o movimento redpill ter fim?
Adriane Fauth: Mais do que simplesmente 'acabar' com um movimento específico, o primeiro passo é delimitar com precisão o que, dentro desses espaços, configura efetivamente discurso de ódio, passível de responsabilização jurídica e, em alguns casos, de criminalização, e o que permanece no campo de opiniões machistas ou preconceituosas. Essa distinção é fundamental. Caso contrário, na legítima intenção de proteger as mulheres, corre-se o risco de avançar sobre a liberdade de expressão, que constitucionalmente também protege discursos ruins, incômodos ou socialmente reprováveis. O desafio, portanto, é responsabilizar quando há incitação à violência ou desumanização, sem transformar o combate à misoginia em um mecanismo de censura.
Acredito que o caminho passe pela educação digital, pensamento crítico e debate público responsável. Muitos jovens entram nesse tipo de comunidade online em busca de pertencimento ou respostas simplificadas para frustrações pessoais. Quando há educação emocional, discussão saudável sobre masculinidade e relações afetivas, e também responsabilização quando há discurso de ódio ou incentivo à violência, esses espaços perdem força.
O DIA: De onde vem tanto ódio pelas mulheres?
Adriane Fauth: A violência contra a mulher não é um fenômeno recente. Durante muito tempo, por exemplo, o próprio sistema de justiça brasileiro chegou a admitir argumentos como a chamada 'legítima defesa da honra', tese utilizada para tentar justificar crimes cometidos por homens contra suas companheiras. Esse entendimento, hoje superado, revelava uma lógica cultural que relativizava a violência a partir da ideia de proteção da honra masculina.
Atualmente, parte desse problema também é amplificado pelo ambiente digital. As redes sociais facilitam o encontro entre pessoas que compartilham visões semelhantes e, por meio dos algoritmos, passam a sugerir conteúdos e influenciadores alinhados ao que o usuário já consome. Esse mecanismo pode acabar criando verdadeiras 'câmaras de eco' (“echo chambers”), nas quais discursos misóginos são reforçados e normalizados.
Nesse contexto, frustrações pessoais acabam sendo canalizadas para narrativas coletivas que culpam as mulheres, e indivíduos com visões mais extremistas ou antissociais sentem-se encorajados a expressar e radicalizar essas ideias ao encontrar outros que pensam da mesma forma.
O DIA: A pena para feminicídio aumentou, mas os casos continuam crescendo. A que você atribui isso?
Adriane Fauth: O aumento da pena tem uma função simbólica importante e demonstra a gravidade com que o Estado enxerga o feminicídio. No entanto, a criminologia já aponta há muito tempo que o aumento da pena, por si só, não é suficiente para reduzir a criminalidade. O jurista italiano Cesare Beccaria, ainda no século XVIII, já afirmava que 'não é a gravidade da pena, mas a certeza da punição que previne os crimes', ideia desenvolvida em sua obra Dos Delitos e das Penas. Isso significa que políticas eficazes de prevenção passam também por investigação eficiente, resposta rápida do sistema de justiça e fortalecimento das redes de proteção às mulheres em situação de violência.
O DIA: Alguma sugestão para que os homens parem de agredir suas companheiras?
Adriane Fauth: A prevenção passa por três frentes principais: educação sobre relações respeitosas desde cedo, combate à naturalização da violência nas relações afetivas e responsabilização efetiva dos agressores. Também é importante ampliar o debate sobre masculinidades saudáveis, para que homens aprendam a lidar com frustrações, conflitos e emoções sem recorrer à violência.

'Interpretações distorcidas'

Para fazer a reportagem entrei em alguns perfis e chamei seus 'donos' no direct. A maioria não respondeu e um deles não se identificou. Com o perfil Homem Sagaz Oficial deu sua versão a respeito da polêmica. Ele é analista comercial e tem 38 anos.
"Na minha visão, o chamado movimento redpill tem como proposta principal fazer os homens enxergarem as relações de forma mais realista, sem idealizações ou romantizações excessivas. É mais sobre desenvolvimento pessoal, responsabilidade emocional e entendimento da dinâmica entre homens e mulheres. Não vejo o movimento, na sua essência, como incentivo à violência ou ao desrespeito contra a mulher", afirma.
Ele diz justamento o oposto. "Pelo contrário, acredito que qualquer forma de misoginia ou violência deve ser tratada com seriedade e, sim, combatida dentro da lei. O problema é que, como em qualquer grupo, existem interpretações distorcidas e pessoas que utilizam o discurso para justificar comportamentos negativos, o que não representa necessariamente a ideia central. Generalizar todo o movimento por esses casos acaba sendo injusto. Para mim, o foco deveria estar no equilíbrio, homens buscando evolução pessoal, sem ódio ou desrespeito, e relações mais conscientes dos dois lados'', pontua.

Conteúdo voltado para as mulheres

O único que se identificou para a matéria, Breno Faria, com perfil no Instagram intitulado Café Com Teu Pai falou sobre o assunto. Seu insta seria para ajudar a mulheres  emrelacionamentos, mas muitos comentários são negativos, mostrando que existe polêmica.
"Eu não sou nem nunca fui redpill. Não há sentido me colocarem como alguém desse movimento, uma vez que meu conteúdo é todo voltado para mulheres. Me defino como católico, marido e pai, que produz conteúdo alertando mulheres sobre comportamentos masculinos ruins e dando dicas sobre como lidar com os homens'', afirma Breno, acrescentando que não sabe opinar sobre o redpill.
"Não tenho opinião sobre esse movimento porque nunca o estudei. Hoje, tudo é chamado de redpill. Fica difícil saber o que é e o que não é''.
Para Faria, a única forma de diminuir o índice de crimes contra a mulher é criando leis mais fortes, punições mais rígidas. O criminoso precisa temer as consequências de seus atos", diz ele que já se relacionou com muitas pessoas, mas hoje é casado. "Precisamos de conexões profundas, estáveis e duradouras", finaliza.

Saiba mais
O que é o movimento Red Pill?
O termo vem do filme Matrix (1999). No filme, o protagonista Neo precisa escolher entre tomar a pílula azul (continuar vivendo numa ilusão confortável) ou a pílula vermelha (acordar para a realidade dolorosa do mundo real).
Os adeptos desse movimento usaram essa metáfora para dizer que eles "tomaram a pílula vermelha" e acordaram para a "verdade" de que a sociedade, na verdade, é dominada e manipulada pelas mulheres e pelo feminismo, e que os homens são as verdadeiras vítimas.
Mercado de trocas frias

A "Teoria do Valor Sexual": Eles enxergam as relações humanas como um mercado de trocas frias. Dividem os homens em "Alfas" (dominantes, ricos, atraentes) e "Betas" (provedores, submissos).
Hipergamia: Acreditam que as mulheres são programadas por natureza para sempre buscarem homens com mais dinheiro e status, e que nunca amam os homens pelo que eles são, mas pelo que podem oferecer.
Vitimização masculina: Sentem que o mundo moderno odeia os homens e que as leis e regras sociais sempre favorecem as mulheres.
Manosfera ou machosfera
Subcultura online composta por comunidades masculinistas que promovem o desenvolvimento pessoal masculino, frequentemente com críticas ao feminismo. Defende que homens invistam em si mesmos em vez de buscar relacionamentos, sendo por vezes associada a ideologias de extrema-direita e direita alternativa, segundo pesquisadores.
Terminologia Comum na Manosfera:
Incel (Celibatários Involuntários): Homens que não conseguem encontrar parceiras sexuais e culpam as mulheres por isso.
MGTOW (Men Going Their Own Way - Homens Seguindo Seu Próprio Caminho): Comunidades que pregam o afastamento total de mulheres.
Coach de Masculinidade: Influenciadores que vendem cursos e conselhos sobre como dominar mulheres e adotar a mentalidade "alfa".
Teoria 80/20 (Teoria da Hipergamia): A falsa ideia de que 20% dos homens (alfa) ficam com 80% das mulheres, deixando o resto dos homens sem parceiras.
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