Diretor de presídio do Complexo de Gericinó foi afastado durante sindicânciaReginaldo Pimenta / Arquivo O Dia
Publicado 20/03/2026 11:24
Rio - Investigações da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) apontam para existência de uma "máfia de cigarros" com participação de policiais penais em presídios do Estado do Rio. Apenas no ano passado, quatro servidores, sendo um o diretor de uma penitenciária do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, foram afastados ou suspensos.
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Dados obtidos pela Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen) demonstraram inúmeras apreensões de maços, que seriam contrabandeados ou falsificados, no interior do Sistema Penal Fluminense, o que levaria a uma "máfia interna" de disputa pelo fornecimento dos produtos para os presos, por parte de agentes penais.
De acordo com um relatório realizado nesse mês de março, historicamente, o fornecimento de cigarros foi controlado por um grupo de servidores que contaria com, ao menos, cinco policiais penais entre ativos e inativos. Esse grupo teria determinado que todo cigarro vendido em penitenciárias deveria pertencer, exclusivamente, à sua organização.
A disputa com o grupo que tinha o monopólio anterior do comércio de cigarros ilegais uma guerra que teria ocasionado ao menos três homicídios, sendo um deles o do inspetor Bruno Kilier Fernandes, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, em junho de 2023. A contravenção que atua no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, apoiaria um dos grupos.
"A 'Máfia do Cigarro' na Seap é hoje uma das engrenagens financeiras mais potentes do crime organizado no Estado do Rio de Janeiro, cuja a corrupção alavancada é sistêmica, envolvendo vários atores como pessoas com cargos de gestão administrativa, presos, visitantes e criminosos extramuros", destaca o documento.
Sindicância contra servidores
A apreensão de 800 maços de cigarros, identificados em caixas via Sedex e destinados a dois presos, levou ao afastamento do diretor, subdiretor e do chefe de custódia do Presídio Dr. Serrano Neves, o Bangu 3A, no Complexo de Gericinó, em novembro de 2025. Segundo a Seap, a sindicância sobre o caso ainda está em andamento pela corregedoria.
No mesmo mês, a pasta apreendeu 110 maços em uma única cela do Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói, na Região Metropolitana. Uma sindicância está em andamento.
Em abril de 2025, no Instituto Penal Edgard Costa, também em Niterói, houve a apreensão de 500 maços.
As apreensões do ano passado somam 1,4 mil produtos. A Seap ainda identificou movimentações suspeitas dessa mercadorias dentro de unidades desde 2018.
O que é permitido?
Em janeiro desse ano, a Seap publicou uma resolução com novas regras para regulamentar e disciplinar a entrada de alimentos, materiais, objetos e valores em unidades prisionais do estado. A norma proíbe todo acesso de cigarros por meio do setor de custódia ou via Sedex. A única maneira permitida é nos dias de visita, sendo limitada a 12 maços de cigarros sem qualquer tipo de sabor.
A pasta destaca que é permitido aos internos adquirirem cigarros através da "cesta de custódia". A família dos custodiados pode comprar produtos de forma online para eles.

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