Publicado 25/03/2026 11:17
Rio - O policial militar Ricardo Telles Noronha Júnior agrediu estudantes dentro do Colégio Estadual Senor Abravanel, antigo Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, na Zona Sul, na manhã desta quarta-feira (25). Em imagens que circulam nas redes sociais é possível ver o momento em que o agente parte para cima de pelo menos dois jovens em meio a uma discussão.
PublicidadeCom a farda do Batalhão de Choque, o policial agrediu uma estudante com tapas no rosto. Em seguida, um colega que tentou intervir também foi atingido com um soco no rosto e foi derrubado.
As vítimas são a presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames-RJ), Marissol Lopes, 20 anos, e o secretário-geral instituição Theo Oliveira, de 18. As imagens foram gravadas por João Herbella, 23, diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (DCE/UFRJ).
Veja vídeo:
Segundo a Ames-RJ, os representantes das instituições chegaram a ser detidos e encaminhados à delegacia. Eles haviam sido chamados por alunos da escola para encabeçar um abaixo-assinado exigindo o afastamento de um professor acusado de assédio. A defesa deles destacou, inclusive, que eles tinham uma autorização nominal cedida pela Secretaria de Estado de Saúde para que pudessem acessar a instituição e colher as assinaturas.
"Fomos solicitados a ir à escola e, referendados pela Lei do Grêmio Livre, que foi assinada pelo ex-governador Leonel Brizola, entramos na escola, porque é nosso direito como entidade estudantil eleita. Nós fomos à escola para entregar um abaixo-assinado, e os policiais, de forma bastante truculenta, agrediram, jogaram spray de pimenta. Inclusive, a minha camisa está rasgada. Eles desferiram dois tapas em mim e também deram um soco em um diretor da AmesRio", disse Marissol ao 'RJ 1', da TV Globo.
"A recepção da escola não quis olhar a autorização da secretaria, e a diretoria chamou a polícia. Tentamos conversar, de que esse não era um caso de polícia, mas de diálogo, de que deveriam chamar os estudantes para entender sobre o que era aquele abaixo-assinado. Mas não fizeram isso. O que deveria ter sido tratado como caso de polícia, que é o assédio, não foi. Mas foi criminalizado dois estudantes recolhendo assinaturas", indignou-se Monique Zuma, integrante da Rede Nacional de Advogados Populares e coordenadora do Movimento Mulheres Olga Benário, que representa Théo e Marissol no caso.
Marissol, ainda ao RJ1, reforçou que não houve diálogo antes das agressões. "A tentativa de conversa foi bem rápida. Ele falou que a gente tinha que se retirar, mas nós citamos a Lei do Grêmio Livre, explicando que deveríamos estar na escola independentemente de autorização, porque a polícia não está acima da lei federal. Mas, infelizmente, eles se acharam no direito de nos agredir apenas porque a gente tornou exposto um caso que estava abafado. Então, a tentativa de diálogo foi muito restrita", acrescentou.
Procurada, a Polícia Militar informou que "diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na referida unidade de ensino, determinou que a Corregedoria Geral instaure um procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata."
Ainda de acordo com a corporação, o agente já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). O policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas.
"A PM reitera seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com a atenção e transparência necessárias a conduta de seus policiais em serviço", finalizou em comunicado.
Ainda de acordo com a corporação, o agente já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). O policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas.
"A PM reitera seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com a atenção e transparência necessárias a conduta de seus policiais em serviço", finalizou em comunicado.
"Acionamos a Corregedoria da PM, porque o policial que agrediu precisa responder de alguma forma. Registramos aqui na delegacia, a escrivã anotou como abuso de autoridade, que foi o que aconteceu, e assim o caso será investigado. E vamos verificar se o policial foi afastado de fato, como diz a versão que a PM apresentou para a imprensa. Precisamos averiguar se de fato ele vai responder", acrescentou a advogada Monique Zuma.
Logo após a agressão, os jovens foram liberados da delegacia e participaram de uma manifestação na escola.
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) lamentou o ocorrido e reforçou que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública, e informou que prestará todo apoio necessário aos alunos envolvidos.
A pasta explicou ainda que a PM foi acionada durante um protesto de estudantes de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo.
Em relação a denúncia de assédio, a Seeduc acrescentou que determinou o afastamento imediato do professor alvo da manifestação e que abriu uma sindicância para apurar o caso e a conduta dos demais servidores envolvidos.
A pasta explicou ainda que a PM foi acionada durante um protesto de estudantes de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo.
Em relação a denúncia de assédio, a Seeduc acrescentou que determinou o afastamento imediato do professor alvo da manifestação e que abriu uma sindicância para apurar o caso e a conduta dos demais servidores envolvidos.
Repercussão
Nas redes sociais, o caso repercutiu rapidamente entre políticos, que repudiaram a atitude do policial militar. O deputado federal Tarcísio Motta (Psol), por exemplo, esteve na 9°DP (Catete) acompanhando as vítimas.
"O 'crime' dos estudantes? Terem sido convocados pelos alunos da Escola Estadual Amaro Cavalcanti para apoiar abaixo-assinado que pedia que um professor acusado de assédio sexual fosse afastado durante as investigações. Um combo de absurdos que vamos cobrar do governo estadual", disse.
"O 'crime' dos estudantes? Terem sido convocados pelos alunos da Escola Estadual Amaro Cavalcanti para apoiar abaixo-assinado que pedia que um professor acusado de assédio sexual fosse afastado durante as investigações. Um combo de absurdos que vamos cobrar do governo estadual", disse.
Reimont, deputado federal (PT) e presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, também se manifestou.
"Quero me dirigir ao Governador em exercício, o Presidente do Tribunal de Justiça Ricardo Couto de Castro, e repudiar toda agressão feita aos estudantes na Escola Estadual Senor Abravanel no dia de hoje. O interior das escolas não é espaço para violência policial. Aliás, nenhum lugar do nosso estado devia ser lugar para isso", frisou
Renata Souza, deputada estadual do Rio, destacou o caso como absurdo. "Estou estarrecida com essas imagens. Entrei em contato com a Seeduc e aguardo esclarecimentos. A conduta desse agente é inaceitável e não pode passar impune. Minha solidariedade aos estudantes, à presidente e à toda comunidade escolar", afirmou.
Enquanto Jandira Feghali, deputada federal (PCdoB), trata a situação como inaceitável e revoltante. "Não podemos normalizar a violência do Estado contra quem se organiza, se manifesta e defende direitos - ainda mais dentro de uma escola, que deveria ser espaço de proteção e formação. Lutar por educação, por respeito e por direitos não é crime. Truculência policial é. Isso não ficará impune!".
"Quero me dirigir ao Governador em exercício, o Presidente do Tribunal de Justiça Ricardo Couto de Castro, e repudiar toda agressão feita aos estudantes na Escola Estadual Senor Abravanel no dia de hoje. O interior das escolas não é espaço para violência policial. Aliás, nenhum lugar do nosso estado devia ser lugar para isso", frisou
Renata Souza, deputada estadual do Rio, destacou o caso como absurdo. "Estou estarrecida com essas imagens. Entrei em contato com a Seeduc e aguardo esclarecimentos. A conduta desse agente é inaceitável e não pode passar impune. Minha solidariedade aos estudantes, à presidente e à toda comunidade escolar", afirmou.
Enquanto Jandira Feghali, deputada federal (PCdoB), trata a situação como inaceitável e revoltante. "Não podemos normalizar a violência do Estado contra quem se organiza, se manifesta e defende direitos - ainda mais dentro de uma escola, que deveria ser espaço de proteção e formação. Lutar por educação, por respeito e por direitos não é crime. Truculência policial é. Isso não ficará impune!".
A deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) protocolou uma notícia de crime junto ao Ministério Público do Estado do Rio de para apurar as agressões. A parlamentar explicou que solicitará a abertura de investigação independente, o afastamento imediato dos policiais envolvidos e a proibição do uso de munição pelos agentes enquanto durarem as apurações.
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