Publicado 30/03/2026 00:00
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, em 2 de abril e instituído pela Organização das Nações Unidas, reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e combater o estigma que ainda cerca pessoas autistas e suas famílias.De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o TEA engloba condições do neurodesenvolvimento caracterizadas por diferentes graus de comprometimento na comunicação, na interação social e no comportamento. Os sinais costumam surgir ainda na infância e acompanham o indivíduo ao longo da vida, com níveis variados de autonomia e necessidade de suporte. fotogaleria
O conceito de espectro reflete justamente essa diversidade. Enquanto algumas pessoas conseguem levar uma rotina independente, outras demandam acompanhamento contínuoe mais cuidados. Também é comum a presença de condições associadas, como ansiedade, depressão, epilepsia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Nos últimos anos, o crescimento no número de diagnósticos tem chamado a atenção em todo o mundo. Segundo o médico Fábio Bolognani, diretor da Sétima Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, esse aumento está ligado tanto à ampliação dos critérios diagnósticos quanto ao maior nível de informação da população e dos profissionais de saúde.
Um dos avanços mais relevantes, segundo ele, é a identificação de casos em meninas — historicamente subdiagnosticadas por apresentarem sinais mais sutis ou diferentes dos observados em meninos. O novo olhar tem contribuído para corrigir essa distorção e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.
Além da evolução nos critérios clínicos, cresce também o interesse científico sobre o impacto de fatores ambientais no desenvolvimento neurológico. Bolognani destaca estudos recentes que investigam alterações na aromatase, enzima essencial para a maturação cerebral e regulação hormonal.
"Há evidências de que essas alterações possam estar associadas à exposição ao Bisfenol A (BPA), substância presente em plásticos como garrafas PET e embalagens de alimentos. Quando aquecidos, esses materiais podem liberar compostos químicos capazes de interferir no organismo, hipótese que ainda está em investigação".
PublicidadeNos últimos anos, o crescimento no número de diagnósticos tem chamado a atenção em todo o mundo. Segundo o médico Fábio Bolognani, diretor da Sétima Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, esse aumento está ligado tanto à ampliação dos critérios diagnósticos quanto ao maior nível de informação da população e dos profissionais de saúde.
Um dos avanços mais relevantes, segundo ele, é a identificação de casos em meninas — historicamente subdiagnosticadas por apresentarem sinais mais sutis ou diferentes dos observados em meninos. O novo olhar tem contribuído para corrigir essa distorção e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.
Além da evolução nos critérios clínicos, cresce também o interesse científico sobre o impacto de fatores ambientais no desenvolvimento neurológico. Bolognani destaca estudos recentes que investigam alterações na aromatase, enzima essencial para a maturação cerebral e regulação hormonal.
"Há evidências de que essas alterações possam estar associadas à exposição ao Bisfenol A (BPA), substância presente em plásticos como garrafas PET e embalagens de alimentos. Quando aquecidos, esses materiais podem liberar compostos químicos capazes de interferir no organismo, hipótese que ainda está em investigação".
Alimentação entra no radar da ciência
Outro ponto que vem ganhando espaço é a relação entre alimentação e comportamento. Pesquisas analisam, por exemplo, o impacto de conservantes presentes em alimentos industrializados, como o propionato, levantando a hipótese de que os efeitos não estejam apenas no glúten, mas também em aditivos químicos.
A psiquiatra Jessica Martani afirma que, embora ainda não exista consenso, a prática clínica já observa sinais importantes. "Alguns pacientes apresentam maior sensibilidade a determinados alimentos ou aditivos, o que pode influenciar comportamento, sono e níveis de irritabilidade. Isso não significa que exista uma dieta única para o autismo, mas reforça a necessidade de uma abordagem individualizada e baseada em evidências", explica.
Esse cenário se conecta a um desafio comum no TEA: a seletividade alimentar. Padrões restritivos podem dificultar a manutenção de uma dieta equilibrada, o que torna indispensável o acompanhamento profissional.
Abordagem multidisciplinar
Segundo Bolognani, o tratamento pode envolver diferentes estratégias, incluindo abordagens complementares. Ele afirma que o uso de medicamentos homeopáticos tem apresentado resultados relevantes em alguns casos, especialmente em pacientes com maior necessidade de suporte, podendo ser associado a tratamentos tradicionais e terapias como psicopedagogia e fonoaudiologia.
A terapeuta transpessoal (atua no corpo e mente) Patrícia Baron reforça a importância de olhar o indivíduo de forma integral. "O acolhimento e o respeito à individualidade são essenciais para promover qualidade de vida", afirma.
A psiquiatra Jessica Martani afirma que, embora ainda não exista consenso, a prática clínica já observa sinais importantes. "Alguns pacientes apresentam maior sensibilidade a determinados alimentos ou aditivos, o que pode influenciar comportamento, sono e níveis de irritabilidade. Isso não significa que exista uma dieta única para o autismo, mas reforça a necessidade de uma abordagem individualizada e baseada em evidências", explica.
Esse cenário se conecta a um desafio comum no TEA: a seletividade alimentar. Padrões restritivos podem dificultar a manutenção de uma dieta equilibrada, o que torna indispensável o acompanhamento profissional.
Abordagem multidisciplinar
Segundo Bolognani, o tratamento pode envolver diferentes estratégias, incluindo abordagens complementares. Ele afirma que o uso de medicamentos homeopáticos tem apresentado resultados relevantes em alguns casos, especialmente em pacientes com maior necessidade de suporte, podendo ser associado a tratamentos tradicionais e terapias como psicopedagogia e fonoaudiologia.
A terapeuta transpessoal (atua no corpo e mente) Patrícia Baron reforça a importância de olhar o indivíduo de forma integral. "O acolhimento e o respeito à individualidade são essenciais para promover qualidade de vida", afirma.
Doutro Fabio diz que m 2014, levantou-se a hipótese de que o propionato de cálcio, conservante presente em produtos à base de farinha de trigo, poderia influenciar o organismo. "Um estudo experimental nos Estados Unidos observou alterações comportamentais em cobaias expostas à substância, sugerindo que o impacto não se restringe ao glúten. A prática clínica também considera diferentes níveis de suscetibilidade e manifestações no desenvolvimento infantil, especialmente na comunicação e interação social", afirmou o médico.
Inclusão começa na educação
No campo educacional, especialistas destacam que a inclusão vai muito além do acesso à escola. Para a professora e CEO do Foco Medicina, Carol Braga, o ensino precisa considerar as particularidades do aluno com TEA.
"O estudante com autismo não tem menor capacidade de aprendizado. Ele apenas processa informações de forma diferente. Quando a instituição entende isso, deixa de tratar igualdade como padronização e passa a trabalhar com equidade, o que impacta diretamente na autonomia e no desempenho", afirma.
Ela ressalta que o cuidado individualizado pode ser decisivo. "Ajustes no ritmo, na forma de explicação e na organização das tarefas reduzem barreiras e permitem que o aluno expresse seu real potencial", explica.
O ambiente também exerce influência direta. "Quando o aluno se sente seguro e compreendido, ele consegue focar no aprendizado em vez de lidar com ansiedade ou frustração", completa.
A psicóloga Alice Araújo reforça que adaptar o contexto educacional é essencial para o desenvolvimento. "Alunos com TEA têm formas específicas de processamento cognitivo e emocional. Quando o ambiente se ajusta, ele reduz barreiras e aumenta a percepção de capacidade", afirma.
Segundo ela, o impacto vai além do desempenho acadêmico. "O cuidado individualizado permite identificar gatilhos de ansiedade e estruturar estratégias que favorecem foco, organização e regulação emocional", diz.
O acolhimento emocional também é determinante. "Quando o aluno se sente validado, diminui respostas de medo e frustração, aumentando o engajamento e a autonomia”, explica. A especialista alerta ainda para os riscos da falta de adaptação. "Experiências repetidas de fracasso afetam a autoestima e podem levar à desmotivação e até à evasão escolar", afirma.
Ela também chama atenção para o excesso de estímulos. "A sobrecarga sensorial pode gerar irritabilidade e prejudicar a concentração, enquanto a pressão excessiva aumenta a ansiedade e impacta funções cognitivas importantes", completa.
Um desafio multifatorial
Apesar dos avanços, especialistas são unânimes ao afirmar que o autismo não possui uma causa única. Trata-se de uma condição multifatorial, que envolve fatores genéticos, biológicos e ambientais. Diante desse cenário, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância da informação de qualidade, do diagnóstico precoce e da construção de ambientes mais inclusivos.
Ao ampliar o debate sobre alimentação, fatores ambientais e mudanças no perfil dos diagnósticos, a data deixa um recado claro: compreender o autismo é essencial para promover uma sociedade mais justa, informada e preparada para acolher a diversidade.
No campo educacional, especialistas destacam que a inclusão vai muito além do acesso à escola. Para a professora e CEO do Foco Medicina, Carol Braga, o ensino precisa considerar as particularidades do aluno com TEA.
"O estudante com autismo não tem menor capacidade de aprendizado. Ele apenas processa informações de forma diferente. Quando a instituição entende isso, deixa de tratar igualdade como padronização e passa a trabalhar com equidade, o que impacta diretamente na autonomia e no desempenho", afirma.
Ela ressalta que o cuidado individualizado pode ser decisivo. "Ajustes no ritmo, na forma de explicação e na organização das tarefas reduzem barreiras e permitem que o aluno expresse seu real potencial", explica.
O ambiente também exerce influência direta. "Quando o aluno se sente seguro e compreendido, ele consegue focar no aprendizado em vez de lidar com ansiedade ou frustração", completa.
A psicóloga Alice Araújo reforça que adaptar o contexto educacional é essencial para o desenvolvimento. "Alunos com TEA têm formas específicas de processamento cognitivo e emocional. Quando o ambiente se ajusta, ele reduz barreiras e aumenta a percepção de capacidade", afirma.
Segundo ela, o impacto vai além do desempenho acadêmico. "O cuidado individualizado permite identificar gatilhos de ansiedade e estruturar estratégias que favorecem foco, organização e regulação emocional", diz.
O acolhimento emocional também é determinante. "Quando o aluno se sente validado, diminui respostas de medo e frustração, aumentando o engajamento e a autonomia”, explica. A especialista alerta ainda para os riscos da falta de adaptação. "Experiências repetidas de fracasso afetam a autoestima e podem levar à desmotivação e até à evasão escolar", afirma.
Ela também chama atenção para o excesso de estímulos. "A sobrecarga sensorial pode gerar irritabilidade e prejudicar a concentração, enquanto a pressão excessiva aumenta a ansiedade e impacta funções cognitivas importantes", completa.
Um desafio multifatorial
Apesar dos avanços, especialistas são unânimes ao afirmar que o autismo não possui uma causa única. Trata-se de uma condição multifatorial, que envolve fatores genéticos, biológicos e ambientais. Diante desse cenário, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância da informação de qualidade, do diagnóstico precoce e da construção de ambientes mais inclusivos.
Ao ampliar o debate sobre alimentação, fatores ambientais e mudanças no perfil dos diagnósticos, a data deixa um recado claro: compreender o autismo é essencial para promover uma sociedade mais justa, informada e preparada para acolher a diversidade.
Homeopatia como tratamento complementar
A Sétima Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia, além dos serviços de homeopatia e acupuntura, mantém o Ambulatório de Doenças Neurológicas e do Desenvolvimento. De acordo com a médica Georgia Fonseca - a primeira médica homeopata com especialização Cease feita em na London University para tratamento do autismo no Brasil - o serviço já atendeu mais de 5 mil pessoas, encaminhadas por instituições de reabilitação de todo o estado e da região metropolitana.
A iniciativa mantém parcerias com órgãos e instituições como o Ministério da Saúde, o Hospital da Lagoa, a ABBR e a ACADIN, além de entidades de outros estados. O trabalho em rede fortalece o encaminhamento e o acompanhamento contínuo dos pacientes, que apresentam quadros como distrofias musculares, paralisia cerebral, lesões raquimedulares, doença de Parkinson, TDAH e autismo.
Desde 1996, o ambulatório desenvolve pesquisas básicas e clínicas, com mais de 800 casos estudados. Os resultados vêm sendo apresentados em congressos nacionais e internacionais, contribuindo para o debate científico sobre abordagens integrativas no tratamento dessas condições. Atualmente, a equipe também participa de um estudo internacional em conjunto com países europeus, investigando o uso de medicamentos homeopáticos em diferentes áreas, incluindo a oncologia.
No campo do autismo, as pesquisas são realizadas desde 2003. Um dos marcos foi a publicação no International Journal of High Dilution Research, que analisou os efeitos da homeopatia no desempenho cognitivo e motor de crianças autistas. Segundo Georgia Fonseca, os acompanhamentos mais recentes indicam avanços significativos em aspectos como cognição, comportamento e interação sociofamiliar após períodos de tratamento monitorado.
A abordagem adotada combina medicamentos homeopáticos - muitos deles importados da França e da Inglaterra - com princípios da chamada Homeopatia Cease, método que considera o organismo de forma integral. A proposta é investigar fatores desencadeantes que possam ter influenciado o desenvolvimento da condição, desde aspectos pré-gestacionais até eventos da primeira infância.
"A homeopatia é mais uma ferramenta para auxílio do paciente. Não se levanta a bandeira da cura dos pacientes com autismo. O Cease é um método de tratamento homeopático estabelecido em cima de fundamentos bem definidos", ressalta, acrescentando que o objetivo é restabelecer a saúde como um todo, com apoio ao sistema imune e gastrointestinal e melhora das condições alérgicas.
Saiba mais sobre Terapia Cease
É um método de tratamento homeopático bem estabelecido, em cima de fundamentos bem definidos, desenvolvido pelo Dr Tinus Smits, que abriu novos horizontes não só para o tratamento do autismo como para o reconhecimento da medicina homeopática como fator adjuvante importantíssimo no tratamento do Autismo.
A base deste tratamento é a Isoterapia. " Com este método fazemos a desintoxicação dos fatores causais e predisponentes para uma patologia. No caso do autismo buscamos estes fatores desencadeantes nas vacinas, nos produtos tóxicos ou medicamentos que a criança entrou em contato antes de desenvolver os sintomas do autismo, ou nos agentes causais que afetaram a saúde dos pais antes ou durante a gestação desta criança".
De acordo com Georgia, os próprios criadores do método reforçam que, para que o MÉTODO seja aplicado corretamente, ele deve estar baseado em três pontos indispensáveis:
1) Uso de medicamentos ortomoleculares primeiro para regulação e equilíbrio do organismo da criança antes de começar o detox
2) Uso da medicina homeopática tradicional com aplicação do remédio de fundo correto para aquela criança e de todos os medicamentos homeopáticos que possam ajudar a equilibrar este organismo.
3) O uso da isoterapia. Aonde faremos a desintoxicação dos fatores causais. Um por vez. Para livrarmos a criança da marca energética negativa que desencadeou o quadro a que se chama Autismo. Este tratamento é minuncioso e prolongado. Deve ser feito com cuidado e por profissional que saiba muito bem as Matéria Médicas Homeopáticas ( Em homeopatia existem mais de 2000 remédios e cada um deles apresenta um quadro mental diferente) .
Segundo Georgia, o profissional deve estar atento às reações que possam aparecer e estar bem treinado em Clínica Infantil para que não confunda reações à medicamentos com as doenças comuns infantis e saiba conduzi-las com racionalidade e o cuidado imediato que necessitem.
Acupuntura sem agulhas
Na busca por tratamentos mais acolhedores e menos invasivos, a acupuntura adaptada para crianças autistas tem se destacado como uma alternativa eficaz. Na mesma enfermaria, o médico acupunturista Francisco Villela aposta em uma abordagem que respeita os limites do corpo infantil e prioriza o conforto durante o atendimento.
De acordo com Vilella, a proposta da medicina tradicional chinesa aplicada às crianças segue um princípio fundamental: ser o menos invasiva possível. Em vez do uso de agulhas - tradicionalmente associadas à acupuntura -, o método adotado consiste na estimulação de pontos específicos do corpo por meio de técnicas suaves, utilizando o próprio contato corporal.
De acordo com Vilella, a proposta da medicina tradicional chinesa aplicada às crianças segue um princípio fundamental: ser o menos invasiva possível. Em vez do uso de agulhas - tradicionalmente associadas à acupuntura -, o método adotado consiste na estimulação de pontos específicos do corpo por meio de técnicas suaves, utilizando o próprio contato corporal.
"A ideia é promover o equilíbrio energético estimulando pontos estratégicos, sem causar desconforto", explica Francisco Villela. Segundo ele, durante o atendimento, os estímulos são aplicados até o momento em que o organismo da criança apresenta resposta, ponto em que a técnica é interrompida e direcionada para outra área do corpo.
Essa adaptação torna o tratamento mais acessível e bem aceito pelo público infantil. Ainda segundo Vilella, a ausência de agulhas contribui para uma maior adesão, reduzindo medos e resistências comuns nessa faixa etária.
Essa adaptação torna o tratamento mais acessível e bem aceito pelo público infantil. Ainda segundo Vilella, a ausência de agulhas contribui para uma maior adesão, reduzindo medos e resistências comuns nessa faixa etária.
Os resultados, afirma, têm sido bastante positivos. "As crianças toleram muito bem e saem bastante beneficiadas", destaca. A prática integra um conjunto de terapias voltadas ao cuidado integral oferecido pela instituição, como Barras de Acess, técnica usada para harmonizar o fluxo energético do corpo e mente.
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