Crianças aprendem por meio do livro escrito por YagoDivulgação
Publicado 13/04/2026 00:00
"Ler é viajar sem sair do lugar", ''Quem lê sabe mais'', "a leitura te leva a lugares inimagináveis". Essas e outras citações atribuídas a diversos autores brasileiros falam da importância de leitura, principalmente quando se começa este hábito bem cedo. O Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, homenageia o legado do escritor Monteiro Lobato (nascido neste dia em 1882) e é uma forma de mostrar o quanto a leitura é importante na primeira infância e em todo o decorrer da vida.O historiador Yago Eloy do Nascimento acaba de lançar seu primeiro livro infantil 'Por Onde Anda Meu Pai' e a escritora Ayala Rossana, autora de Macartelo, o Macaquinho sem rabo e amarelo, e Ela, Só queria Voar, falam de como o hábito de ler na infância pode transformar vidas.
Publicidade
Para Yago , o diploma de Licenciatura em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), conquistado no Polo Piraí do Consórcio Cederj, foi muito mais que um certificado: foi a chave que abriu as portas do mestrado no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), do doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e de uma carreira literária focada no afeto e no letramento racial.
A jornada de Yago é marcada pela resiliência típica dos alunos da modalidade semipresencial. Durante cinco anos e meio, entre 2011 e 2016.2, ele conciliou a rotina com o sonho de estudar em uma universidade pública. "Sou o primeiro da minha família a ocupar esse lugar. O estudo devolve. Sempre devolve", afirma ele, que recorda com carinho o suporte do coordenador do polo, Sr. Benedito, e de professores marcantes, como Renata Saavedra, que o acompanhou desde a matrícula até o lançamento de seus trabalhos autorais.
Diferente do que o senso comum pode sugerir, a educação a distância no Cederj, que está com as inscrições abertas para o vestibular 2026/2, prepara o aluno para os desafios mais rigorosos da academia presencial. Yago destaca que disciplinas como História da África e Tópicos em História da Escravidão foram o alicerce para sua trajetória na pós-graduação e sua atuação como gestor cultural em Itaguaí.
"Saímos  com uma formação voltada para a atuação na escola brasileira, entendendo que existem diversas pedagogias possíveis, que nos permitem ir além de um método de ensino tradicional", explica o agora doutorando em Educação pela UERJ.
Para Yago a leitura na infância é fundamental. "Esse é um momento muito importante na formação humana e no desenvolvimento do senso crítico. A leitura pode ser uma poderosa ferramenta de estímulo ao pensamento, à construção de sentidos, à ludicidade, à criatividade, ao vocabulário, à fantasia e à interpretação. É essencial que, nessa fase da vida, crianças e adolescentes sejam apresentados às mais variadas literaturas: do clássico ao popular, do erudito ao marginal. Ter um amplo repertório de leitura é importantíssimo para que, na vida adulta, consigamos compreender a pluralidade e a diversidade do mundo", pontua.
Outra perspectiva: o homem como responsável pelo cuidado
Incomodado com a falta de representatividade, onde, até 2021, menos de 4% dos livros infantis colocavam o homem negro como figura central de cuidado, Yago decidiu agir. Unindo sua pesquisa de mestrado em Relações Étnico-Raciais no Cefet/RJ ao seu lado artístico, ele lançou sua primeira obra voltada para o público infantil, 'Por onde anda meu pai'.  Atualmente, como servidor da Secretaria de Cultura de Itaguaí, ele utiliza o livro e sua formação para promover debates que rompam as barreiras do racismo estrutural.
"Minha perspectiva é centralizar as narrativas de homens negros, representando-os com afeto, fugindo dos estigmas historicamente associados a esse grupo", pontua o escritor, que já trabalha em seu segundo livro.
Yago afirma que escrever para crianças foi uma das melhores experiências de sua vida. "Nunca me imaginei como escritor, sobretudo para as infâncias. Hoje entendo que escrever histórias infantis, colocando o protagonismo negro no centro, é fundamental para conectar crianças com a negritude enquanto potência — chegando antes do racismo", diz ele, acrescentando que literaturas assim podem ser decisivas para fortalecer a autoestima e, consequentemente, melhorar o desempenho escolar.
"Eu gostaria muito de ter tido acesso a esse tipo de leitura na minha infância e durante minha formação escolar. As referências eram poucas, quase inexistentes. Hoje esse cenário vem mudando, e acredito que posso contribuir para essa transformação, atuando na base, que é onde tudo começa: na infância. Estou preparando meu segundo livro infantil. Muito em breve vem uma nova história. Depois que a gente publica, não dá mais para parar, né?", afirma.
Para o professor e escritor a leitura abre, de fato, portas para o mundo. "Eu sou quem sou hoje graças à música e à literatura. Adorava ler letras de músicas nos encartes de CD e tentar entender o que aquelas poesias queriam dizer. Aquela frase do Mário Quintana é muito verdadeira: Ler é viajar sem sair do lugar; E, toda vez que leio, volto no tempo e crio meus próprios cenários. Do ponto de vista profissional, a leitura contribui muito para a comunicação, a fluidez da oralidade e a oratória. Ou seja, ela também é uma ferramenta importante na formação para o mundo do trabalho.
Combate ao silenciamento
Para a escritora e produtora Ayala Rossana, a literatura é o antídoto para o "mundo louco" que as crianças herdam. Em seu livro, Macartelo, o macaquinho sem rabo e amarelo, ela toca em temas como bullying, muito em voga nos dias atuais, ou seja, além de as crianças crescerem para se tornarem cidadãos melhores, a leitura também serve para que questões boas e ruins da nossa sociedade seja debatida.
"A infância é um lugar sensível. O bullying provoca depressão e afastamento", alerta a autora. Seu trabalho foca na identificação: ao ler sobre um personagem "diferente", a criança se enxerga e se valida. Seu novo projeto, Ela só queria voar, avança para temas ainda mais densos, usando a metáfora de uma borboleta com asas podadas para falar sobre o direito à liberdade e o enfrentamento à violência contra a mulher. "Só vamos construir um país melhor se focarmos nas crianças; o futuro vem da nossa infância", pontua.
Rossana acredita que a leitura trabalha a ludicidade, a imaginação, o lugar de ler, ir para um universo diferenciado. "A criança imagina aquelas personagens, se coloca naquele lugar. E isso é muito especial pois quando você é criança você se constrói imaginando, sonhando e isso para o futuro vai se tornar um adolescente criativo, que gosta de escrever, de ver filmes, de ler livros, gosta de arte, que busca o conhecimento", diz ela, acrescentando que quando a criança vira adolescente irá ler outras histórias romance, ação, ficção. "Isso tudo faz abertura de paralelo para você aprender a ler para sua escola, para ter uma boa comunicação para o seu grupo, uma boa escrita para a redaçao do Enen e para se tornar um ser pensante'', finaliza a profissional.
Saiba mais
O Dia Nacional do Livro Infantil foi criado pela Lei no 10.402, de 8 de janeiro de 2002: “Art. 1o Fica instituído o Dia Nacional do Livro Infantil, a ser comemorado, anualmente, no dia 18 de abril, data natalícia do escritor Monteiro Lobato”. Portanto, a data foi escolhida para homenagear o escritor Monteiro Lobato, considerado o pioneiro, o pai da literatura infantil brasileira. Além dos livros de Monteiro Lobato como o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que virou um seriado,  o público infanto-juvenil conta com outras grandes obras nacionais e internacionais como O meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos; Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll; As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi; O mágico de Oz, de L. Frank Baum; e Viagem ao centro da Terra, de Júlio Verne, entre outros.

Leia mais