Publicado 13/04/2026 10:46
Segunda-feira pode até ser considerado o dia da preguiça, mas nesta em especial, 13 de abril, tem algo muito mais gostoso. Trata-se do Dia do Beijo, comemorado no Brasil, e em muitos outros lugares. A data é um convite para demonstrar carinho, amor, fortalecer laços afetivos, e é claro, beijar muito. Afinal, quem não gosta de dar uns beijinhos por aí? Ou beijar o seu par, com quem pode estar há muitos anos. fotogaleria
Reza a lenda que, em 13 de abril de 1882, um jovem italiano chamado Enrico Porchelo beijava todas as mulheres da vila. Em 1882, um padre local, incomodado com a fama do rapaz, ofereceu um prêmio para a primeira mulher que não tivesse beijado Porchelo. Como ninguém apareceu, acredita-se que o tesouro continua escondido em algum lugar da Itália até hoje.
PublicidadeSaiba dos benefícios
Do ponto de vista psicólogico, o beijo traz vários benefícios como explicam a psicóloga Sarah Karounis e o psicólogo Miguel Bunge. Em entrevista ao jornal O DIA, eles falam sobre o beijo, também conhecido como ósculo.
O DIA: O que acontece no cérebro e no corpo durante um beijo e por que essa experiência costuma ser tão marcante do ponto de vista emocional?
O DIA: O que acontece no cérebro e no corpo durante um beijo e por que essa experiência costuma ser tão marcante do ponto de vista emocional?
Sarah Karounis: Durante um beijo, o cérebro libera substâncias que dão prazer e sensação de bem-estar, como a dopamina e a oxitocina. Ao mesmo tempo, o corpo reage com o coração acelerado, mais sensibilidade e uma sensação de 'frio na barriga'. Tudo isso acontece porque o beijo ativa áreas ligadas ao prazer e à conexão emocional. Ele costuma ser marcante porque não é só físico. O beijo carrega sentimentos, expectativas e significado. Pode representar carinho, desejo e intimidade, por isso acaba ficando na memória de forma especial.
Miguel Bunge: Durante o beijo, há uma ativação intensa de áreas do cérebro ligadas ao prazer, à recompensa e ao vínculo afetivo, com liberação de substâncias como dopamina, ocitocina e serotonina. Esse conjunto de reações químicas está associado à sensação de bem-estar, conexão e satisfação, o que torna o momento marcante emocionalmente e contribui para a criação de memórias afetivas positivas.
O DIA: De que forma o beijo pode influenciar o vínculo afetivo entre duas pessoas, especialmente no início de um relacionamento?
Sarah Karounis: O beijo ajuda muito a criar conexão entre duas pessoas, principalmente no começo de um relacionamento. Ele funciona como uma forma de mostrar interesse, carinho e atração, mesmo sem palavras. Além disso, o contato físico aproxima e aumenta a sensação de confiança e conforto. Isso faz com que as pessoas se sintam mais conectadas e abertas uma com a outra.
Miguel Bunge: O beijo pode fortalecer o vínculo afetivo ao estimular sentimentos de proximidade, confiança e intimidade entre as pessoas. No início de um relacionamento, ele funciona como uma forma de comunicação não verbal que ajuda a perceber afinidade, interesse e compatibilidade emocional, influenciando a construção do laço entre o casal.
O DIA: É possível que a falta de conexão em um beijo impacte a continuidade de um relacionamento? Como a psicologia explica isso?
Sarah Karounis: Sim, a falta de conexão em um beijo pode influenciar se o relacionamento vai continuar ou não. Muitas vezes, o beijo mostra se existe 'química' entre as pessoas. Quando não encaixa ou não é agradável, pode gerar dúvida ou afastamento.
Miguel Bunge: A falta de conexão em um beijo pode, sim, impactar a continuidade de um relacionamento, especialmente nas fases iniciais. A psicologia entende que esse momento envolve expectativas, percepção de sintonia e troca emocional, e quando há frustração, pode surgir a sensação de incompatibilidade, o que influencia a decisão de seguir ou não com o vínculo.
O DIA: Quais sensações e emoções mais comuns estão associadas ao beijo e por que elas variam de pessoa para pessoa?
Sarah Karounis: As sensações mais comuns em um beijo são prazer, alegria, excitação, carinho e até nervosismo, principalmente no primeiro beijo. Tudo depende do momento e da pessoa com quem se está. Essas sensações variam porque cada pessoa tem sua história, suas experiências e seu jeito de lidar com sentimentos. O que é bom para um pode não ser para outro.
Miguel Bunge: As sensações e emoções associadas ao beijo incluem prazer, excitação, acolhimento, segurança e até ansiedade, dependendo do contexto. Essas reações variam de pessoa para pessoa porque estão ligadas à história de vida, experiências anteriores, crenças, nível de intimidade e até ao estado emocional no momento da interação.
O DIA: O beijo pode ter efeitos positivos na saúde emocional e no bem-estar? Em quais situações ele pode gerar desconforto ou ansiedade?
Sarah Karounis: Sim, o beijo pode fazer bem para a saúde emocional. Ele pode diminuir o estresse, aumentar a felicidade e fortalecer a conexão com alguém, trazendo uma sensação de segurança e bem-estar. Mas também pode causar desconforto ou ansiedade se a pessoa não se sentir à vontade, segura ou realmente interessada. Por isso, o mais importante é que o beijo aconteça com vontade e respeito dos dois lados.
Miguel Bunge: O beijo pode contribuir para a saúde emocional ao promover relaxamento, reduzir o estresse e aumentar a sensação de conexão com o outro. No entanto, em situações de insegurança, pressão ou desconforto com a outra pessoa, ele pode gerar ansiedade ou tensão, mostrando que o contexto e o consentimento são fundamentais para que a experiência seja positiva.
Mau hálito pode virar um vilão
Normalmente beijar na boca é bom demais, mas ele também pode virar um suplício se o seu par estiver com a saúde bucal comprometida. Um fator simples pode interferir diretamente nessa experiência, o mau hálito, é capaz de causar desconforto e insegurança mesmo em situações de intimidade.
Normalmente beijar na boca é bom demais, mas ele também pode virar um suplício se o seu par estiver com a saúde bucal comprometida. Um fator simples pode interferir diretamente nessa experiência, o mau hálito, é capaz de causar desconforto e insegurança mesmo em situações de intimidade.
Segundo a cirurgiã-dentista Bruna Conde, membro da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), o mau hálito exige atenção e cuidado contínuo. "Na maioria dos casos, o mau hálito tem origem na própria boca, principalmente pelo acúmulo de bactérias na língua e entre os dentes. Com uma rotina adequada de higiene, é possível controlar o problema e evitar situações constrangedoras", explica.
Além do desconforto, o beijo também pode facilitar a transmissão de algumas doenças. "Entre as mais conhecidas estão a mononucleose, chamada popularmente de doença do beijoa , herpes labial e, em casos específicos, a sífilis, especialmente quando há lesões na boca. Outras condições, como candidíase oral e gengivite, também podem ser compartilhadas pela troca de saliva", afirma.
A especialista reforça que a saúde da boca vai além dos dentes, como língua, saliva e garganta. "Visitas regulares a um dentista especializado são fundamentais para garantir um beijo saudável". orienta Bruna Conde.
Mudanças na rotina
Para aproveitar a data sem preocupações, vale observar sinais como gengivas inflamadas, feridas ou gosto ruim persistente na boca. Pequenas mudanças na rotina de higiene e atenção aos sintomas ajudam a evitar tanto o mau hálito quanto problemas mais sérios, garantindo que o beijo continue sendo sinônimo de prazer e bem-estar.
Da mesma opinião compartilha o dentista Flávio Pinheiro. "O beijo é um gesto de carinho, conexão e afeto — e para que esse momento seja leve e agradável, a higiene bucal é fundamental. Cuidar da boca vai muito além da estética: é saúde. Uma boa escovação, uso diário do fio dental e visitas regulares ao dentista ajudam a prevenir cáries, gengivite, mau hálito e outras doenças que podem afetar não só o sorriso, mas o bem-estar como um todo", finaliza.
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