Saúde do Rio ganha destaque nacional com prêmio por monitoramento epidemiológicoDivulgação
Publicado 17/04/2026 17:35
Rio - A cidade do Rio de Janeiro é referência nacional em vigilância em saúde. O reconhecimento veio após a Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio) receber um prêmio na 18ª ExpoEpi (Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças) pela atuação estratégica no monitoramento de riscos e na proteção da população por meio do Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE).
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Inaugurado em março de 2022, o CIE reúne dados da área da saúde em painéis interativos e públicos na plataforma EpiRio, integrando diferentes fontes para monitorar o perfil de doenças e agravos na cidade. O centro também atua em parceria com o Centro de Operações Rio (COR), acompanhando e divulgando, por exemplo, os níveis de calor.
O ex-secretário municipal de Saúde e deputado federal, Daniel Soranz, atualmente afastado do cargo para disputar a reeleição como deputado federal, fez questão de ir a Brasília receber o reconhecimento, já que o CIE foi desenvolvido durante sua gestão à frente da pasta.
Em entrevista ao DIA, Soranz repercutiu positivamente esse reconhecimento e frisou que o sistema foi pioneiro na América Latina, além de investir em tecnologia e análise de dados.
"O CIE agrega todas as informações de saúde: prontuários eletrônicos, dados de mortalidade e de nascidos vivos. O sistema também acompanha, em tempo real, quantas pessoas procuraram uma unidade de saúde com determinados sintomas, como tosse, por exemplo, ou se há aumento de casos de monkeypox. Ou seja, ele consegue antecipar os principais problemas de saúde. Fomos a primeira cidade do Brasil a ter todos os sistemas integrados entre si, reunindo todas as informações em um único centro. Por isso, fomos premiados no principal evento de epidemiologia do país", destaca Soranz. 
O ex-secretário explica que o sistema tem se tornado cada vez mais robusto ao longo desses quatro anos em atividade: "O sistema também monitora todos os casos de HIV na cidade. Hoje, são cerca de 45 mil pessoas acompanhadas, sendo que 94% já apresentam carga viral indetectável. A partir dessas informações, conseguimos identificar falhas no tratamento e atuar de forma mais direcionada. O CIE também permite verificar quais crianças ainda não foram vacinadas, possibilitando o envio de agentes comunitários de saúde para reforçar a imunização".
Soranz encara o prêmio como a materialização da gestão do ex-prefeito Eduardo Paes. "Esse reconhecimento representa um dos principais símbolos da gestão do prefeito Eduardo Paes na área da saúde, tendo como base o uso de evidências científicas para a tomada de decisões. Nenhuma medida foi adotada sem análise de dados. Trata-se de um projeto construído de forma coletiva, com o envolvimento de uma ampla equipe e de diversos parceiros", disse.
O atual secretário, Rodrigo de Sousa Prado, que está como interino desde 31 de março, também acompanhou de perto a evolução do CIE, tendo assumido a função em períodos anteriores ao afastamento de Soranz. Ele ressalta a importância do sistema para o planejamento de políticas públicas de saúde. 
"O trabalho desenvolvido por ele já nos permitiu, por exemplo, prever que haveria uma epidemia de dengue no país e, com isso, nos antecipamos em preparar a rede municipal para enfrentar essa situação. Além disso, o desenvolvimento do Geovacina possibilitou a recuperação das coberturas vacinais da cidade. Outro exemplo importante foi o desenvolvimento do painel de calor para o protocolo de calor", disse o secretário.
A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, Gislani Mateus, destaca o caráter pioneiro do CIE e seu impacto na gestão da saúde pública da cidade. "Ficamos muito felizes com o reconhecimento nacional. Em quatro anos, o CIE não só se fortaleceu como também passou a inspirar outras iniciativas no Brasil voltadas à criação de centros de inteligência em saúde. Trata-se de uma iniciativa de inovação que tem sido fundamental para o desenvolvimento de uma cidade mais segura e resiliente, ao captar e analisar dados com base em evidências. Isso nos permite agir com mais precisão e garantir uma resposta mais eficiente à população", destaca a superintendente.
18ª ExpoEpi
Organizada pelo Ministério da Saúde, a ExpoEpi é considerada um dos principais espaços de troca de experiências em epidemiologia, prevenção e controle de doenças no país. O evento aconteceu durante toda essa semana, em Brasília.
Com o tema 'Saúde e Mudanças Climáticas', o evento reforçou a importância de respostas inovadoras, integradas e baseadas em evidências diante dos desafios que impactam diretamente a saúde da população.
"Diante dos desafios contemporâneos impostos pelas transformações ambientais, a 18ª ExpoEpi propõe uma reflexão qualificada sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde pública e sobre a necessidade de respostas integradas, inovadoras e baseadas em evidências para a proteção das populações e de seus territórios", afirmou a presidente da ExpoEpi e Secretária Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.
Durante a programação, foram apresentadas e discutidas pesquisas recentes, estratégias de prevenção e controle de doenças, além de experiências bem-sucedidas no enfrentamento de problemas epidemiológicos.
 
 
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