Grupo de cerca de 40 baloeiros invadiu uma casa de festas, em Marechal HermesReprodução / Redes Sociais
Publicado 20/04/2026 14:52 | Atualizado 20/04/2026 16:11
Rio - Uma casa de festas em Marechal Hermes, na Zona Norte, foi invadida por cerca de 40 homens que estavam atrás de um balão, na manhã deste domingo (19). O caso aconteceu na Rua Oliveira Junqueira e foi gravado pelo dono do espaço e moradores da região.
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Veja o vídeo:
Ao DIA, Wander Dutra, responsável pelo estabelecimento, disse que acordou com o barulho por volta das 7h20. Ele, que mora ao lado do salão de festas, disse que quando foi até à janela, se deparou com o balão, de cerca de 10 metros de altura, caindo no espaço e os homens invadindo o local.

“Foi algo terrível, desesperador, porque o que passava na minha cabeça o tempo todo era se de alguma forma eles imaginassem que por dentro da minha residência eles pudessem chegar lá no terceiro andar, que é o que eles estavam fazendo, subindo nos telhados”, relatou.

De acordo com Wander, alguns homens pularam o muro para acessar o local. Depois, o portão do local foi arrombado. Foi neste momento que o grupo entrou no salão de festas. Em seguida, o empresário contou que foi até a parte externa e chegou a conseguir segurar um dos homens, mas foi orientado por vizinhos a soltá-lo, já que o grupo estaria armado.

“Quando eu segurei para tentar responsabilizá-lo, um amigo meu, vizinho, falou: ‘Solta, porque eles estão armados, inclusive tem um fuzil dentro do carro’. Eu não vi o armamento, mas cinco vizinhos falaram a mesma coisa, então eu acredito que sim, eles poderiam estar armados. Do lado de fora tinha mais uns 60 homens. Pode-se somar uns 100 homens no total”, disse.

Com medo, Wander retornou para dentro de casa para proteger a mulher e o filho, de 8 anos, caso alguém entrasse na residência. “A sensação foi de pânico, foi de realmente se guardar. Tranquei a porta, peguei uma faca e fiquei dentro de casa achando que eles iriam entrar a qualquer momento. A feição de cada um deles era como se fosse de dependentes químicos, o rosto de vandalismo, de raiva, de ira”, afirmou.

Segundo o empresário, toda a ação durou cerca de 20 minutos. “A parte da retirada do balão foi muito rápida. Quando eles subiram no telhado, pegaram a bandeira, que era gigante, e guiaram o balão para dentro do salão, para pegar ele íntegro. Muito rápido, eles dobraram o balão e colocaram dentro de um carro”, narrou.

Wander contou que ficou com um prejuízo de cerca de R$ 8 mil. De acordo com ele, os maiores danos ficaram nos telhados, que foram quebrados com o peso dos homens.

Ainda de acordo com o empresário, uma parte do balão chegou a pegar fogo e derreter parte do telhado, que felizmente era antichamas. “Teve uma bucha, em torno de 50 centímetros, que caiu em cima de um dos telhados de polipropileno que eu tenho. Como é plástico, derrete, mas graças a Deus é antichama. Ele derreteu, caiu no chão e eu esperei eles saírem para apagar”, disse.

Após a invasão, Wander registrou a ocorrência na delegacia. A Polícia Civil informou que a 30ª DP (Marechal Hermes) investiga o caso. Agentes analisam imagens das câmeras de segurança e fazem investigações para identificar os envolvidos.
Indignado com o que aconteceu, o empresário resolveu compartilhar o caso e vídeos nas redes sociais. Após o caso viralizar, Wagner afirmou estar recebendo ameaças de números anônimos.

“Eu cheguei a pegar os prints do rosto de cada um, inclusive alguns que tinham passagens pela polícia. Já estou sofrendo ameaças. Ligam de um número restrito e começam a falar com a voz bicho. Uma voz grossa, dizendo para apagar o vídeo, senão vai me pegar, vai entrar de novo, essas coisas assim”, relatou.

Segundo Wander, esta é a primeira vez que uma invasão desse tipo acontece. “O salão de festas funciona há 28 anos e a gente nunca teve um episódio desses, foi a primeira vez. Agora é tentar fazer o máximo de denúncia possível para guardar nossas vidas, caso venha a acontecer alguma coisa. Eu tenho um filho pequeno de 8 anos e minha mulher está desesperada. Acredito que quando se expõe, além de ajudar outras pessoas, é uma forma de dar um basta dessas situações, porque se ninguém botar a cara, isso não acaba nunca”, afirmou.
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