Publicado 05/05/2026 09:24 | Atualizado 05/05/2026 12:05
Rio - O deputado estadual Thiago Rangel (Avante), de 39 anos, foi preso, nesta terça-feira (5), durante uma operação da Polícia Federal, que investiga fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc).
PublicidadePela quarta fase da Operação Unha e Carne, policiais federais buscam cumprir sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão no Rio; em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense; e em Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, as apurações revelaram um possível esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas ao grupo investigado.
Além do crime de organização criminosa, os suspeitos poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Ainda há a possibilidade de outros delitos surgirem no decorrer da investigação.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa assegurar a atuação uniforme e coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão aos principais grupos criminosos no Estado do Rio de Janeiro, com foco primário na asfixia financeira e na ruptura de suas conexões com agentes públicos.
Segundo a PF, as apurações revelaram um possível esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas ao grupo investigado.
Além do crime de organização criminosa, os suspeitos poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Ainda há a possibilidade de outros delitos surgirem no decorrer da investigação.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa assegurar a atuação uniforme e coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão aos principais grupos criminosos no Estado do Rio de Janeiro, com foco primário na asfixia financeira e na ruptura de suas conexões com agentes públicos.
Procurada, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) informou que está à disposição das instituições no que for necessário para colaborar no esclarecimento dos fatos. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes.
Já a Seeduc informou que realiza uma revisão administrativa de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual.
Entre as medidas adotadas está a definição de um teto de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. A resolução é baseada nas diretrizes da Lei de Licitações 14.133.
Entre as medidas adotadas está a definição de um teto de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. A resolução é baseada nas diretrizes da Lei de Licitações 14.133.
Segundo a pasta, quaisquer obras que ultrapassem esse limite passam a ser tratadas como intervenções de maior porte e passarão a ser executadas pela Empresa de Obras Públicas (Emop).
A Secretaria destacou que segue colaborando com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas do Estado e com os demais órgãos de controle.
A Secretaria destacou que segue colaborando com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas do Estado e com os demais órgãos de controle.
Em nota nas redes sociais, a defesa de Thiago disse que recebeu com surpresa a operação desta terça e que está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas determinadas.
"O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida", diz o texto.
Outra ação contra fraude
Em outubro de 2024, o deputado foi alvo de uma outra ação da PF contra fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. Na época, a Operação Postos de Midas contou com mais de 60 agentes cumprindo 14 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais, comerciais e em quatro prédios públicos no Rio, em Campos dos Goytacazes, além de cidades nas Regiões Metropolitana e dos Lagos. Os agentes apreenderam R$ 165 mil em dinheiro, um veículo de luxo blindado avaliado em cerca de R$ 350 mil, celulares, computadores, mídias de armazenamento e documentos.
As investigações apontaram que quando concorreu como vereador em Campos, Thiago declarou patrimônio de R$ 224 mil, composto por dois veículos, participação no valor de R$ 60 mil em um posto de gasolina e um jet ski. Já em 2022, ao disputar as eleições para deputado estadual, tinha mais de R$ 1,9 milhão.
As apurações revelaram contratações diretas, com dispensa fraudulenta de licitação, de empresas ligadas ao deputado ou "emprestadas" a ele. Por meio desse esquema, a PF informou que ocorria sobrepreço e desvio de recursos públicos, que eram lavados através de uma rede de postos de combustíveis.
O nome da operação foi uma analogia ao Rei Midas da Frigia que, segundo a mitologia, adquiriu o poder de transformar em ouro tudo que tocava. De acordo com a PF, a escolha fez referência ao crescimento exponencial do patrimônio de Thiago Rangel.
Quem é o deputado
Thiago nasceu em Campos dos Goytacazes em julho de 1986. Ele é empresário no ramo varejista e militante na política desde a sua juventude. Com uma trajetória na vida pública iniciada cedo, Rangel atuou como Superintendente Regional do Institutos de Pesos e Medidas (Ipem) e foi Diretor de Fiscalização no Departamento de Transporte Rodoviário (Detro).
Em 2020, Thiago foi eleito para seu primeiro mandato como vereador em Campos, sendo o mais votado do partido.
Em 2022, se elegeu como Deputado Estadual pelo Podemos com 31.175 votos.
Operação Unha e Carne
Na primeira fase da Operação Unha e Carne, realizada em dezembro de 2025, a Polícia Federal prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
Segundo investigações da época, Bacellar teria vazado informações da operação contra um grupo especializada no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. Os alvos da ação eram o ex-deputado estadual TH Joias - que acabou preso e cassado - um delegado da Polícia Federal, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e uma liderança do CV no Complexo do Alemão, Zona Norte.
Na segunda fase da operação, foi a vez do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), ser preso. Ele era o relator do processo de TH Joias.
Na terceira fase, a PF cumpriu mandado de prisão preventiva e um de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Teresópolis, na Região Serrana.
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