Thiago Rangel foi preso em operação da Polícia Federal na terça-feira (5)Reprodução/Redes sociais
Publicado 05/05/2026 18:15 | Atualizado 05/05/2026 19:39
Rio - De acordo com investigações da Polícia Federal, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ), preso nesta terça-feira (5), teria oferecido cargos na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como "Júnior do Beco".
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Apontado como criminoso de alta periculosidade e réu por crimes como homicídio e tráfico de drogas, ele teria articulado com o parlamentar a indicação de duas pessoas para vagas de auxiliar de serviços gerais.

Segundo denúncia à qual O DIA teve acesso, a PF identificou uma relação próxima entre o deputado e o traficante. Em uma conversa interceptada em 23 de junho de 2021, Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito do deputado, orienta Rangel a reservar duas vagas na secretaria para Júnior do Beco.

Na troca de mensagens, Fábio pede que o parlamentar entre em contato com o traficante ou forneça seu número. Em resposta, Rangel encaminha o contato salvo como "Junior Beco" e solicita que o assessor faça a interlocução em seu nome, informando que havia oito vagas disponíveis para o cargo de auxiliar de serviços gerais, sendo duas destinadas ao criminoso.

Ainda de acordo com a investigação, o contato indicado enviou, no mesmo dia, dois nomes para preenchimento das vagas e, posteriormente, solicitou a inclusão de uma terceira pessoa. Dias depois, houve a substituição de uma das indicadas por outro nome.

A PF identificou que uma das pessoas listadas é irmã do criminoso, enquanto outra tem ligação com um investigado na Operação Roncador, que teve como objetivo desarticular lideranças do tráfico de drogas na região de Campos dos Goytacazes.

Fábio Pourbaix Azevedo, também alvo da operação deflagrada nesta terça-feira, já havia sido preso em setembro de 2022, sob suspeita de compra de votos. Na ocasião, foram apreendidos R$ 39 mil em espécie e material de campanha de Rangel, fato que deu origem à chamada Operação Postos de Mídias.
 
Operação Unha e Carne
Pela quarta fase da Operação Unha e Carne, policiais federais buscaram cumprir sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão no Rio; em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense; e em Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os alvos estavam, além do deputado, Luiz Fernando Passos de Souza; Rui Carvalho Bulhões Júnior; Marcos Aurélio Brandão Alves; Júcia Gomes de Souza Figueiredo; Fábio Pourbaix Azevedo e Vinícius de Almeida Rodrigues.

Segundo a PF, as apurações revelaram um possível esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas ao grupo investigado.

Além do crime de organização criminosa, os suspeitos poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. Ainda há a possibilidade de outros delitos surgirem no decorrer da investigação.
O que diz a defesa do deputado 
Em nota nas redes sociais, a defesa de Thiago disse que recebeu com surpresa a operação desta terça e que está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas determinadas. "O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida", diz o texto.
 
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