Publicado 07/05/2026 17:09 | Atualizado 07/05/2026 19:12
A angústia e o desespero fazem parte da rotina de Christiane Cortines desde a noite de domingo (3), quando o filho dela, Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, de 18 anos, foi atingido no olho por uma bala de borracha após o clássico entre Flamengo e Vasco, nas proximidades do Maracanã. Internado desde então, o jovem enfrenta o risco de perder definitivamente a visão.
PublicidadeEm entrevista ao DIA, Christiane revela que ainda tenta entender o que aconteceu com o único filho. Segundo ela, Arthur saiu de casa apenas para assistir à partida e foi ferido durante uma confusão entre torcedores.
"Implorei para ele não ir ao jogo. Era para ser um momento de lazer. Hoje meu filho está internado sem enxergar. Isso destrói qualquer mãe”, afirmou Christiane.
Arthur é um jovem como outro qualquer. Estuda, joga basquete, ajuda em casa, mas agora enfrenta uma batalha por causa da gravíssima lesão no olho. De acordo com a mãe, os médicos identificaram um ferimento profundo, além de danos na região do canal lacrimal.
A bala também danificou o globo ocular e causou fraturas no nariz e na parte inferior do olho. A Casa de Saúde São José, por meio de nota, informou que Arthur segue internado com quadro clínico estável. O procedimento cirúrgico, realizado fora do hospital, ocorreu sem problemas e que diante da gravidade da lesão, a equipe médica está programando novas abordagens cirúrgicas.
“O médico falou que a chance dele voltar a enxergar é muito remota, mas não impossível. Ele não corre risco de vida mas hoje ele não enxerga. Ele chora o tempo todo dizendo que quer voltar a ver. Isso é muito duro para uma mãe ouvir”, disse.
A mãe também afirma que o filho corre risco de comprometimento da outra visão e que a família aguarda novos exames para saber a extensão das lesões.
“Existe um risco pequeno de ele perder a outra vista também. O médico ainda vai fazer um ultrassom. Estou pedindo um milagre a Deus”, declarou, emocionada.
A mãe contou ainda que o estado emocional do jovem também preocupa a família.
“Ele está muito triste. O olho dele está muito feio. Quando eu vejo, percebo que escorre uma lágrima, tamanha a sua tristeza. Meu filho é esforçado, estudioso. O colégio inteiro está preocupado com ele. Eu sempre fiz tudo por ele. Estou devastada", lamentou.
Christiane ainda criticou a atuação policial durante a confusão no entorno do estádio. Segundo ela, mesmo ferido e ensanguentado, o filho não teria recebido ajuda imediata.
“Ensanguentado, ainda queriam espancar ele. Um policial mandou ele se virar. Isso não pode ficar impune. Que polícia é essa?", afirmou.
Abalada, ela cobra uma resposta das autoridades sobre a ação que atingiu o estudante.
“É obrigação deles (Polícia Militar) me dar uma resposta. Onde está esse policial que atacou meu filho? Cadê ele? Não pode deixar isso ser esquecido, isso não pode ficar impune", questionou.
Christiane ainda criticou a atuação policial durante a confusão no entorno do estádio. Segundo ela, mesmo ferido e ensanguentado, o filho não teria recebido ajuda imediata.
“Ensanguentado, ainda queriam espancar ele. Um policial mandou ele se virar. Isso não pode ficar impune. Que polícia é essa?", afirmou.
Abalada, ela cobra uma resposta das autoridades sobre a ação que atingiu o estudante.
“É obrigação deles (Polícia Militar) me dar uma resposta. Onde está esse policial que atacou meu filho? Cadê ele? Não pode deixar isso ser esquecido, isso não pode ficar impune", questionou.
Ela também teme que o filho seja esquecido pelas autoridades: "São policiais cem por cento despreparados, pessoas montadas naqueles cavalos sem preparo. Isso é inadmissível. Meu temor é que semana que vem ninguém fale mais do meu filho. As pessoas vão acabar esquecendo. E os policiais? Agindo com covardia contra outras pessoas".
Comissão de Direitos Humanos da Alerj acompanha o caso
O caso está sendo acompanhado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, que vai oficiar a Secretaria de Segurança Pública e o Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar para cobrar informações sobre as imagens da operação, identificação dos agentes envolvidos, abertura de procedimento administrativo e eventual afastamento dos policiais responsáveis.
A comissão também acionará o Ministério Público para abertura de investigação paralela sobre o caso. Segundo os parentes da vítima, a Polícia Civil ainda não procurou a família para colher depoimentos ou prestar esclarecimentos.
O caso está sendo acompanhado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, que vai oficiar a Secretaria de Segurança Pública e o Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar para cobrar informações sobre as imagens da operação, identificação dos agentes envolvidos, abertura de procedimento administrativo e eventual afastamento dos policiais responsáveis.
A comissão também acionará o Ministério Público para abertura de investigação paralela sobre o caso. Segundo os parentes da vítima, a Polícia Civil ainda não procurou a família para colher depoimentos ou prestar esclarecimentos.
Visita especial
No meio de tanta dor, um momento de afago e solidariedade. Arthur recebeu na manhã desta quinta-feira (7) a visita do volante do Vasco, Hugo Moura. O jogador foi o autor do gol de empate do Vasco diante do Flamengo. Uma foto registra o carinho do jogador com a família, ainda muito abalada com a tragédia sobre Arthur.
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