Primeira exposição temporária do espaço aberto ao público do museu da imagem e do som localizado em Copacabana, a zona sul do Rio de Janeiro na tarde dessa sexta-feira (08) Erica Martin/O DIA
Publicado 08/05/2026 17:08 | Atualizado 08/05/2026 17:40
Depois de mais de 15 anos entre obras, paralisações, mudanças de cronograma e expectativa da população, o novo Museu da Imagem e do Som, em Copacabana, na Zona Sul, abriu oficialmente as portas ao público nesta sexta-feira (8). A primeira visitação marcou o início da nova fase do espaço cultural, que passa a funcionar gradualmente enquanto segue em etapa final de implantação. O planejamento é deixar o museu completamente pronto no fim do ano.
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A reabertura aconteceu com a exposição temporária 'Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som', mostra que apresenta ao público os bastidores da construção do edifício, os desafios técnicos da obra e os conceitos arquitetônicos que deram origem ao novo museu erguido na Avenida Atlântica.

Os visitantes puderam conhecer parte das áreas já concluídas do prédio, incluindo o pavimento térreo, o espaço conhecido como “Baixo Atlântico”, a área expositiva e o terraço com vista panorâmica para a Praia de Copacabana e o calçadão desenhado por Burle Marx. A visitação foi gratuita e realizada mediante agendamento prévio.

Durante a recepção aos primeiros visitantes, a secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, destacou que o museu ainda passa pelos últimos ajustes estruturais, mas afirmou que a proposta é permitir que a população acompanhe o processo final de construção antes da inauguração definitiva.

"Hoje (sexta) é a primeira visita para o público. São as pessoas que acessaram o link e são os nossos primeiros convidados. Então, sejam muito bem-vindos. A gente ainda está vivendo um processo de finalização de obra. Entendemos que a população precisava participar desse processo. O MIS é um museu que está sempre apontando para o futuro, para o diálogo com a rua, com a população”, afirmou Danielle.

Exposição revela bastidores da construção do novo MIS

A exposição 'Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som' marca justamente a fase final da construção do museu e funciona como uma espécie de prévia do que será o espaço cultural quando estiver totalmente concluído.

A mostra busca compartilhar com o público os processos, escolhas arquitetônicas e desafios técnicos enfrentados ao longo da construção do edifício, projetado para abrigar experiências sensoriais ligadas ao vasto acervo audiovisual do MIS.

O percurso começa no núcleo 'O Que É o MIS', que apresenta a história da instituição, criada em 1965, e contextualiza o museu como guardião da memória e da identidade cultural fluminense. O espaço explica como a necessidade de democratizar o acesso ao acervo — por muitos anos restrito a pesquisadores — motivou a criação de uma nova sede aberta ao grande público.

Em seguida, o núcleo 'A Concepção' mostra os bastidores do concurso internacional de arquitetura realizado em 2009, apresentando propostas concorrentes e os motivos que levaram à escolha do projeto vencedor. A exposição detalha o conceito do chamado “boulevard vertical”, ideia que transforma o prédio em uma extensão do tradicional calçadão de pedras portuguesas de Copacabana, integrando rua, fachada e interior do edifício.

Já o núcleo “O Projeto” apresenta a distribuição dos espaços internos do museu, com vídeos, maquetes e animações que mostram como a arquitetura foi pensada de forma integrada à futura museografia e às experiências culturais do público.

Outro destaque é o núcleo “O Museu”, que explica como os ambientes foram projetados para estimular encontros, circulação e interação entre visitantes, utilizando vazios visuais e enquadramentos da paisagem da praia.

A parte final da exposição, intitulada “Os Desafios da Construção”, reúne vídeos curtos, protótipos e amostras de materiais utilizados na obra, detalhando aspectos técnicos como concreto aparente, iluminação, acústica, marcenaria e os cobogós instalados na fachada para controlar a entrada de luz e valorizar a vista da orla.

Visitantes celebram abertura do espaço

Entre os primeiros visitantes estava a arquiteta Sônia Nascimento, de 61 anos, moradora de Copacabana. Ela contou que acompanhou a obra durante anos apenas do lado de fora e comemorou a oportunidade de finalmente conhecer o espaço internamente.

“Eu passei muito tempo passando na calçada e apreciando a obra. Sempre naquela expectativa de conhecer por dentro. E hoje chegou o dia”, afirmou.

Sônia acredita que o novo MIS tem potencial para se tornar um dos principais pontos culturais e turísticos da cidade.

“Eu acredito que esse museu vai ser um dos pontos atrativos de turismo de maior relevância aqui para o bairro, para a cidade e para o estado também”, disse.

Como arquiteta, ela destacou o interesse pelos detalhes técnicos apresentados na exposição.

“Está interessante conhecer os materiais empregados, os escritórios que participaram do projeto e como vai ser a configuração do prédio daqui para frente”, comentou.

O casal Alessandra Ribeiro e Adriano Nascimento também participou da primeira visita pública. Moradores da Rua Duvivier, próxima ao museu, eles contaram que acompanharam toda a trajetória do terreno desde a época da antiga boate Help até a construção do novo equipamento cultural.

“A gente acompanhou esse processo todo. Desde a época da Help. Depois ficou um tempão fechado e a gente estava doido para abrir um museu”, contou Alessandra.

Ela destacou ainda a importância do espaço para a democratização do acesso à cultura.

“Acho que é uma oportunidade para todo mundo ter acesso à cultura. Vai agregar muito não só para Copacabana, mas para a cidade do Rio”, afirmou.

O casal levou o filho João, de cinco meses, para conhecer o museu pela primeira vez. Segundo Adriano, a intenção é frequentar o espaço regularmente.

“Quero tentar trazer sempre ele para cá. A gente ficou muito feliz de ser aberto aqui o MIS”, disse.

A integração entre a arquitetura e a paisagem da orla também chamou a atenção da arquiteta.

“Você vê o mar o tempo todo. Você perde aquela sensação do museu fechado. Parece uma continuação do calçadão”, comentou Alessandra.
As visitas serão gratuitas, mas exigem reserva antecipada pelo Sympla. Na primeira semana de funcionamento, estão previstas três sessões: sexta-feira, às 14h, e sábado, às 10h e 14h.

A partir da semana seguinte, o sistema de agendamento será ajustado e as reservas deverão ser feitas semanalmente, a partir das terças-feiras, para visitas realizadas aos sábados e domingos.

Quando estiver totalmente finalizado, o museu deverá reunir salas para exposições temporárias e permanentes, espaços voltados à pesquisa, áreas educativas e um cineteatro. O projeto também prevê um auditório com capacidade para 280 pessoas, além de loja, cafeteria, restaurante com vista panorâmica, uma boate e um mirante.

A proposta é que o MIS atue como um centro de produção e preservação de memória cultural, registrando expressões contemporâneas da cidade, como o funk, o samba atual e manifestações ligadas à cultura digital.
 
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