O inspetor penitenciário Marcelo de Lima, segundo testemunhas, estava alcoolizado e deu nove tiros à queima-roupa contra ThiagoRede Social
Publicado 08/05/2026 22:47 | Atualizado 08/05/2026 23:02
Rio - O policial penal Marcelo de Lima foi condenado a 40 anos e 4 meses de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do torcedor do Fluminense Thiago Leonel e pela tentativa de homicídio contra Bruno Tonini Moura. O julgamento aconteceu entre quinta (7) e esta sexta-feira (8), no IV Tribunal do Júri da Capital, no Centro.
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A decisão foi anunciada pela juíza Lucia Mothé Glioche após mais de 24 horas de sessão plenária. O Conselho de Sentença reconheceu que o réu cometeu homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio também triplamente qualificada.

Marcelo foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio que colocou outras pessoas em risco e recurso que dificultou a defesa das vítimas. A sentença também determina a perda do cargo público. A defesa informou que vai recorrer da decisão.

O crime aconteceu na noite de 1º de abril de 2023, após o clássico entre Flamengo e Fluminense, pela primeira partida da final do Campeonato Carioca, nas proximidades do Maracanã. Segundo as investigações, Thiago Leonel e amigos estavam em um bar frequentado por torcedores tricolores quando começou uma discussão envolvendo Marcelo de Lima.

Inicialmente, relatos apontavam que a confusão teria começado por causa das últimas pizzas disponíveis no estabelecimento. No entanto, durante a investigação, o Ministério Público sustentou que o desentendimento teria sido motivado por divergências políticas e discussões anteriores dentro do bar.
De acordo com a denúncia, Marcelo deixou o local após a confusão, retornou armado minutos depois e efetuou diversos disparos contra o grupo. Imagens gravadas por frequentadores mostraram o momento de pânico no estabelecimento, com clientes tentando se esconder atrás de mesas e paredes após os tiros.

Thiago Leonel morreu no local. Já Bruno Tonini foi baleado, sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes.

Durante o julgamento, o plenário ouviu mais de dez testemunhas, entre elas sobreviventes, frequentadores do bar e agentes envolvidos na investigação. Algumas testemunhas prestaram depoimento sem a presença do réu por relatarem medo.

A defesa sustentou que Marcelo teria agido em legítima defesa. Subsidiariamente, pediu o reconhecimento de excesso culposo, violenta emoção após provocação da vítima e desistência voluntária em relação ao sobrevivente Bruno Tonini. Também solicitou o afastamento das qualificadoras.

Os jurados, porém, acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público.

A sessão também foi marcada por embates entre acusação e defesa. Os advogados do réu alegaram cerceamento de defesa após o juízo impedir a exibição de novos trechos de depoimentos durante a oitiva de uma testemunha. Em outro momento, a defesa protestou contra a citação, pelo Ministério Público, de postagens em redes sociais que haviam sido retiradas do processo após decisão do Superior Tribunal de Justiça. Mesmo com os questionamentos, a magistrada manteve o andamento do julgamento. Após os debates entre acusação e defesa, os jurados decidiram pela condenação.

Na sentença, a juíza destacou a gravidade do crime e o contexto em que os disparos ocorreram: um bar cheio, em meio à movimentação de torcedores na região do Maracanã. O caso teve grande repercussão à época pela violência da ação e pelas imagens registradas logo após os disparos. A morte de Thiago Leonel gerou homenagens de torcedores do Fluminense e reacendeu debates sobre violência armada e segurança em grandes eventos esportivos no Rio.
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