A um mês da Copa do Mundo, colecionadores recorrem a pontos de troca para completar álbum de figurinhasÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 10/05/2026 16:25
Rio - Faltando um mês para o início da Copa do Mundo, a bola já está rolando pelo menos para os colecionadores e apaixonados por futebol que buscam completar o tradicional álbum de figurinhas. Neste domingo (10), vários colecionadores se reuniram na porta do shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, ponto conhecido, para trocar os cromos.
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Ao DIA, o autônomo Orlando Sampaio, de 53 anos, contou que a paixão pelo álbum de figurinhas nasceu na Copa de 1982 através do avô. Hoje, ele continua a tradição com o filho, José Carlos Sampaio, de 22.

“Tenho todos os álbuns desde 1982, praticamente. Só o primeiro que não consegui completar, porque tinha que correr atrás e, na época, tinha 9 anos de idade, então era muito novo. Era mais difícil. Depois que meu filho nasceu, comecei a fazer junto com ele”, afirma Orlando.

“Agora ele que vem me acompanhando. Estou confiante. Certo de que vou completar o álbum”, completa José. Apesar de apaixonado pela tradição, Orlando aponta o que pode melhorar para a próxima experiência.

“A Panini poderia fazer as figurinhas em ordem, com a numeração de um a 980, porque facilita. Do jeito que está, dividido por seleções e ordenado por grupos, dificulta muito. Fica complicado, complexo. Antigamente não era assim. Facilitaria muito o nosso trabalho na troca das figurinhas”, pontua.

Assim como Orlando e José, Vicente Pinheiro, de 60 anos, e João Vicente, de 7, também estão atrás dos cromos para completar o álbum. De acordo com o pai, o desejo do filho de entrar para a tradição nasceu após ele apresentar o livro ilustrado de 1982.

“Mostrei meu álbum de 1982, que tem Zico, Sócrates… e ele gostou muito. Resolvi trazer o álbum até mesmo para ele aprender sobre organização, saber o que é uma figurinha, aprender a colar. Foi para os dois lados: relembrar a infância e trazer o educativo para ele”, conta.

Para não se perder nas contas, Vicente apostou no modo antigo de organização: papel e caneta, mas pretende também usar a tecnologia para fazer o acompanhamento dos adesivos.

“Fiz uma listinha por ordem alfabética, porque fica mais fácil de encontrar, e numerei de 1 a 20. Fica tipo uma planilha. Mas fiquei sabendo hoje que tem o aplicativo que dá para marcar as figurinhas que já tem. Deve ser mais fácil, porque você só marca, mas pela lista deve ser mais rápido, porque consigo visualizar tudo ao mesmo tempo”, diz.

Para o jornalista João Brandão, de 30 anos, a paixão nasceu na infância, na Copa do Mundo de 2002.

“Eu tinha cerca de 6 anos. Meu pai me ajudava bastante, mas nem consegui completar o álbum. Na da Copa de 2006, que já tinha uma noção maior, completei meu primeiro álbum. Desde então, coleciono todos. Tenho do Brasileirão, La Liga… mas de Copa do Mundo, completos, tenho de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Esse ano estou achando bem fácil. Esses pontos de troca que foram feitos nos últimos anos facilitaram muito também. Tenho trocado muito no trabalho também”, comenta.

O autônomo André Matias, de 35 anos, começou a colecionar na Copa do Mundo de 1998. Ele conta que sempre consegue completar todas as edições e já tem seis álbuns totalmente preenchidos.

“Já estou há duas semanas nessa correria. A galera ajuda bastante nos pontos de troca. A gente compra e o que vem repetido troca. Não envolve nada de dinheiro, somente a troca das figurinhas mesmo. Geralmente compro nessa banca em frente ao Shopping Tijuca”, destaca.

Segundo o jornaleiro Gil de Souza, de 73 anos, que trabalha na banca localizada em frente ao estabelecimento, não há faixa etária definida para os compradores dos cromos.

“Todas as idades vêm comprar figurinhas. Crianças, rapazes, moças, avós, pais, mães… é aquela emoção. A expectativa de venda está boa. Estamos aguardando que eles abasteçam bem para a gente poder vender. Ainda não tem o álbum de capa dura. Quando chega, vem em pouca quantidade e acaba rápido”, revela.

Segundo Felipe Aguiar, de 29 anos, os colecionadores já se tornaram amigos e sempre estão trocando figurinhas.

“Estou nessa febre desde 2006, colecionando e completando os álbuns. Nesse ano não está sendo diferente. Aqui fica uma galera. Acaba que ficamos todos conhecidos. Temos grupo de WhatsApp para marcar pontos de encontro, não só na Tijuca, mas em todo o Rio. Eu costumo focar nos álbuns da Copa do Mundo, mas no ano passado eu consegui completar o do Mundial, que, como era um campeonato novo da Fifa, era muito importante, porque a gente nunca sabe se vai ter outro ou não”, relata.

Felipe também passa a paixão pela coleção para o enteado, que também está na busca pelas figurinhas. No entanto, já deixou avisado: “Falei para ele que primeiro eu vou completar o meu para poder ajudar o dele”, ri ele, que revela faltar apenas cerca de 100 adesivos para completar o livro ilustrado.

Outros pontos de troca

Além da Banca Vanzi, localizada na frente do Shopping Tijuca, outros pontos de troca de figurinhas estão espalhados pelo Rio. Confira alguns deles:

Shopping Nova América
De segunda à sábado, das 10h às 22h. Aos domingos e feriados, de 11h às 21h
Local: Segundo piso
Endereço: Avenida Pastor Martin Luther King Jr., 126 - Del Castilho


Norte Shopping
De segunda à sábado, das 10h às 22h. Aos domingos e feriados, de 13h às 21h
Local: Primeiro piso, próximo à Lojas Americanas
Endereço: Avenida Dom Hélder Câmara, 5474 - Cachambi


MetrôRio
De segunda à sábado, das 7h às 19h. Aos domingos, de 8h às 12h
Estações: Central do Brasil/Centro, Uruguaiana/Centro, Carioca/Centro e Pavuna


Livraria Leitura
De acordo com os horários de funcionamento dos shoppings
Locais: Shopping Tijuca, na Tijuca; Shopping Rio Sul, em Botafogo; Shopping New York City Center, na Barra da Tijuca, e mais.

Com figurinhas dos principais jogadores das 48 seleções participantes, além de modelos especiais, o álbum da Copa do Mundo de 2026 tem 112 páginas e custa cerca de R$ 24,90, sendo R$ 74,90 o modelo de capa dura. Cada pacote de figurinha, com cromos, custa cerca de R$ 7
*Colaboração: Érica Martin
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