Policiais federais usavam telefones em nome de mortos no esquema da Refit, aponta investigaçãoReprodução
Publicado 15/05/2026 18:26 | Atualizado 15/05/2026 19:52
Rio - A investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Refino identificou indícios de que dois escrivães da própria corporação usaram números de WhatsApp registrados em nome de pessoas já falecidas para se comunicar com investigados no esquema envolvendo a antiga Refinaria de Manguinhos, hoje controlada pelo Grupo Refit.
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Os policiais citados são Márcio Pereira Pinto e Márcio Cordeiro Gonçalves, lotados há mais de dez anos na Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu. Ambos foram alvos da operação desta sexta-feira (15).

Segundo a Polícia Federal, o uso de linhas telefônicas cadastradas em nome de pessoas mortas seria uma estratégia para dificultar a identificação dos usuários e impedir o rastreamento das comunicações. Para os investigadores, esse método reforça a suspeita de que os contatos eram utilizados para manter as atividades do grupo sob anonimato.

Na decisão que autorizou a operação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reproduz trechos do relatório da Polícia Federal. O documento aponta evidências de que um telefone interceptado e a conta de WhatsApp vinculada à linha investigada eram operados pelos dois escrivães.
"A constância dos encontros entre Carlos e Márcio, aliada à seleção cuidadosa dos locais e à regularidade com que são organizados, evidencia um padrão de conduta que, somado à adoção de medidas para dificultar a identificação do usuário da linha telefônica 21 xxxx-xxxx, cadastrada em nome de pessoa já falecida, fortalece significativamente as suspeitas de que essa relação está diretamente ligada às ações ilícitas praticadas pelo grupo criminoso", informa um trecho da denúncia.
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