O médico Marcos Musafir fala sobre a popularização desse veículosDivulgação
Publicado 31/05/2026 00:00
Nos últimos anos, os veículos de micromobilidade, como bicicletas e patinetes elétricos, autopropelidos e ciclomotores, tomaram conta das cidades brasileiras. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, os atendimentos envolvendo veículos de micromobilidade saltaram de 294, em 2023, para 2.199, em 2024 – aumento de 702%. Já os acidentes com veículos autopropelidos (patinetes, skates e bicicletas elétricas sem pedais, com velocidade máxima de até 32 km/h) passaram de 65 casos para 2.011, entre 2024 e 2025, revelam dados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.De acordo com o ortopedista da Casa de Saúde São José, Dr. Marcos Musafir, a popularização desordenada desses veículos vai contra os objetivos da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, da ONU e OMS. A iniciativa tem como meta reduzir em pelo menos 50% as mortes e lesões no trânsito até 2030. "São veículos ágeis, de fácil deslocamento, além de acessíveis e práticos, mas também são considerados os mais vulneráveis do trânsito urbano, sendo causadores de mais e novas lesões. A popularização desses veículos caminha em sentido oposto aos objetivos da Década do Trânsito", afirma o especialista.
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Recentemente, a legislação do Rio de Janeiro fixou o limite máximo de 25km/h, proibindo bicicletas autopropelidas em ciclovias. A regulamentação foi acelerada após o caso da morte de um menino de 9 anos e sua mãe em uma bicicleta elétrica, atropelados por um ônibus, na Tijuca. Portanto, os acidentes com estes veículos podem representar riscos sérios, além de uma gama de novas lesões no trânsito.
"As lesões mais frequentes advêm da tentativa de colocar o tornozelo e o pé como apoios para tentar restabelecer o equilíbrio, podendo levar a lesão de ligamentos do tornozelo e a fraturas da perna e pés. Ao cair do veículo, são mais comuns as fraturas no punho, antebraço, mão e ombro, seguidos de possíveis traumas na face, cabeça e coluna vertebral", comenta o cirurgião de punho e mão, Dr. Adalto Lima.
Já em relação à faixa etária, destacam-se, segundo o Dr. Adalto, três picos:
Crianças e adolescentes (5 a 17 anos) - 10 a 15% dos acidentados;
Jovens adultos (18 a 29 anos) - 65 a 70%;
Adultos acima dos 55 anos - entre 10% a 15%.
Para evitar acidentes, lesões sérias e até mesmo óbitos, o Dr. Marcos Musafir enumera alguns cuidados necessários na condução dos veículos de micromobilidade: diminuir a velocidade de deslocamento, respeitar as leis de trânsito, usar sempre capacetes e proteção adequada, treinar em simuladores, além de nunca transportar cargas, dar caronas ou conduzir sob efeito do álcool e outras drogas.
"Errar é humano. A modernidade está inserindo este novo modal na mobilidade, logo é importante que as pessoas utilizem os veículos com consciência, atentas às regras de segurança, e que as autoridades fiscalizem o o cumprimento de regras de cidadania e convivência para reduzir as chances de erros humanos, de lesões e de óbitos", conclui o ortopedista da Casa de Saúde São José.
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