Publicado 26/05/2026 09:42 | Atualizado 26/05/2026 11:44
Rio - O Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, recebe uma exposição dedicada à memória e ao cotidiano dos moradores do Morro da Providência, favela mais antiga do Brasil e situada na Gamboa. As imagens, que remontam aos anos de 1960 e 80, pertencem ao acervo de Sebastião Pires de Oliveira (1943-2015), conhecido como Tião, um fotógrafo mineiro que morou na comunidade durante o período.
PublicidadeA mostra ficará em cartaz até 29 de novembro.
A exposição reúne mais de 270 retratos de celebrações familiares entre diferentes gerações, casamentos, encontros e paisagens urbanas, revelando o cotidiano e os vínculos construídos ao longo do tempo na Região Portuária do Rio. Além das imagens espalhadas pela sala, o público também pode conferir um acervo com mais de 10 mil fotografias em negativos e monóculos.
Por meio desse material, Tião registrou a cultura, os costumes e o estilo de vida dos moradores não apenas do Morro da Providência, mas também do Morro do Pinto, Gamboa, Saúde e arredores. O trabalho teve curadoria de Janaina Melo e consultoria de Aline Mendes, Maurício Hora e Rosiete Marinho, que percorreram as comunidades para identificar personagens retratados e autorizar o uso das imagens.
Por meio desse material, Tião registrou a cultura, os costumes e o estilo de vida dos moradores não apenas do Morro da Providência, mas também do Morro do Pinto, Gamboa, Saúde e arredores. O trabalho teve curadoria de Janaina Melo e consultoria de Aline Mendes, Maurício Hora e Rosiete Marinho, que percorreram as comunidades para identificar personagens retratados e autorizar o uso das imagens.
Janaina Melo revela ao DIA o que motivou o museu a promover essa mostra: “Desde que cheguei para atuar na formação do museu, entre 2012 e 2018, eu sabia que seria fundamental estabelecer com a Região portuária um programa de relacionamento continuado. E assim surgiu o programa Vizinhos do MAR, um encontro mensal de café da manhã com os moradores para pensarmos algo juntos”.
"Quando a Aline [consultora e dona de parte do acervo] chegou, não decidimos imediatamente o que fazer, mas em 2016 fizemos uma homenagem ao Tião dentro da exposição individual do fotógrafo paraense Alexandre Serqueira, uma instalação chamada Constelação de Tião. E no ano passado, montamos um time e trabalhamos por 6 meses higienizando, acondicionando e digitalizando as imagens.”
Melo acredita que a exposição consegue exaltar e compreender uma parte fundamental da História do Rio: "Vimos surgir um conjunto extraordinário de fotografias que celebram o cotidiano, as festas, encontros e celebrações da comunidade. Ao celebrar a Providência, enaltecemos também a história da cidade e principalmente a do Brasil, de sua gente e da nossa cultura", conclui a curadora.
O Morro da Providência é reconhecido como símbolo da formação da população negra e trabalhadora na cidade após o período da escravidão. Na década de 1890, moradores despejados de um cortiço e soldados que participaram da Guerra de Canudos passaram a povoar aquela região, formando assim a primeira favela do país.
O Morro da Providência é reconhecido como símbolo da formação da população negra e trabalhadora na cidade após o período da escravidão. Na década de 1890, moradores despejados de um cortiço e soldados que participaram da Guerra de Canudos passaram a povoar aquela região, formando assim a primeira favela do país.
O Museu de Arte do Rio fica na Praça Mauá, 5, Centro, e funciona das 11h às 18h, fechado às quartas-feiras e com entrada gratuita às terças-feiras.
A meia-entrada custa R$ 10 e a inteira, R$ 20. Ingressos disponíveis no site oficial e na bilheteria.
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Raphael Perucci
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