Publicado 26/05/2026 13:47 | Atualizado 26/05/2026 14:03
Rio - A investigação da Polícia Federal que apura a possível prática de crimes financeiros entre o Rioprevidência e o Banco Master aponta “vínculo pessoal e estreito” entre o ex-governador Cláudio Castro e o dono da instituição, o banqueiro preso Daniel Vorcaro. Na ação desta terça-feira (26), agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Castro, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. No local, dois celulares foram apreendidos.
O documento obtido pelo DIA aponta que relações pessoais e políticas viabilizaram investimentos bilionários em títulos do banco e fundos de investimento criados ou utilizados pela instituição, em desconformidade com a política de investimentos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e com as exigências regulatórias.
PublicidadeO documento obtido pelo DIA aponta que relações pessoais e políticas viabilizaram investimentos bilionários em títulos do banco e fundos de investimento criados ou utilizados pela instituição, em desconformidade com a política de investimentos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e com as exigências regulatórias.
As investigações indicam coincidência entre encontros realizados por Castro e Vorcaro e os aportes financeiros feitos posteriormente pelo sistema de previdência dos servidores estaduais. Além disso, conversas encontradas no celular do banqueiro apontam que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o então governador do Rio.
Ainda segundo a PF, a atuação de Castro não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, "com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência".
"Esse relacionamento teria viabilizado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, bem como a nomeação estratégica de dirigentes do RioPrevidência em cargos- chave (Presidência, Diretoria de Investimentos e Gerência de Investimentos), assegurando que as decisões de credenciamento e de aplicação de recursos previdenciários fossem conduzidas em desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master", diz um trecho do documento.
A investigação teve início após a análise do celular apreendido com Daniel Vorcaro durante a "Operação Compliance Zero". A partir do material, surgiram indícios de crimes cometidos em conjunto com o ex-governador do Rio e outros agentes públicos e privados.
Investimento bilionário
De acordo com a representação, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência realizou aportes de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, em decorrência de entraves regulatórios que dificultaram a continuidade das aplicações naquela modalidade de investimento, foram realizados aportes em fundos estruturados pelo mesmo grupo, em montante que teria atingido R$ 2,01 bilhões.
A operação desta terça-feira (26) foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a decisão, as medidas buscam confirmar a suspeita de atuação criminosa de Daniel Bueno Vorcaro junto ao Rioprevidência, por meio de um suposto acordo político com o ex-governador do Rio.
Em nota, o advogado de Castro, Carlo Luchione, informou que está analisando a decisão. "É necessário mais elementos, como o acesso integral à investigação, para entender o contexto e definir qual será a medida a tomar", explicou.
A reportagem tenta contato com a defesa de Vorcaro. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
Castro renunciou ao governo
Cláudio Castro renunciou ao governo do estado em março deste ano para disputar uma vaga no Senado. No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral retomou o julgamento que condenou o político por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, tornando-o inelegível até 2030.
Segundo a acusação, a Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro teriam sido usadas para criar milhares de cargos comissionados irregulares em benefício da campanha à reeleição. Com a saída de Castro e as renúncias de sucessores na linha do governo, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, assumiu o cargo interinamente.
Segundo a acusação, a Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro teriam sido usadas para criar milhares de cargos comissionados irregulares em benefício da campanha à reeleição. Com a saída de Castro e as renúncias de sucessores na linha do governo, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, assumiu o cargo interinamente.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.