Na foto, Marcelo da Cruz Silva (camisa cinza), 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, 46 (camisa de time)Reprodução/Redes sociais
Publicado 27/05/2026 15:10 | Atualizado 27/05/2026 17:07
Rio - Policiais militares dispararam mais de 30 vezes contra os pedreiros Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, na manhã desta quarta-feira (27), no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Segundo testemunhas ouvidas pelo DIA, moradores acordaram com uma rajada de tiros e, ao chegarem ao local, contabilizaram mais de 30 cápsulas de munição deflagradas. Eles garantem ainda que não houve troca de tiros.
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Na nota oficial publicada pela PM também não consta a informação de troca de tiros: "Um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca".
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) realizou a perícia e apreendeu as armas dos agentes do 7º BPM (São Gonçalo). O material será submetido a confronto balístico. Os corpos dos pedreiros foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, onde aguardam liberação para o sepultamento.
Além disso, as imagens das câmeras corporais dos policiais já foram requisitadas. As gravações devem esclarecer a dinâmica dos fatos e o motivo de os agentes terem disparado tantas vezes contra os dois homens.
Marcelo, conhecido como Celinho, e Edivan eram vizinhos e estavam trabalhando juntos há menos de uma semana em uma obra. Eles morreram baleados na Avenida Doutor Albino Imparato, principal via do bairro, momentos depois de saírem de casa em uma mesma moto. Com eles, foram encontradas marmitas e ferramentas de trabalho.
Clima é de tensão na região
Moradores afirmam que os pedreiros teriam sido confundidos com criminosos. Revoltados, manifestantes atearam fogo em pneus às margens da BR-101 em protesto pelas mortes, interditando a via. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a situação chegou a ser controlada inicialmente, mas grupos permaneceram às margens da rodovia.
Já a RJ-104, também em São Gonçalo, que dá acesso à comunidade, sofreu interdições com pneus e objetos nas pistas. O trânsito segue intenso na região.
Devido à instabilidade, a Unidade de Saúde Familiar Agenor José da Silva foi fechada. Já a Unidade Municipal de Educação Infantil Augusto de Freitas Lessa e o Ciep 051 Municipalizado Anita Garibaldi tiveram as aulas suspensas no período da manhã.

A Prefeitura de São Gonçalo informou ainda que a Polícia Militar determinou a suspensão da circulação de ônibus no bairro, afetando cerca de 10 linhas. A Secretaria Municipal de Transportes monitora a situação.
Comissão de Direitos Humanos da Alerj acompanha o caso
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj informou que acompanha com extrema indignação a morte dos pedreiros Marcelo e Edivan, no Jardim Catarina, em São Gonçalo, durante uma operação policial.
"O caso exige investigação rigorosa, perícia técnica imediata e divulgação das imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos. É inadmissível que trabalhadores sejam mortos pelo Estado enquanto saem para garantir o sustento de suas famílias", afirma a deputada Dani Monteiro, presidente da Comissão.

A Comissão também se colocou à disposição das famílias para prestar atendimento e afirmou que vai cobrar transparência e responsabilização.
 
* Colaborou Ana Fernanda Freire
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