Advogado Fabiano Lopes voltou à defesa de Jairinho depois de infartarFred Vidal / Agência O Dia
Publicado 28/05/2026 10:16
Rio - O advogado Fabiano Lopes, que representa o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, chegou ao Tribunal do Júri, na manhã desta quinta-feira (28), acompanhado de uma médica de emergência. O defensor, que se descreveu como responsável por "capitanear" a defesa do ex-parlamentar, infartou no sábado (23) e estava afastado desde o início das audiências, na segunda-feira (25).
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"Eu capitaneei essa defesa, eu organizei essa defesa, eu trouxe cada tese defensiva junto com os colegas. Eles acharam justo que esse júri não acontecesse sem a minha presença. Mas eu mandei mensagens para o doutor Zanone e para o doutor Rodrigo Faucz falando: 'Faça o júri que logo que melhor e estarei presente junto com vocês'. Isso está no meu telefone, inclusive em horário anterior à decisão da magistrada, do promotor de justiça e da defesa de retornar com o plenário", afirmou.
Fabiano destacou que os problemas de saúde estão relacionados ao uso de esteroides anabolizantes e informou que seu coração está funcionando a 33% da capacidade total. O advogado revelou que não está com dor, mas fez um alerta sobre o uso das substâncias e doenças cardíacas. Ele comparou seu caso ao do fisiculturista Gabriel Ganley, encontrado morto no último sábado (23).
"Estou monitorando. O problema cardíaco que eu estou acometido é devido a anos e anos utilizando anabolizante. Meu caso, inclusive, foi idêntico ao do Gabriel Ganley. A sorte é que eu passei mal perante a uma equipe de advogados e uma médica. Meu fim poderia ter sido o mesmo do Gabriel. [Serve para] alertar essa moçada. Com o uso do anabolizante, a conta chega. E a minha chegou. Temos que ter cuidado porque a doença cardíaca é silenciosa. Quando menos espera, é acometido por ela. E foi o que aconteceu comigo", explicou.
Embora tenha incentivado a retomada do julgamento após a negativa da juíza Elizabeth Machado Louro ao pedido da defesa, o advogado, no entanto, defendeu que o júri deveria ter sido adiado por causa de seu problema de saúde. No primeiro dia, Jairinho chegou a dispensar a equipe, mas voltou atrás pouco depois. Fabiano relembrou que a sessão havia sido marcada para 22 de junho - depois que a equipe de Jairinho deixou o plenário, em 23 de março -, mas que foi remarcado para maio por causa da Copa do Mundo.
"Eu lidero toda essa banca defensiva. Eu escolhi cada advogado, estou nesse caso há mais de 4 anos. Eu conheço todos os casos periféricos e três das testemunhas do juízo são de processos periféricos que só eu estou presente. Os outros advogados não conhecem. Até por isso eu estou fazendo esse sacrifício. Waldir Troncoso Peres diz: Se for para morrer, que eu morra com a beca lá dentro fazendo meu mister. Quando me propus a ser advogado, propus a doar a minha vida pela liberdade e é isso que eu vou fazer. Mas o júri poderia, sim, ser adiado. A magistrada preferiu antecipar. Jairinho está preso. A Monique foi solta, mas já está presa. Não ia prejudicar em nada [adiar em] um mês ou dois meses para quem já está esperando há 5 anos", defendeu.
Nesta quinta-feira, acontece o quarto dia do julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pelo assassinado do menino Henry Borel, ocorrido em março de 2021. Até o momento, apenas quatro das 27 testemunhas listadas no processo foram ouvidas. A sessão será iniciada com o depoimento da filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada do ex-vereador.
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