Publicado 28/05/2026 15:35 | Atualizado 28/05/2026 16:12
Rio - Inconsoláveis, familiares e amigos do pedreiro Marcelo da Cruz Silva, morto aos 41 anos por policiais militares na quarta-feira (27), prestaram as últimas homenagens na tarde desta quinta (28), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.
PublicidadeMuito abalada, Maria Silva, mãe de Marcelo, ainda tenta entender as circunstâncias que levaram à morte do filho. Chorando muito, ela não se cansava de pedir justiça. "Meu filho saiu às 7h da manhã para trabalhar e aconteceu isso com ele. Mataram meu filho. Hoje, o que eu peço é justiça. Que esse policial seja preso. Meu filho não era vagabundo, ele era trabalhador", disse ao DIA.
Maria lembrou do filho como um homem carinhoso e atencioso com a família. "Ele sempre conversava com a gente, estava brincando, feliz. Gostava de tomar a cervejinha dele toda semana. Eu até brigava com ele por isso, mas ele não era vagabundo", completou.
Irmão de Marcelo, Inaldo Vicente da Silva, de 55, disse que chegou ao local da ocorrência cerca de 15 minutos após os disparos e encontrou uma cena de horror.
"Meu irmão estava saindo para trabalhar e foi executado pelos policiais. A gente ainda não sabe o motivo. Disseram que confundiram meu irmão, mas nem chegaram a dar voz de prisão. Tenho certeza de que, se tivessem mandado ele parar, ele teria parado", afirmou.
Segundo Inaldo, ele foi atingido por dezenas de disparos. "Executaram meu irmão com mais de 50 tiros. Quando cheguei, o corpo dele estava perfurado, dilacerado. O capacete estava ensanguentado. Uma cena horrível".
"Nossa família está destruída com tudo isso. Foram mais de 60 tiros que eu contei no chão. Eles executaram meu irmão e hoje o que a gente quer é justiça", completou Inaldo.
Ex-companheira de Marcelo, Lucia da Silva Almeida, 37, ressaltou a perda, principalmente para o filho, de 7 anos. "O pai dele carregava coisa de obra na mochila. Marcelo era trabalhador, um pai presente, dava tudo que o filho precisava. Hoje meu filho está perguntando o que vai acontecer com o policial que matou o pai dele. E eu não sei o que responder. Meu filho tinha o pai como um exemplo", falou a dona de casa.
Morador do Jardim Catarina desde que nasceu, o pedreiro era muito querido pelos vizinhos, que o descrevem como uma figura cativante e trabalhadora. "Trabalhava a semana toda. Era muito querido. Sempre atuou como pedreiro e todo mundo chamava ele para fazer obra. Se a gente precisasse de alguma coisa, sabia que podia contar com ele", contou Rita da Costa, 61, vizinha e amiga de longa data da família.
O advogado de Marcelo, Marco Antônio, afirmou que as provas reunidas até o momento são contundentes e que a defesa aguarda a conclusão do inquérito para responsabilização dos policiais envolvidos. "Assim que o delegado liberar o nosso acesso ao inquérito, vamos acompanhar tudo. Ontem foi feita a coleta de depoimentos e vestígios. Está tudo muito evidenciado. Esperamos que o Ministério Público receba esse inquérito o quanto antes para dar início à responsabilização dos policiais envolvidos na ocorrência", falou.
Ainda segundo o advogado, durante uma manifestação na BR-101 contra as mortes dos pedreiros, um dos irmãos de Marcelo foi preso por vandalismo. Ele foi liberado na noite de quarta, após pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil.
"Está todo mundo indignado com a brutalidade e a injustiça. Não só a família do Marcelo, mas também a do Edivan", disse Tamires Vieira, de 27 anos, cunhada de Marcelo.
Morador do Jardim Catarina desde que nasceu, o pedreiro era muito querido pelos vizinhos, que o descrevem como uma figura cativante e trabalhadora. "Trabalhava a semana toda. Era muito querido. Sempre atuou como pedreiro e todo mundo chamava ele para fazer obra. Se a gente precisasse de alguma coisa, sabia que podia contar com ele", contou Rita da Costa, 61, vizinha e amiga de longa data da família.
O advogado de Marcelo, Marco Antônio, afirmou que as provas reunidas até o momento são contundentes e que a defesa aguarda a conclusão do inquérito para responsabilização dos policiais envolvidos. "Assim que o delegado liberar o nosso acesso ao inquérito, vamos acompanhar tudo. Ontem foi feita a coleta de depoimentos e vestígios. Está tudo muito evidenciado. Esperamos que o Ministério Público receba esse inquérito o quanto antes para dar início à responsabilização dos policiais envolvidos na ocorrência", falou.
Ainda segundo o advogado, durante uma manifestação na BR-101 contra as mortes dos pedreiros, um dos irmãos de Marcelo foi preso por vandalismo. Ele foi liberado na noite de quarta, após pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil.
"Está todo mundo indignado com a brutalidade e a injustiça. Não só a família do Marcelo, mas também a do Edivan", disse Tamires Vieira, de 27 anos, cunhada de Marcelo.
Entenda
Na manhã de quarta, policiais militares dispararam mais de 30 vezes contra Marcelo e o amigo, Edivan. Os pedreiros foram baleados e mortos quando estavam a caminho do trabalho em uma motocicleta, na Avenida Doutor Albino Imparato, a principal do bairro Jardim Catarina.
Segundo moradores, eles foram confundidos com bandidos. Uma testemunha, ainda, afirmou que não houve ordem de parada nem voz de prisão, em entrevista ao G1. O corpo de Edivan será sepultado e velado no mesmo cemitério, nesta sexta-feira (29), às 14h30.
Em nota, a PM informou que, de acordo comando do 7º BPM (São Gonçalo), "um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca".
"A Corporação lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso", disse a Corporação, em comunicado.
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) realizou a perícia e apreendeu as armas dos agentes do 7º BPM (São Gonçalo). O material será submetido a confronto balístico. Além disso, as imagens das câmeras corporais dos policiais já foram requisitadas. As gravações devem esclarecer a dinâmica dos fatos e o motivo de os agentes terem disparado tantas vezes contra os dois homens. Os agentes foram afastados das funções na corporação.
Em nota, a PM informou que, de acordo comando do 7º BPM (São Gonçalo), "um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca".
"A Corporação lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso", disse a Corporação, em comunicado.
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) realizou a perícia e apreendeu as armas dos agentes do 7º BPM (São Gonçalo). O material será submetido a confronto balístico. Além disso, as imagens das câmeras corporais dos policiais já foram requisitadas. As gravações devem esclarecer a dinâmica dos fatos e o motivo de os agentes terem disparado tantas vezes contra os dois homens. Os agentes foram afastados das funções na corporação.
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