Publicado 29/05/2026 07:34
Rio - A Polícia Civil realiza, nesta sexta-feira (29), uma operação em diversos municípios do Estado do Rio contra o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, o tráfico de drogas já movimentou mais de R$ 453 milhões. Até o momento, 21 pessoas foram presas, sendo uma delas Raquel Neves dos Santos Mendonça, mulher de um líder da facção, Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó.
PublicidadeA apuração da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) revelou uma sofisticada estrutura voltada à ocultação, dissimulação e lavagem de recursos ilícitos provenientes do tráfico de drogas, especificamente dentro do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, onde Rabicó exerce a sua liderança. Raquel foi presa no local.
"Ela tinha função de dar escoamento financeiro e adquirir bens e imóveis. Investigações demonstraram que ela transportava diversas quantias pelo imóvel. Os veículos adquiridos pela família dela foram financiados pelo Rabicó", disse o delegado Moysés Santana, titular da DRE.
As ações desta sexta ocorrem simultaneamente em diversos municípios do Estado do Rio, como na capital; em São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana; Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense; e em Iguaba Grande e Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Também são cumpridos mandados em outros estados, como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.
Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado de aproximadamente um ano e quatro meses de investigação da DRE, que identificou uma estrutura criminosa com atuação interestadual voltada à lavagem de dinheiro para a facção.
Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado de aproximadamente um ano e quatro meses de investigação da DRE, que identificou uma estrutura criminosa com atuação interestadual voltada à lavagem de dinheiro para a facção.
Os mandados de prisão, busca e apreensão e as medidas patrimoniais foram deferidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado, após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ).
Além de equipes da DRE, a operação conta com efetivo integrado da Polícia Civil e da Polícia Militar, mobilizando agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI), do Departamento-Geral de Polícia Técnico-Científica (DGPTC), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de outras unidades operacionais da PM.
O objetivo é desarticular a estrutura financeira que sustenta o tráfico de drogas e enfraquecer a capacidade econômica do Comando Vermelho.
O objetivo é desarticular a estrutura financeira que sustenta o tráfico de drogas e enfraquecer a capacidade econômica do Comando Vermelho.
Investigação
Durante as investigações, agentes encontraram diálogos envolvendo Rabicó e o principal operador financeiro da facção, identificado apenas como Alexsandro, o Tec. De acordo com a apuração, ele era responsável pela lavagem de dinheiro, gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e utilização de terceiros para ocultar patrimônio e valores ilícitos.
Durante as investigações, agentes encontraram diálogos envolvendo Rabicó e o principal operador financeiro da facção, identificado apenas como Alexsandro, o Tec. De acordo com a apuração, ele era responsável pela lavagem de dinheiro, gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e utilização de terceiros para ocultar patrimônio e valores ilícitos.
"Através da quebra do sigilo, nós comprovamos que recicladoras - algumas delas legalizadas - compravam cobre produto de crime de Alexsandro e do suposto ferro-velho clandestino comandado por ele. Tec nunca emitiu nota fiscal de entrada de material. Então, ele não tinha material que pudesse vender. Todo material foi comprovadamente demonstrado que era de origem ilícita. Fizemos imagens aéreas de toneladas de cobre sendo queimadas em uma área de mata e de caminhões transportando os cabos para dentro da recicladora. Dali, esses cabos eram vendidos para outras recicladoras através da emissão de notas frias. Assim, eles lavavam dinheiro", explicou o delegado.
As diligências apontaram que o suspeito atuava como verdadeiro gestor financeiro do CV. O esquema usava empresas de reciclagem e ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e intensa movimentação financeira entre empresas ligadas ao grupo para conferir aparência de legalidade aos recursos oriundos do tráfico.
A investigação identificou ainda que empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais diretamente para contas do investigado e de empresas controladas por ele, funcionando como engrenagens de financiamento do narcotráfico.
As diligências apontaram que o suspeito atuava como verdadeiro gestor financeiro do CV. O esquema usava empresas de reciclagem e ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e intensa movimentação financeira entre empresas ligadas ao grupo para conferir aparência de legalidade aos recursos oriundos do tráfico.
A investigação identificou ainda que empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais diretamente para contas do investigado e de empresas controladas por ele, funcionando como engrenagens de financiamento do narcotráfico.
A DRE também apurou indícios de receptação qualificada, aquisição de materiais de origem suspeita e pulverização de recursos em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento dos valores.
Durante a apuração, equipes da especializada identificaram áreas utilizadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos vinculados ao operador financeiro, reforçando os indícios de integração das atividades ilícitas à cadeia de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.
Durante a apuração, equipes da especializada identificaram áreas utilizadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos vinculados ao operador financeiro, reforçando os indícios de integração das atividades ilícitas à cadeia de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.
"Essa organização criminosa tinha uma estrutura com núcleo operacional, núcleo empresarial e, por último, a dos 'laranjas', que davam escoamento financeiro a todo dinheiro oriundo. Toda a cadeia tinha o cobre ilícito entrando em uma falsa recicladora do Complexo de Salgueiro. A partir dali, esse material era limpado e vendido para grandes recicladoras, que emitiam notas falsas para poder justificar a movimentação financeira. O Dinheiro ilícito entrava através do Alexsandro. Ele pulveriza esse dinheiro através de diversos laranjas, a maioria homiziados dentro do Salgueiro, para poder dar liquidez. Esses laranjas são responsáveis por fazer saques e circular esse dinheiro", comentou o delegado.
Os valores movimentados pelo esquema foram identificados a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF/COAF), análises bancárias, afastamentos de sigilos fiscal, telefônico e telemático, além de cruzamentos de dados financeiros e patrimoniais realizados ao longo da investigação.
Os valores movimentados pelo esquema foram identificados a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF/COAF), análises bancárias, afastamentos de sigilos fiscal, telefônico e telemático, além de cruzamentos de dados financeiros e patrimoniais realizados ao longo da investigação.
"Ao longo de toda essa investigação, a organização criminosa movimentou mais de R$ 453 milhões. Só o Tec, em um período de quatro anos, movimentou R$ 72 milhões. A filha mais de R$ 30 milhões. Só esse núcleo do Tec, movimentou quase R$ 200 milhões", destacou Moysés.
Quem é Rabicó?
Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, de 61 anos, comanda o tráfico de drogas do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, desde o final dos anos 1990.
O traficante tem uma extensa ficha criminal e responde por crimes como associação criminosa, homicídio e roubo majorado. Investigações apontam que Rabicó, também conhecido como Coroa, é da comunidade da Mineira, na Zona Norte do Rio.
Ele chegou a ser preso em 2008, em Pernambuco, onde adquiriu uma casa e morava com a família, como empresário do setor de reciclagem. Condenado a mais de 27 anos, cumpriu pena em uma unidade prisional de segurança máxima, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, mas foi beneficiado pela Justiça e solto em 2019.
Rabicó também é conhecido por ordenar roubos a veículos na BR-101 e por aderir táticas de extorsão da milícia para conseguir obter lucros, além dos já adquiridos com a venda de drogas. Segundo relatos, ele anda cercado por seguranças e já fez diversos procedimentos estéticos na tentativa de se esconder da polícia.
Confira os nomes dos presos
1 - Carlos Roberto de Alcântara - Estava em prisão domiciliar em Minas Gerais
2 - Raquel Neves dos Santos Mendonça
3 - Eduardo da Silva Mendonça
4 - Manuel Gomes Pereira Soares - Estava em prisão domiciliar
5 - Tania Mara Dias Davila
6 - Maria Pursina Fernandes Costa - Estava em prisão domiciliar
7 - Ricardo de Lyra Ribeiro - Já estava custodiado
8 - Iure Fernando dos Santos - Já estava custodiado
9 - Cristiani de Souza da Rocha
10 - Marcelo Tozzo Evangelista
11 - Edmilson Adames
12 - Zeinab Ali Chalhoub - Prisão em Foz do Iguaçu, no Paraná
13 - Patrícia Gonçalves de Lima
14 - Guilherme Henrique Bahls - Já estava custodiado em Curitiba, no Paraná
15 - Danielle Neves da Silva
16 - Jackson Baltar - Estava em prisão domiciliar
17 - Roberto Goulart da Silva
18 - Manuel Gomes Pereira Soares - Estava em prisão domiciliar
19 - Manuel Sequeira Tavares - Estava em prisão domiciliar
20 - Bruna Paola Martins de Freitas - Presa em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul
21 - Marcelo Roberto da Silva
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