O supervisor Abelardo Silva Filho (segurando o jornal) com sua equipe no parque gráfico de BenficaÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 05/06/2026 05:00 | Atualizado 05/06/2026 06:58
Rio – Há exatos 75 anos, chegava às bancas a primeira edição de O DIA. Quase oito décadas depois e muitas transformações editoriais e gráficas, o jornal segue firme no compromisso de informar com credibilidade e responsabilidade, de forma objetiva e acessível para o leitor, valorizando, acima de tudo, o Rio de Janeiro.
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“O Jornal O DIA faz parte da história do Rio de Janeiro e da vida de milhões de cariocas. Mais do que um jornal, tornou-se ao longo das décadas uma voz popular, próxima das pessoas, acompanhando as transformações da cidade, do estado e do país. Celebrar seus 75 anos é reconhecer o trabalho de gerações de jornalistas, fotógrafos, gráficos, distribuidores e profissionais que ajudaram a construir essa marca tão querida. Vivemos um tempo de profundas mudanças na comunicação, mas continuo acreditando que credibilidade, coragem editorial e conexão verdadeira com o público permanecem insubstituíveis. O DIA segue olhando para o futuro sem perder sua essência popular, democrática e carioca”, exalta Nuno Vasconcellos, publisher e representante dos acionistas do Grupo O DIA de Comunicação.
"Celebramos esses 75 anos com orgulho, mas, acima de tudo, com senso de responsabilidade. O legado construído por O DIA nos inspira a continuar investindo em jornalismo profissional, em inovação e em novas formas de conexão com a audiência. Mais do que contar a história do Rio de Janeiro, queremos continuar ajudando a construir o seu futuro", completa o presidente do Grupo O DIA de Comunicação, Thiago Feitosa.
Data histórica  
A relação entre O DIA e o Rio de Janeiro é tão forte que, desde o ano passado, o 5 de junho de 1951, data em que o diário foi fundado, faz parte do calendário oficial do Estado, sendo celebrada anualmente. A homenagem reconhece a trajetória do jornal, reafirmando sua identificação com a cidade e o Estado do Rio.
Também em 2025, às vésperas do aniversário de 74 anos de fundação, O DIA recebeu o título de Benemérito do Estado, honraria concedida para pessoas, empresas ou instituições que prestaram serviços relevantes.
“Falar dos 75 anos do DIA é falar de história, de tradição e de conexão com o povo carioca. São décadas acompanhando de perto a vida da população, contando histórias, registrando acontecimentos importantes e fazendo parte do dia a dia de gerações de leitores. Ver um jornal chegar aos 75 anos com tanta credibilidade, respeito e carinho do público é motivo de orgulho. O Jornal O DIA faz parte da memória afetiva do Rio de Janeiro e continua tendo um papel importante na informação e na comunicação com a sociedade. No Rio de Janeiro o Jornal O DIA é leitura obrigatória para se manter informado”, analisa o o vice-presidente do Grupo O DIA, Marcos Rezende
Trajetória
Três décadas após ser fundado por Chagas Freitas, que depois viria a ser governador do Rio, o Jornal O DIA foi comprado, em 1983, pelo jornalista e empresário Ary Carvalho. Entre as décadas de 1980 e 1990, O DIA passou por amplas modernizações gráfica e editorial, o que fez a sua tiragem disparar. Aos domingos, por exemplo, mais de 1 milhão de exemplares eram vendidos. 
Outra conquista da época foi a inauguração do parque gráfico, em 1992, no bairro de Benfica, na Zona Norte, onde ocorreu um marco na história do jornalismo fluminense: a primeira publicação inteiramente colorida, conhecida como "full color". Esse modelo, que começou com 50 mil exemplares por dia, chegou a uma tiragem de cerca de 300 mil apenas um mês depois. Em 2010, a família de Ary Carvalho vendeu o jornal para o Grupo Ejesa.
Em 75 anos de história, O DIA conquistou diversas vezes os mais importantes prêmios jornalísticos do Brasil, entre eles o Esso, o Vladimir Herzog e o Embratel, além do prêmio concedido pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). 
Patrimônios
Considerado o repórter policial há mais tempo em atividade no Brasil, Luarlindo Ernesto, de 82 anos, é um patrimônio do Jornal O DIA. Contratado ainda na década de 1970, ele abastece até hoje a redação com informações preciosas. “Começou como aquele jornal sanguinolento, especializado em crimes, em desgraça. Mas passou por uma mudança editorial, dando mais ênfase aos problemas da nação, do estado, do município, falando mais do funcionalismo público,” resume Luarlindo ao lembrar a trajetória do jornal.
Outro nome fundamental na rotina da publicação é Abelardo Silva Filho, de 64 anos, que passou por diversas funções, desde que foi contratado em agosto de 1984, até assumir a supervisão da produção impressa. Ele faz questão de recordar as adaptações pelas quais a equipe precisou passar no processo de modernização do jornal, sobretudo, quanto à colorização das páginas.
“Na época da Rua Riachuelo, onde ficava a sede, era tudo preto e branco. Os leitores comentavam nas ruas que botavam o jornal debaixo do braço, e a roupa ficava suja (risos). Depois viemos para Benfica, com uma outra máquina, a Headliner, que já fazia o jornal colorido. Depois veio a News Liner, e precisamos fazer curso de inglês e viajar para os Estados Unidos para aprender a mexer. Mas ficou uma sensação de dever cumprido, foi gratificante.”
Ainda na década de 1990, mais precisamente em 1996, O DIA demonstrou mais uma vez sua capacidade de se reinventar com o lançamento do seu portal de notícias, O DIA Online. Anos mais tarde, o diário, novamente acompanhando as evoluções tecnológicas, passou a compartilhar conteúdo em redes sociais, como Facebook, Instagram, X, YouTube e Tik Tok, mantendo-se próximo a diferentes faixas etárias e perfis de leitores.
"Os 75 anos do Jornal O DIA representam muito mais do que a longevidade de uma marca. Representam a construção diária de uma relação de confiança com milhões de leitores, baseada na credibilidade, na proximidade com a população e no compromisso permanente com o jornalismo de qualidade", reforça o presidente Thiago Feitosa.
Momentos marcantes
Acontecimentos de relevância nacional e internacional sempre tiveram destaque na primeira página, como  a morte do presidente Tancredo Neves, em 1985;  a morte de Ayrton Senna, em 1994; os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001; as milhares de vítimas da pandemia de Covid-19; e o anúncio de Leão XIV como o primeiro papa norte-americano da história.
E como bom “carioca”, o Jornal O DIA não poderia deixar de dar exaltar também duas das maiores paixões do nosso povo: o futebol e o carnaval. Por isso, algumas capas ficaram para sempre, como as que noticiaram a inauguração do Sambódromo, em 1984, e o tetracampeonato da Seleção Brasileira, em 1994.
Rumo ao centenário
Muito respeitado e querido no parque gráfico, o funcionário Aberlardo revela o que projeta para o jornal nos próximos anos. “Espero que passe dos 100 anos. Quando entrei, os funcionários mais antigos diziam para eu procurar outra coisa para fazer porque o jornal não ia durar muito tempo. E estou aqui até hoje. Imagine se fosse na deles? (risos)”, diverte-se Abelardo.
Também com bom humor, Luarlindo, que acaba de lançar sua biografia, é mais um na expectativa pelo centenário: “Espero que continue nessa trajetória de guerra, de sobrevivência e contando com o esforço dos funcionários, que se tornaram amigos. Que chegue aos 100 anos. Eu não devo chegar a tanto (risos). Mas torço para o Jornal O DIA chegar.”
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