Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio já realizou mais de 3,8 mil abordagens nas ruasÉrica Martin/Agência O Dia
Publicado 01/06/2026 06:00
Rio - Nos primeiros 70 dias de atuação, a Divisão de Elite da Guarda Municipal do Rio – Força Municipal já realizou mais de 3,8 mil abordagens nas ruas da cidade sem efetuar um único disparo. Até sexta-feira (29), foram registradas 616 prisões e conduções, além da apreensão ou recuperação de 109 celulares e 90 veículos.
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Para o prefeito Eduardo Cavaliere, estes dados são resultado de uma atuação feita com inteligência, presença, planejamento, treinamento e protocolos da Polícia Rodoviária Federal. "A Força Municipal foi criada pra devolver segurança ao espaço público em apoio as forças de segurança. A Prefeitura do Rio está agindo. O modelo, baseado em gestão, planejamento e dados pode ser replicado por outros municípios que buscam reduzir os roubos e furtos nas suas ruas", detalha o prefeito em entrevista exclusiva ao DIA.
Os pontos de atuação da Força foram definidos com base em mancha criminal, análise de circulação e registro de ocorrências. "A lógica é estar presente onde o cidadão mais precisa. Não existe improviso. O resultado dessa preparação é visto no trabalho e na postura dos agentes nas ruas e também nos resultados apresentados nesses primeiros 70 dias", completa Cavaliere.
Até o fim do ano, a prefeitura garante que serão mais 600 agentes nas ruas, completando 1,2 mil na cidade. Eduardo Cavaliere compartilha que o aumento do efetivo está previsto desde o início da implementação. "Os agentes são selecionados através de concurso interno na Guarda Municipal. Eles vão atuar em diferentes regiões da cidade. Temos mapeadas 22 áreas com grandes índices de roubos e furtos e atualmente estamos em nove delas", diz o prefeito.
Na prática, a Divisão de Elite atua nas ruas com patrulhamento a pé e em viaturas, distribuídos em pontos estratégicos. As equipes utilizam armamento de uso individual, câmeras corporais e dispositivos móveis de gestão e monitoramento operacional. Os agentes também contam com equipamentos de menor potencial ofensivo, como teasers.
O secretário de Segurança Urbana no Rio, Brenno Carnevale, explica que nesses mais de 70 dias de operação a Força tem atuado com mais frequência nos roubos, furtos e receptação. "Os dois primeiros crimes são os focos de atuação da Força Municipal e a receptação acaba sendo um desdobramento deles. Temos feito muitas apreensões e recuperações de celulares roubados, com restrição de uso por furto, além de motocicletas roubadas, com placas adulteradas e utilizadas para cometimento de crimes", diz. 

Para obter os bons resultados apresentados em tão pouco tempo, a tecnologia tem sido uma aliada. Carnevale diz que todos os agentes da Força Municipal só saem da base com câmeras corporais monitorando todo o trabalho, além de um dispositivo mobile que os agentes têm acesso ao quadro de missão dirigida daquele plantão.
"Por meio desse aparelho, eles sabem exatamente a rota que devem percorrer, os horários e os comportamentos atípicos comuns naquela região. Além disso, caso a equipe saia da sua rota pré-definida, após 15 minutos, um alerta é dado da sala de monitoramento e o supervisor entra em contato imediato com o agente para verificar o motivo do desvio de missão. Os agentes estão muito bem equipados e monitorados o tempo inteiro", afirma o secretário.
Além disso, há uma integração total com a Polícia Militar, Polícia Civil e demais órgãos de segurança do estado. O secretário de Segurança Urbana explica que antes de escolher a área em que a força irá atuar, a prefeitura faz reuniões com os representantes dos batalhões, delegacias e Segurança Presente da região em questão. "O objetivo é apresentar nosso perímetro de atuação e avaliar eventuais sobreposições de efetivo, até mesmo para liberar o efetivo da PM para outras áreas ou para focar em outros tipos de crimes", diz. 
Agentes passam por treinamento rigoroso
Na corporação da Guarda Municipal desde 2019, Aimée de La Torre, Diretora-Geral da Divisão de Elite, tem a responsabilidade de estar à frente de uma tropa de 600 agentes que precisam ir para as ruas devidamente treinados. Em entrevista ao DIA, ela diz que o curso de formação dos agentes é uma etapa eliminatória e conta com mais de 500 horas de treinamento, ministradas por instrutores da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), e também por módulos desenvolvidos pela própria Prefeitura do Rio.
"Entre os conteúdos estão técnicas de abordagem, técnicas de defesa policial, armamento, munição e tiro, gerenciamento de crises, uso diferenciado da força, além do treinamento em sistemas e tecnologias utilizadas diariamente nas ruas, como câmeras corporais, dispositivo móvel de gestão operacional e procedimentos operacionais", detalha a Diretora-Geral.
Ainda segundo Aimée de La Torre, as instruções ministradas pela PRF também prepararam os agentes para a tomada de decisão em diferentes cenários, por meio da disciplina de uso diferenciado da força, permitindo que todos compreendam quando e como o armamento deve ser utilizado durante uma ocorrência.
A Diretora-Geral destaca que os bons resultados da operação se dão também na tecnologia adotada pela prefeitura. Por meio da Sala de Monitoramento Operacional, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, é possível acompanhar as atividades realizadas em solo, identificar eventuais desvios de conduta e orientar as equipes de forma imediata durante as ocorrências.
Aimée de La Torre, assim como Cavaliere, acredita que a rápida resposta operacional da Força Municipal em pouco mais de dois meses é resultado de um trabalho construído com planejamento. "Desde a sua criação, a Divisão de Elite da GM-Rio foi pensada a partir de um diagnóstico que apontou a necessidade de ações com o objetivo de atuar de forma estratégica na prevenção e no combate a roubos e furtos, sempre em complemento ao trabalho das polícias, uma vez que 50% dos crimes de roubos e furtos ocorrem em 5% do território do município", diz.
"Agora a gente se sente seguro": cariocas exaltam a atuação da Força Municipal
O prefeito Eduardo Cavaliere analisa que a receptividade dos cariocas à Divisão de Elite da Guarda Municipal – Força Municipal tem sido muito positiva. "A população vê um trabalho bem feito, em que o cidadão é tratado com respeito. Os moradores e comerciantes apoiam a presença ostensiva, porque valorizam a sensação de segurança. Os agentes ganharam a confiança dos cariocas", diz. 
Nas ruas, a visão do carioca está alinhada com a análise do prefeito. O DIA esteve na Tijuca, Zona Norte, para ouvir moradores e comerciantes sobre os impactos da Força Municipal na região. O efetivo atua no bairro desde o dia 26 de abril, das 9h às 23h, no perímetro entre a Rua São Francisco Xavier e a Praça Afonso Pena, área considerada de alta incidência de roubos e furtos.
O vendedor de água de coco Antonio Borges, de 65 anos, trabalha há 25 anos na Praça Afonso Pena e afirma que a presença das equipes mudou completamente a rotina do local. "Com eles aqui melhorou em 100% a nossa sensação de segurança. Antes ninguém podia andar com o celular na mão. Todo mundo virava alvo, criança, adolescente, adulto ou idoso. Isso aqui estava horrível. Agora o povo está saindo mais e ficando até mais tarde na praça", diz o comerciante, morador da Tijuca.
Vítima de uma tentativa de assalto há dois meses na mesma praça, a babá Carla Fernandes, de 42 anos, afirma que voltou a se sentir segura para passear com as crianças e até a usar o celular na rua. "Tentaram me assaltar aqui nesse mesmo lugar há uns dois meses. Ele só não levou o aparelho porque eu gritei 'pega ladrão'. Eu estava com o neném no colo e ainda era cedo", lembra Carla.
A sensação de segurança também é compartilhada por comerciantes antigos da Tijuca. Alexandre Dias, de 52 anos, dono do tradicional restaurante Caçador Choperia, presente na região há quase 40 anos, relata ter presenciado ao menos três prisões realizadas pelos agentes da Força Municipal neste período.
"Melhorou bastante. A Força interveio porque bateu de frente com os criminosos que praticavam assaltos o tempo todo nos arredores. Antes havia muitos roubos no sinal de trânsito e nos cruzamentos daqui. Hoje já não se escuta mais isso", afirma.
Alexandre também destaca a estratégia adotada pela Secretaria Especial de Segurança Urbana: "Essa praça tinha virado ponto de encontro de criminosos que saíam para praticar assaltos, quase sempre de bicicleta. Também havia venda e consumo de drogas. Agora isso praticamente acabou porque a presença dos agentes inibe essa movimentação", avalia.
Segundo o empresário, além da segurança, uma relação de confiança passou a ser construída entre agentes e moradores. "Hoje temos diálogo com os agentes que ficam baseados aqui. Eles não atuam só na segurança. Se alguém passa mal, eles ajudam e acionam a central. Já vimos isso acontecer algumas vezes. Existe um respeito mútuo diferente", diz Alexandre.
Enquanto conversava com a reportagem, um agente passou pelo local e o cumprimentou. O comerciante aproveitou para destacar a relação criada no dia a dia. "Está vendo? É disso que eu estou falando. São agentes preparados, instruídos, sabem lidar com a população."
O vendedor de flores Emerson Quirino, de 22 anos, que trabalha há quatro anos na Tijuca, afirma que a chegada da Força Municipal trouxe alívio para comerciantes e clientes: "Desde a chegada deles os assaltos diminuíram bastante. Esse é o primeiro mês em que trabalhamos mais tranquilos. Antes era comum acontecer assaltos aqui na frente. Uma vez uma mulher parou para fazer carinho em um gato e teve o cordão roubado por um criminoso de bicicleta."
Os taxistas Fabio Mataveli, de 48 anos, e Carlos Tito, de 53, também perceberam mudanças na segurança da região. "Isso aqui estava muito triste, mas agora deu uma aliviada. A Força Municipal está aqui todos os dias, faz revistas quando necessário e patrulhamento constante", diz Fabio. Carlos complementa: "Os criminosos escolhiam a praça para agir. Passavam de bicicleta e não respeitavam nem crianças nem idosos."
A babá Gorete Silva, de 55 anos, que trabalha há um ano na Tijuca, afirma que a rotina mudou desde a chegada do efetivo. "Acabaram os assaltos a qualquer hora e também o pessoal usando drogas. Hoje a gente se sente segura. Em um mês mudou drasticamente. As crianças podem voltar para a praça", avalia.

Desde o início da operação, em 15 de março, a sensação de segurança tem se espalhado gradualmente para outras regiões da cidade. No último dia 24, o policiamento preventivo e ostensivo foi ampliado para o entorno do Calçadão e do Bangu Shopping, na Zona Oeste do Rio. Também a partir do dia 7 de junho o novo perímetro de atuação será implantado no trecho entre a estação de trem do Méier e o Cachambi, na Zona Norte.

A expansão do policiamento acontece de forma gradual, com base na análise de manchas criminais, sendo previamente apresentada na Sala Compstat, um espaço estratégico de gestão da Prefeitura do Rio, que utiliza dados, indicadores e integra órgãos municipais para planejar ações e definir prioridades para a cidade, com foco na prevenção de crimes do dia a dia, como roubos e furtos.
A região de Bangu e Tijuca se juntam a outras em que a Força Municipal já atua na cidade: Rodoviária do Rio X Terminal Gentileza X Estação Leopoldina; Jardim de Alah; Avenida Presidente Vargas X Campo de Santana X Central do Brasil X Cinelândia; Campo Grande (estação de trem X calçadão); e Botafogo, nos perímetros da Rua Lauro Müller X Rua General Severiano X Av. Venceslau Brás; entorno do Metrô Botafogo (incluindo a Rua São Clemente, a Rua Voluntários da Pátria e transversais); e eixo da Praia de Botafogo X Rua Marquês de Abrantes (com algumas ruas do bairro do Flamengo).
O que faz e o que não faz a Divisão de Elite
Desde que começou a ser planejada, a Divisão de Elite da Guarda Municipal recebeu diretrizes precisas, entre elas:
- Policiamento preventivo e ostensivo de forma proativa;
- Atuar com base em dados, nos perímetros e horários de alta incidência de roubos e furtos;
- Trabalhar de acordo com o Quadro de Missão Dirigida - diários;
- Atuar sempre em apoio às outras forças de segurança.
O que não cabe à Divisão de Elite:
- Ações de ordenamento urbano e fiscalização de comércio ambulante;
- Retomada de territórios e combate ao crime organizado;
- Atender chamados do 190 ou do 1746 (não é uma força de resposta emergencial);
- Substituir as outras polícias;
- Investigação criminal;
- Segurança de autoridades;
- Controle de multidão.
Análise de "manchas criminais" como pilar central da Divisão de Elite
Dados levantados divulgados pela Prefeitura do Rio mostram que 65% dos cariocas consideram ter chance média ou alta de serem assaltados com violência nas ruas da cidade. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas, 50% dos roubos e furtos de rua estão concentrados em 5,3% da cidade.
Por isso, um dos pilares centrais da Divisão de Elite da Guarda Municipal – Força Municipal é a atuação territorializada, com base numa análise da "mancha criminal".
Essa análise funciona como mapa de calor do crime, que mostra os pontos mais críticos de uma cidade, com base em registros reais. A mancha criminal é construída a partir dos registros oficiais de ocorrência (roubos, furtos, etc.), horários dos crimes, dias da semana e sazonalidade, além da localização exata.
Cada área da cidade tem uma dinâmica própria de delitos, como furtos e roubos, por isso as ações são empregadas de forma estratégica, com foco nas regiões onde esses crimes mais impactam o cotidiano das pessoas.
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