Publicado 01/06/2026 07:59 | Atualizado 01/06/2026 09:06
Rio - A Polícia Civil realiza, na manhã desta segunda-feira (1º), uma operação contra um grupo investigado por aplicar um golpe milionário contra um empresário com câncer em estágio terminal. De acordo com as investigações, os suspeitos se aproveitaram da fragilidade da vítima para tomar controle de empresas e movimentar altos valores.
PublicidadeA Delegacia de Defraudações (DDEF) descobriu indícios de um sofisticado esquema, no qual o grupo atuava para assumir, indevidamente, o controle de duas empresas detentoras de precatórios de elevado valor econômico. As alterações societárias consideradas suspeitas ocorreram três meses antes da morte de Oswaldo Rodrigues Vieira Filho, que era administrador das companhias e estava com câncer avançado.
Segundo as apurações, o controle das empresas titulares desses créditos judiciais - que são requisições de pagamento expedidas pela Justiça para cobrar municípios, estados ou a União, sobre valores devidos após condenação definitiva - passou para pessoas ligadas aos investigados.
Paralelamente, novas pessoas jurídicas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento da origem e destino dos valores.
A investigação realizada por meses pela DDEF descobriu ainda indícios da utilização de documentos com assinaturas falsificadas, além da concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo investigado pouco antes da morte da vítima.
"Esse empresário era proprietário de duas pessoas jurídicas, que tinham créditos milionários oriundos de precatórios judiciais. Os alvos de hoje [segunda], a notícia que se tem, é que um deles foi beneficiário do testamento celebrado pouco antes da morte. De acordo com os médicos, ele não tinha mais a compreensão e não poderia mais manifestar sua vontade. Nós queremos entender em que circunstâncias os documentos foram lavrados, como foram assinados, em que circunstância aconteceu essa manifestação de vontade e, principalmente, em que circunstâncias essas pessoas entraram na administração do patrimônio do empresário em detrimento aos seus herdeiros", explicou o delegado Marcos André Buss, titular da especializada.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi a cessão de parte de um precatório avaliado em, aproximadamente, R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes do empresário morrer. Além disso, um testamento teria sido lavrado, cerca de duas horas antes do óbito, atribuindo a uma das investigadas o papel de testamenteira, inventariante e beneficiária do patrimônio.
Os agentes identificaram que, apenas sete dias depois que a vítima morreu, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada, valor que teria origem em créditos relacionados aos precatórios.
A DDEF busca cumprir 22 mandados de busca e apreensão no Centro e em bairro das zonas Sul, Sudoeste e Norte. A ação conta com apoio de policiais do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).
Os alvos da Operação Último Suspiro são investigados por crimes de estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. Um dos mandados é contra um policial militar.
"Sabemos que o policial militar está vinculado a uma das pessoas jurídicas que pertencia ao falecido. Ele tem uma atuação nessa empresa. Queremos descobrir a extensão dessa atuação e o vínculo dele com demais investigados", destacou o delegado.
O objetivo é descobrir as circunstâncias que os suspeitos se aproximaram do empresário e como as mudanças contratuais foram realizadas. Por isso, agentes apreenderam celulares para saber o que os investigados conversavam e qual o vínculo entre eles no momento em que os documentos foram lavrados.
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