Henry Borel tinha 4 anos quando foi brutalmente assassinado, em 2021Reprodução
Publicado 01/06/2026 16:57
Rio - O julgamento pela morte do menino Henry Borel entrou em sua reta final nesta segunda-feira (1º) com o depoimento do médico-legista Leonardo Huber Tauil, responsável pelo laudo de necropsia da criança. Penúltima testemunha a ser ouvida no II Tribunal do Júri do Rio, o perito manteve a conclusão apresentada desde o início das investigações e foi categórico ao dizer: “Não há indícios de que Henry morreu por manobras de reanimação”.
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Tauil voltou a afirmar diante dos jurados que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por laceração hepática - ruptura do fígado - decorrente de ação contundente de alta energia, além de outras lesões internas compatíveis com violência física.
"Não tenho dúvida de que a laceração hepática foi causada por ação contundente" afirmou.
Segundo ele, Henry apresentava ainda contusão no rim, pulmões e hemorragia retroperitoneal - sangramento que ocorre atrás da cavidade abdominal -, quadro que, segundo explicou, não é compatível com massagens cardíacas ou procedimentos de reanimação feitos no hospital.
Ao ser questionado pela defesa sobre a possibilidade da lesão ter sido provocada por uma queda doméstica, Tauil respondeu que esse tipo de laceração exigiria um impacto de grande intensidade.
"A laceração hepática é compatível com ação de alta energia. Uma queda só seria compatível se fosse de uma altura muito elevada" declarou.
Em outro momento, um dos jurados perguntou se Henry poderia ter sofrido a lesão antes de dormir e só ter passado mal durante a madrugada. O perito respondeu que considera essa hipótese “extremamente improvável”.
"O sangue irrita o peritônio. Isso provoca muita dor. Eu não consigo afirmar que é impossível, mas considero extremamente improvável que uma pessoa conseguisse dormir nessas condições" afirmou.
Erros em laudos e questionamentos da defesa
O depoimento desta segunda também voltou a discutir pontos explorados pela defesa ao longo do júri sobre inconsistências em versões preliminares da perícia.
Tauil confirmou que houve ajustes em laudos complementares e atribuiu divergências a lapsos de digitação. Um dos pontos discutidos foi a descrição de lesões na região nasal de Henry. Segundo ele, a redação foi corrigida posteriormente porque houve erro material na digitação.
O perito também afirmou que não teve acesso ao raio-x do hospital Barra D’Or e declarou que o exame não integrou o material analisado durante a necropsia.
Questionado sobre a entrada de familiares no IML e a existência de registros fotográficos do corpo de Henry, Tauil disse que não se recorda de ter autorizado qualquer pessoa a entrar no local ou fazer fotografias.
Em um dos momentos mais tensos da audiência, a defesa citou conversas envolvendo antigos personagens da investigação e questionou o perito sobre supostas interferências externas. Tauil respondeu que não tinha conhecimento sobre qualquer articulação ou favorecimento envolvendo o IML.
Júri se aproxima da fase decisiva
O depoimento de Leonardo Tauil foi o 21º do julgamento e deixou o processo a um passo do encerramento da fase de testemunhas. A expectativa do Tribunal de Justiça do Rio é concluir ainda nesta segunda-feira as oitivas restantes. Depois disso começam os interrogatórios dos réus: primeiro Monique Medeiros e, em seguida, Jairinho, após decisão judicial que alterou a ordem inicialmente prevista. O veredito é aguardado nos próximos dias.
Relembre o caso
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos, depois de dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca.

A denúncia do Ministério Público sustenta que Jairinho agrediu a criança dentro do apartamento onde morava com Monique, provocando lesões internas fatais, e que a mãe de Henry tinha conhecimento do contexto de agressões e não impediu a violência. Os dois respondem por homicídio triplamente qualificado e tortura.

Ao longo de mais de uma semana de julgamento, o júri reuniu médicos, policiais, peritos, ex-companheiras de Jairinho, familiares de Monique e testemunhas ligadas à investigação. O processo foi marcado por relatos de agressões anteriores, discussões técnicas sobre os laudos periciais e versões conflitantes entre acusação e defesa.

Oito dias de julgamento depois, o caso caminha para seu momento mais esperado: os interrogatórios dos réus e a decisão do Conselho de Sentença sobre um o crime.
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