Publicado 01/06/2026 18:33
Rio - O oitavo dia do julgamento pela morte do menino Henry Borel foi marcado por novos embates técnicos no plenário do II Tribunal do Júri, no Centro do Rio. Última testemunha ouvida nesta segunda-feira (1º), o médico cirurgião Jeferson Evangelista Corrêa, contratado pela defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, fez duras críticas ao prontuário médico do Hospital Barra D'Or e levantou questionamentos sobre a documentação clínica produzida durante o atendimento prestado à criança, em 2021.
"Esse prontuário está em anarquia e infringe um monte de regras", afirmou o médico diante dos jurados, ao analisar os documentos enviados pela unidade hospitalar ao processo da morte do menino.
Durante o depoimento, Jeferson disse que os registros médicos apresentados têm falhas de identificação profissional, ausência de informações cronológicas e lacunas que, segundo ele, dificultam a reconstrução precisa do atendimento ocorrido.
"Cada folha precisa ter a identificação do profissional responsável e o horário do procedimento. O mais importante em medicina é a cronologia dos eventos. E aqui isso não aparece de forma clara", declarou.
Ao ser questionado pela defesa de Jairinho, o médico afirmou que encontrou páginas sem assinatura do profissional responsável e observou que alguns registros não teriam continuidade documental. Ou seja, ele apontou a ausência de um médico responsável naquele plantão.
Em um dos trechos citados no plenário, ele mencionou anotações incompletas sobre o estado clínico de Henry e afirmou que a ausência de folhas seguintes impede a leitura integral da evolução médica.
Segundo a testemunha, o prontuário encaminhado pela unidade reúne documentos "misturados" e sem padronização. Ele também afirmou que a diretora da unidade aparece assinando documentos enviados posteriormente, embora não tivesse participado diretamente do atendimento.
O médico contou ainda que teve contato com o caso ainda em 2021, quando recebeu de um advogado ligado à família de Jairinho um pedido de avaliação técnico-médica do processo. Na época, segundo ele, analisou parte dos autos e produziu uma opinião preliminar. O contato teria sido retomado meses atrás, já durante a preparação do julgamento.
A defesa do ex-vereador usou o depoimento para reforçar questionamentos sobre a cadeia de atendimento médico e a documentação produzida no hospital antes da remoção do corpo ao Instituto Médico-Legal.
Publicidade"Esse prontuário está em anarquia e infringe um monte de regras", afirmou o médico diante dos jurados, ao analisar os documentos enviados pela unidade hospitalar ao processo da morte do menino.
Durante o depoimento, Jeferson disse que os registros médicos apresentados têm falhas de identificação profissional, ausência de informações cronológicas e lacunas que, segundo ele, dificultam a reconstrução precisa do atendimento ocorrido.
"Cada folha precisa ter a identificação do profissional responsável e o horário do procedimento. O mais importante em medicina é a cronologia dos eventos. E aqui isso não aparece de forma clara", declarou.
Ao ser questionado pela defesa de Jairinho, o médico afirmou que encontrou páginas sem assinatura do profissional responsável e observou que alguns registros não teriam continuidade documental. Ou seja, ele apontou a ausência de um médico responsável naquele plantão.
Em um dos trechos citados no plenário, ele mencionou anotações incompletas sobre o estado clínico de Henry e afirmou que a ausência de folhas seguintes impede a leitura integral da evolução médica.
Segundo a testemunha, o prontuário encaminhado pela unidade reúne documentos "misturados" e sem padronização. Ele também afirmou que a diretora da unidade aparece assinando documentos enviados posteriormente, embora não tivesse participado diretamente do atendimento.
O médico contou ainda que teve contato com o caso ainda em 2021, quando recebeu de um advogado ligado à família de Jairinho um pedido de avaliação técnico-médica do processo. Na época, segundo ele, analisou parte dos autos e produziu uma opinião preliminar. O contato teria sido retomado meses atrás, já durante a preparação do julgamento.
A defesa do ex-vereador usou o depoimento para reforçar questionamentos sobre a cadeia de atendimento médico e a documentação produzida no hospital antes da remoção do corpo ao Instituto Médico-Legal.
Em outro momento do depoimento, o Jeferson afirmou que a laceração hepática identificada no corpo da criança pode ter sido agravada pelas manobras de ressuscitação cardiopulmonar realizadas no hospital. O médico também declarou aos jurados que, na avaliação dele, as lesões descritas no processo podem ter ocorrido antes da madrugada em que Henry morreu. "Podem ter ocorrido entre 24 ou 48 horas antes. É o mais provável".
Segundo o assistente técnico, a análise feita pela defesa aponta que o menino apresentava três lesões anteriores à chegada ao hospital e outras 16 registradas durante o atendimento médico. Ao comentar especificamente a laceração no fígado, o assistente técnico disse que o ferimento poderia ter parado de sangrar inicialmente e voltado a se agravar durante as tentativas de reanimação.
"Essa lesão teria coagulado espontaneamente. Obviamente, teria algum sintoma de mal-estar, dor abdominal, enjoo e vômito. Se está coagulado e você fizer massagem cardíaca, vai fazer esse fígado sangrar".
Em seguida, ele reforçou a hipótese ao responder perguntas da defesa. "Mesmo que ela estivesse coagulada, nesse tempo de massagem, o fígado é comprimido", declarou.
Contraponto do IML e divergências técnicas
Horas antes, o plenário ouviu o perito legista Leonardo Huber Tauil, responsável pela necropsia de Henry. Ele reafirmou aos jurados a principal conclusão do laudo do Instituto Médico-Legal: Henry morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por ação contundente que causou laceração hepática.
"Não tenho dúvida", respondeu Tauil, ao ser perguntado se mantinha a conclusão de que a lesão no fígado provocou a hemorragia interna fatal.
O perito também voltou a afastar a hipótese de que manobras de reanimação tenham provocado os ferimentos descritos no laudo e afirmou que o quadro não seria compatível com massagem cardíaca. Segundo ele, havia sinais de múltiplos impactos e lesões internas em órgãos como fígado, rim e pulmão.
Ele admitiu erros de digitação em versões anteriores dos laudos, mas disse que nenhum deles alterou a conclusão sobre a causa da morte.
Júri entra na reta decisiva
O julgamento chega agora à fase mais aguardada do processo. Com o encerramento das testemunhas, a expectativa do Tribunal de Justiça é iniciar os interrogatórios de Monique Medeiros e Jairinho ainda nesta semana.
Monique será ouvida primeiro. Jairinho falará em seguida, após decisão judicial que alterou a ordem inicialmente prevista.
O júri popular teve início na semana passada e já ouviu dezenas de testemunhas de acusação e defesa, entre médicos, peritos, policiais, ex-companheiras do ex-vereador e familiares.
No sábado (31), o irmão de Monique, Bryan Medeiros, afirmou que a irmã foi orientada a mentir no primeiro depoimento prestado à polícia e negou ter visto sinais de agressão no corpo do sobrinho durante o período em que Henry frequentava a casa da família em Bangu.
Relembre o caso
Henry Borel morreu aos 4 anos, na madrugada de 8 de março de 2021, depois de chegar desacordado ao Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca.
As investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro na época concluíram que a criança foi vítima de agressões dentro do apartamento onde Monique e Jairinho estavam naquela noite.
O Ministério Público denunciou o ex-vereador e a mãe do menino por homicídio triplamente qualificado e tortura.
A acusação sustenta que Henry foi submetido a violência física e que Monique se omitiu diante das agressões. As defesas negam os crimes.
Depois de mais de cinco anos entre investigação, perícias e recursos judiciais, o processo entrou na etapa final. A previsão é de que o veredito dos jurados seja conhecido nos próximos dias.
Segundo o assistente técnico, a análise feita pela defesa aponta que o menino apresentava três lesões anteriores à chegada ao hospital e outras 16 registradas durante o atendimento médico. Ao comentar especificamente a laceração no fígado, o assistente técnico disse que o ferimento poderia ter parado de sangrar inicialmente e voltado a se agravar durante as tentativas de reanimação.
"Essa lesão teria coagulado espontaneamente. Obviamente, teria algum sintoma de mal-estar, dor abdominal, enjoo e vômito. Se está coagulado e você fizer massagem cardíaca, vai fazer esse fígado sangrar".
Em seguida, ele reforçou a hipótese ao responder perguntas da defesa. "Mesmo que ela estivesse coagulada, nesse tempo de massagem, o fígado é comprimido", declarou.
Contraponto do IML e divergências técnicas
Horas antes, o plenário ouviu o perito legista Leonardo Huber Tauil, responsável pela necropsia de Henry. Ele reafirmou aos jurados a principal conclusão do laudo do Instituto Médico-Legal: Henry morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por ação contundente que causou laceração hepática.
"Não tenho dúvida", respondeu Tauil, ao ser perguntado se mantinha a conclusão de que a lesão no fígado provocou a hemorragia interna fatal.
O perito também voltou a afastar a hipótese de que manobras de reanimação tenham provocado os ferimentos descritos no laudo e afirmou que o quadro não seria compatível com massagem cardíaca. Segundo ele, havia sinais de múltiplos impactos e lesões internas em órgãos como fígado, rim e pulmão.
Ele admitiu erros de digitação em versões anteriores dos laudos, mas disse que nenhum deles alterou a conclusão sobre a causa da morte.
Júri entra na reta decisiva
O julgamento chega agora à fase mais aguardada do processo. Com o encerramento das testemunhas, a expectativa do Tribunal de Justiça é iniciar os interrogatórios de Monique Medeiros e Jairinho ainda nesta semana.
Monique será ouvida primeiro. Jairinho falará em seguida, após decisão judicial que alterou a ordem inicialmente prevista.
O júri popular teve início na semana passada e já ouviu dezenas de testemunhas de acusação e defesa, entre médicos, peritos, policiais, ex-companheiras do ex-vereador e familiares.
No sábado (31), o irmão de Monique, Bryan Medeiros, afirmou que a irmã foi orientada a mentir no primeiro depoimento prestado à polícia e negou ter visto sinais de agressão no corpo do sobrinho durante o período em que Henry frequentava a casa da família em Bangu.
Relembre o caso
Henry Borel morreu aos 4 anos, na madrugada de 8 de março de 2021, depois de chegar desacordado ao Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca.
As investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro na época concluíram que a criança foi vítima de agressões dentro do apartamento onde Monique e Jairinho estavam naquela noite.
O Ministério Público denunciou o ex-vereador e a mãe do menino por homicídio triplamente qualificado e tortura.
A acusação sustenta que Henry foi submetido a violência física e que Monique se omitiu diante das agressões. As defesas negam os crimes.
Depois de mais de cinco anos entre investigação, perícias e recursos judiciais, o processo entrou na etapa final. A previsão é de que o veredito dos jurados seja conhecido nos próximos dias.
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