Monique Medeiros é interrogada nesta terça-feira (2)Reginaldo Pimenta / Arquivo O Dia
Publicado 02/06/2026 12:46
Rio - Ao ser interrogada no Tribunal do Júri nesta terça-feira (6), Monique Medeiros, ré pela morte do filho Henry Borel, relatou diferentes episódios de agressão de Jairinho contra o menino. Contudo, ela destacou que não imaginava a gravidade dos casos.
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O nono dia de julgamento começou por volta das 10h30 com o interrogatório de Monique. Segundo a mãe, a relação entre o companheiro e o filho mudou a partir de um episódio de "abraço apertado", citado por Leniel - pai do menino. 
"A repulsa começou no dia que o Leniel [pai do menino] trouxe o Henry e ele pediu para o Jairo não abraçar mais. Quando a gente se mudou, houve um evento que o Jairo estava na sala com o Henry e eu na cozinha. Foi mais ou menos na época do abraço. O Jairo deu uma 'banda' e uma 'moca' no Henry, que veio correndo dizendo 'Mamãe, vou te contar tudo'. Eu perguntei o que tinha acontecido e o Jairo disse que só segurou o braço dele, dado uma banda, mas ele nem caiu", disse Monique, que revelou ter pedido para o ex-vereador não fazer mais isso.
Um episódio de agressão teria ocorrido em 2 de fevereiro de 2021, quando Henry teria relatado dores no joelho para a babá, Thayná de Oliveira Ferreira. Ao ser questionada sobre ter sido avisada perante esse caso, Monique negou.
"Ela não me contou em nenhum momento que o meu filho havia sofrido qualquer tipo de violência. Se ela tivesse contato eu não ia deixar o meu filho ficar junto com o Jairo", contou.
Em relação a suposta agressão do dia 12 de fevereiro - quando Henry saiu do quarto mancando - Monique afirmou que disse para babá não deixar o filho junto com o padrasto, pois lembrou do episódio da banda e da moca. Contudo, a mãe pensou apenas que o filho havia sido ofendido e não agredido.
"Ela falou que o Jairo chegou mais cedo em casa e isso era atípico. Ele sabia que eu estava no salão. Se ele tivesse me avisado, eu teria ficado em casa para esperá-lo. Jairinho sabia que eu não queria que ele ficasse sozinho com o Henry. Na minha cabeça, o problema seria algo que o Jairinho pudesse falar e ofendesse meu filho. Até então, não sabia de agressão. Nunca poderia imaginar que ele passou por uma sessão de tortura. Em nenhum momento imaginei que fosse agressão", relatou.
Monique disse que não sabia da gravidade das agressões contra o filho. "Não percebi que o Henry estava mancando. Hoje, depois de mensagens recuperadas, testemunhas, ex-namoradas, acredito que houve a agressão com meu filho dentro do quarto. Naquela época, eu não percebi", comentou.
Violência contra ela
Ainda durante o interrogatório, a ré revelou ter sido enforcada pelo companheiro. Uma ex-namorada de Jairo já havia contado para ela sobre comportamentos agressivos.
"Ele ficou com raiva porque viu no meu celular que eu tinha chamado o Leniel de Lê e ele tinha me chamado de Nique. Eu pedi para ele [Jairo] parar [de enforcar] porque o Henry sempre dormiu comigo, do meu lado. O Jairo tinha ingerido álcool. Eu disse que, se quisesse voltar com o Leniel, eu estaria com o Leniel. No dia seguinte, ele pediu desculpas, disse que havia ingerido álcool, que eu não atendi a ligação dele. Acreditei que fosse uma situação isolada, porque nunca havia acontecido antes", disse.
Até às 12h45, Monique continuava sendo questionada.
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