Publicado 03/06/2026 13:33 | Atualizado 03/06/2026 14:11
Rio - O assistente de acusação Cristiano Medina disse, durante o décimo dia do julgamento do caso Henry Borel, que uma possível omissão de Monique Medeiros não pode passar impune de condenação. Na manhã desta quarta-feira (3), começou o debate final entre defesas e acusação. A previsão é de que seja o último dia antes da decisão dos júris de condenar ou inocentar os réus.
Publicidade"Tenho dó da Monique. Ela é uma mãe, mas ela foi omissa. Isso não pode passar impune. Quando ela sair, tenho certeza que vai ser ressocializada. O Jairo não. Duvido que esse príncipe das trevas sairá de dentro dele. Outras crianças poderão ser vítimas do Jairo", discursou.
Medina afirmou que Monique se uniu a Jairinho por causa de dinheiro e de status. Por isso, ela não teria denunciado as agressões.
"Logo no comecinho de namoro, o Jairo pulou o muro e agrediu ela ao lado do filho. Ela não era apaixonada, não era dependente. Por que ela minimizou a situação? Ela sabia que o Jairo era agressivo ou não? Monique veio a saber o preço de ser 'Princesa de Bangu', ela quis pagar o preço para ser", comentou.
O assistente de acusação ainda ressaltou que Jairinho sabia como não deixar marcas no corpo de Henry, pois ele era médico.
"Sabe como bater. O Jairo agredia crianças na clandestinidade para satisfazer não sei que prazer absurdo que ele tem. Tinha que ajoelhar e agradecer por não estar sendo julgado no Texas, nos Estados Unidos. Senão, a pena dele não seria de 10 ou 20 anos. A pena dele seria a morte", disse.
Primeiro a discursar no plenário nesta quarta, o promotor Fábio Vieira iniciou sua fala destacando que a vida pessoal dos envolvidos não deve ser levada em consideração, mas sim as informações relativas à morte de Henry. Ele destacou um sentimento de culpa de Monique por causa do óbito do filho e lembrou situações citadas por ela, como agressões sofridas no relacionamento com Jairo, ciúmes e mensagens de ex-namoradas sobre comportamentos agressivos. As lembranças ocorreram para justificar que a mulher, mesmo ciente disso, deixou de agir contra o companheiro.
"Ninguém que enxerga isso tudo vai falar que ele [Jairo] era 'acima de qualquer suspeita'. Isso não existe. A Monique diz que não tem dúvidas de que Jairo tem traços de psicopata, mas a Monique é uma pessoa com traços de narcisismo, megalomania. Ela fala que o Henry não poderia ter melhor mãe do que ela. Qualquer um diria: 'Vacilei com meu filho. Não enxerguei os sinais. Se quiserem me condenar, me condenem'. O Henry fala para o pai que o tio deu um abraço forte. O Leniel [pai do menino] externaliza isso para a mãe. O Henry dá a dica de algo que o incomoda. Quando a gente se debruça sobre o processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe, para que ele fosse salvo, mas essa mãe ignora todos", discursou Vieira.
A expectativa é que a decisão sobre condenar ou inocentar os réus saia no fim da noite desta quarta-feira (3).
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