Publicado 22/06/2026 06:00 | Atualizado 22/06/2026 08:10
Rio - Depois de 12 anos, Roberto Salles foi eleito novamente reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), cargo que já havia ocupado de 2006 a 2014. Em entrevista ao DIA, o professor titular do Instituto Biomédico, que terá Luciana de Freitas como vice, detalha quais são os objetivos e prioridades do seu mandato durante o quadriênio 2026-2030, após tomar posse, em novembro deste ano. Ele ainda revela qual legado pretende deixar na comunidade acadêmica, incluindo a sede, em Niterói, e campi em outros municípios.
Publicidade"Quero que lembrem que mesmo em dificuldades, nós podemos nos reinventar e fazer a universidade crescer, melhorar. Melhorar a vida das pessoas. [...] Melhorar não só a vida [dos estudantes], mas visitantes, técnicos administrativos, professores, prestadores de serviço e a população", diz o novo reitor.
"A UFF tem que ser bem recebida pela população. Mas para isso, precisa se fazer presente no seu trabalho. Poder melhorar a universidade um pouco nesses quatro anos e entregá-la melhor para outra pessoa que vai assumir no futuro é o que pretendemos".
Salles também demonstra o desejo de evitar um eventual retrocesso na universidade: "A UFF tem que andar para frente em todas as suas áreas e ser uma universidade mais conhecida pela nossa população e também amada por todos. É essa a marca que eu e a professora Luciana pretendemos deixar", revela ele, mencionando a vice, que também é professora do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem e da Faculdade de Educação (FEUFF), onde é vice-diretora.
Prioridades
O reitor explica que, assim que tomar posse, a prioridade é checar como está a situação, principalmente orçamentária, da instituição. "Em primeiro lugar, nós temos que fazer um diagnóstico da situação que se encontra a UFF hoje", afirma Salles.
Também está no topo da lista de metas a conclusão das obras de dois prédios dos cursos de Química e Farmácia, que ficaram pendentes da atual gestão, de Antonio Claudio Nobrega. Além disso, Salles planeja avançar na melhoria da qualidade do ensino de graduação, pós-graduação e da pesquisa da universidade.
O reitorado visa ainda às políticas de combate à evasão, ou seja, quando o estudante deixa a universidade antes de se formar. "[Precisamos] correr atrás de mais recursos para assistência estudantil, porque está havendo um grande número de evasão de estudantes em todas as universidades e na UFF também. E isso interfere com o que nós chamamos de 'taxa de sucesso', que é o número de alunos que se formam".
O diálogo aberto com a comunidade também está no radar. "Nós temos que ouvir todos os segmentos, temos que abrir canais, mostrar os números que tem na UFF. [...] E também não ter um PDI [Plano de Desenvolvimento Institucional] fictício. É obrigatório nas [faculdades] públicas e privadas. [...] Nós temos que, novamente, trazer esse plano para uma discussão, para dizer quais são as prioridades da universidade", analisa.
'A UFF é uma só'
Além da sede principal, a universidade está em Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Macaé, Nova Friburgo, Petrópolis, Rio das Ostras e Santo Antônio de Pádua. Roberto relembra a expansão durante o antigo mandato em 2006-2014, destacando que pretende buscar melhorias para todos os campus.
"Quando nós levamos a UFF para oito municípios, esperávamos que as pessoas que ficaram esses 12 anos tivessem resolvido o problema da alimentação dos estudantes nessas regiões... o restaurante, transporte, com o BusUFF [ônibus] - que foi criado na nossa gestão -, mas não houve nada disso. Não vamos ficar reclamando, nós vamos ter que dar uma solução para levar o que tem em Niterói para as unidades fora de sede. E é isso que nós vamos fazer, tratar todo mundo. Porque a UFF é uma só".
Para o reitor, o destaque da instituição é justamente a presença em vários municípios. "O diferencial da UFF [é que] ela abraçou um monte de municípios, ela leva desenvolvimento social e econômico, leva projetos. Ela tem uma interação muito grande com o município de Niterói e todos os outros municípios. [...] E é uma Universidade que não é só ensino, pesquisa, extensão e assistência, é também arte e cultura".
Centro de Artes
A UFF também conta com o Centro de Artes, localizado no bairro Icaraí, em Niterói, composto por cinema e teatro. A cultura, assegura Salles, será valorizada no seu mandato: "Ela é fundamental".
Ainda segundo o professor, durante a administração anterior foram realizados acordos com a prefeitura para a construção de novos módulos no cinema, mas os trabalhos não foram finalizados. "A acústica lá é terrível. Isso aí vai ter que ser visto. [...] Ficou uma obra incompleta. Isso vai ter que ser terminado", afirma ele.
Hospital
Fundado em 1951 e incorporado à UFF em 1964, o Hospital Universitário Antônio Pedro é fundamental para estudantes de medicina, enfermagem, odontologia, psicologia e outras áreas. De acordo com Roberto, nos últimos anos não houve muitos investimentos, algo que pretende mudar. "Não teve mais concurso para o quadro de funcionários estatutários. O hospital diminuiu de leitos, hoje só tem 100, mesmo equipado e reformado".
"O espaço dos estudantes do ensino no hospital diminuiu e nós vamos ter que rever isso. [...] Nós temos que ter na mente que nós somos um hospital universitário, antes de qualquer coisa, antes de dar um atendimento à população. Então, é nisso que nós vamos investir. Um hospital universitário de ensino, de pesquisa, de extensão e de assistência", ressalta.
"O espaço dos estudantes do ensino no hospital diminuiu e nós vamos ter que rever isso. [...] Nós temos que ter na mente que nós somos um hospital universitário, antes de qualquer coisa, antes de dar um atendimento à população. Então, é nisso que nós vamos investir. Um hospital universitário de ensino, de pesquisa, de extensão e de assistência", ressalta.
'Prata da Casa' e 'Memória da UFF'
No novo reitorado, o professor planeja continuar antigas políticas e reimplementar os programas "Prata da Casa" e "Memórias da Universidade Federal Fluminense". "Tudo que estiver funcionando bem, nós vamos continuar. O que não estiver, nós vamos mudar. Por exemplo, nós vamos reativar o programa Prata da Casa, que são os egressos. Pretendemos fazer uma associação [com antigos alunos da UFF]. Nós tínhamos um programa, Memórias da Universidade Federal Fluminense. Nós vamos resgatar, porque a memória tem que prevalecer".
Cotas para transgêneros
Em 2024, a UFF fez história ao se tornar a primeira instituição federal de ensino superior do Estado a aprovar cotas para transgêneros, que são pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento. Roberto recorda a implementação do nome social em 2013, ressaltando o apoio às políticas a favor da comunidade LGBTQIAPN+.
"Fui um dos primeiros reitores a implantar o nome social em 2013. [...] Entendo perfeitamente o momento do país, as transformações. E as pessoas têm direito de ser o que quiserem. Então nós vamos apoiar todas as políticas afirmativas para justamente representar a população do nosso país".
Maior problema da UFF e busca de recursos
O reitor aponta que o maior problema que a UFF enfrenta, assim como outras universidades, é o reajuste incorreto do orçamento proporcional ao tamanho das instituições. "O governo fez a expansão. O orçamento tinha que ser corrigido bem acima da inflação e não foi. Houve uma perda de recursos".
O reitor aponta que o maior problema que a UFF enfrenta, assim como outras universidades, é o reajuste incorreto do orçamento proporcional ao tamanho das instituições. "O governo fez a expansão. O orçamento tinha que ser corrigido bem acima da inflação e não foi. Houve uma perda de recursos".
Para solucionar a questão, Salles pretende buscar investimentos com órgãos que financiam pesquisas, recursos e projetos com ministérios e mais medidas. Além disso, não descarta a possibilidade de parceria com os munícipios.
"Vamos procurar cada prefeito onde a UFF estiver presente. Porque a universidade leva desenvolvimento social e econômico. E vamos fazer parcerias justamente para ajudar o município e para ajudar também nossos estudantes, técnicos e professores".
"Vamos procurar cada prefeito onde a UFF estiver presente. Porque a universidade leva desenvolvimento social e econômico. E vamos fazer parcerias justamente para ajudar o município e para ajudar também nossos estudantes, técnicos e professores".
Chapa 2
Roberto relembra como surgiu a parceria com a futura vice-reitora, com quem formou a Chapa 2 - vitoriosa no segundo turno das eleições contra a Chapa 1, composta por Fabio Passos e Claudete Cardoso.
"Passei a ver os discursos da professora Luciana no CEPEx [Conselho de Ensino e Pesquisa de Extensão]. E eu achei muito interessante o modo que ela falava, o conhecimento que ela tinha. [...] Fomos conversando e fomos montando a ideia de fazer uma chapa para ter na reitoria a área de saúde e educação", destaca.
Salles, então, fala sobre a importância de uma vice-reitora com viés na licenciatura. "E ela, especificamente, trabalha com as licenciaturas, que é muito forte na universidade e nunca teve uma pessoa que eu lembre que tenha saído da educação, mas com viés para as licenciaturas. Isso aí é importante, porque o que o Brasil precisa é da boa formação dos professores, que são oriundos de onde? Das licenciaturas".
UFF
A Universidade Federal Fluminense (UFF) foi criada em 18 de dezembro de 1960. Aos 75 anos, a instituição conta - incluindo todos os campi e alunos da graduação e pós - com mais de 84 mil estudantes, além de cerca de cerca de 6 mil servidores.
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