Publicado 11/06/2026 11:19 | Atualizado 11/06/2026 13:23
Rio - Três policiais civis foram presos em uma operação, realizada nesta quinta-feira (11), contra a criação e o comércio ilegal de loteamentos no Parque Estadual da Pedra Branca, formado por bairros das zonas Oeste e Sudoeste. A ação ainda teve como alvos um delegado da Polícia Civil e um policial militar.
PublicidadeDurante a operação, a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão contra acusados de envolvimento no esquema. Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas.
O órgão prendeu Milton de Souza Junior, apontado como líder do grupo, e os policiais civis Marcos Eduardo Maia, Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado. Os agentes fizeram buscas no bairro de Copacabana, na Zona Sul; na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste; em Olaria e Magalhães Bastos, na Zona Norte; e em Realengo e Jardim Sulacap, na Zona Oeste.
De acordo com a denúncia, centenas de vítimas foram atraídas pela falsa promessa de adquirir um terreno regularizado para construir casas próprias, em uma área verde e arborizada, na zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca.
Segundo as investigações, Milton Junior passava-se por dono de terras na região, promovia o parcelamento irregular dos terrenos e vendia os lotes. Para enganar os compradores, usava falsos corretores de imóveis, empresas de fachada e "laranjas" para receber os valores pagos.
As apurações também revelaram que a estrutura criminosa era sustentada pela corrupção de agentes públicos, por vínculos com a milícia da Zona Oeste e por práticas violentas. De acordo com o MPRJ, a quadrilha contava com policiais, em desvios de conduta, para conseguir informações privilegiadas, dificultando o avanço das investigações.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema), ambos do Ministério Público, identificaram conversas em que os denunciados discutiam a execução de milicianos rivais.
Segundo os investigadores, dados contidos no celular do policial civil Marcos Eduardo Maia confirmaram os crimes e também revelaram que o esquema de corrupção envolvendo agentes da 35ª DP (Campo Grande) era contínuo e duradouro.
Segundo os investigadores, dados contidos no celular do policial civil Marcos Eduardo Maia confirmaram os crimes e também revelaram que o esquema de corrupção envolvendo agentes da 35ª DP (Campo Grande) era contínuo e duradouro.
A denúncia apontou que Marcos fazia a interlocução com outros policiais envolvidos, como Marcello e Leonardo, responsáveis por levantar informações de interesse da organização. Já o PM Wendel Vale de Oliveira tinha como função ceder maquinário, especialmente escavadeiras, para o grupo.
Além deles, foram denunciados "laranjas", falsos corretores de imóveis e proprietários de máquinas usudas nas obras. Um delegado da Polícia Civil, até o momento na condição de investigado, também foi alvo desta operação.
O prejuízo é estimado em mais de R$ 846 mil, além de danos ambientais causados pela atuação do grupo. O Ministério Público solicitou o sequestro de bens dos denunciados e a suspensão do exercício das funções públicas. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital.
A ação desta quinta contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria-geral da Polícia Militar.
Questionada, a Polícia Civil informou que a Corregedoria já instaurou procedimento disciplinar para apurar a conduta funcional dos envolvidos.
"A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno e correção voltados à apuração de irregularidades, colaborando com demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade", disse em nota.
Também procurada, a Polícia Militar destacou que equipes da Polícia Judiciária Militar apreenderam materiais de interesse da investigação sobre o 1º Sargento Wendel Vale de Oliveira, incluindo a arma acautelada a ele, munições, colete balístico, aparelho celular e valores em espécie. A medida judicial cumprida em relação ao agente foi exclusivamente um mandado de busca e apreensão, não havendo determinação de prisão até o momento.
"A Corporação, por intermédio de sua Corregedoria-Geral, vem colaborando de forma ativa com os órgãos responsáveis pela investigação. Paralelamente, o policial militar já responde a procedimento apuratório instaurado pela área correcional da PMERJ, que acompanha os fatos e adotará as medidas administrativas cabíveis à luz dos elementos produzidos pelas investigações", afirmou.
"A Corporação, por intermédio de sua Corregedoria-Geral, vem colaborando de forma ativa com os órgãos responsáveis pela investigação. Paralelamente, o policial militar já responde a procedimento apuratório instaurado pela área correcional da PMERJ, que acompanha os fatos e adotará as medidas administrativas cabíveis à luz dos elementos produzidos pelas investigações", afirmou.
Área gigantesca
Localizado entre as zonas Oeste e Sudoeste, o Parque Estadual da Pedra Branca é considerado um dos maiores parques urbanos do mundo, ocupando cerca de 10% da área total do município do Rio.
Possui cerca de 12.500 hectares de área coberta por vegetação típica da Mata Atlântica. O Maciço da Pedra Branca circunda os bairros Jacarepaguá, Taquara, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Padre Miguel, Bangu, Senador Camará, Jardim Sulacap, Realengo, Santíssimo, Campo Grande, Senador Vasconcelos, Guaratiba e Barra de Guaratiba.
O parque tem sede com centro de visitantes e uma exposição permanente na Estrada do Pau da Fome, na Taquara.
No núcleo Piraquara, com entrada pela Rua do Governo, em Realengo, há uma área com brinquedos para crianças, poços refrescantes e acesso às vias de escaladas, além da Cachoeira do Barata, única disponível para banho.
No núcleo Camorim, há uma trilha de aproximadamente 4 km com belas paisagens até o açude, no alto do parque. A entrada é pela Estrada do Camorim.
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