Publicado 11/06/2026 21:02 | Atualizado 11/06/2026 21:44
Rio - O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) manteve a condenação de Cristiano da Silva Lacerda pelos assassinatos de Geraldo Pereira Coelho e Osélia da Silva Coelho, pais do ex-namorado dele, Felipe da Silva Coelho. A decisão é da desembargadora Maria Sandra Kayat Direito, da 1ª Câmara Criminal.
PublicidadeA defesa buscava anular o julgamento alegando supostas irregularidades no processo, entre elas inépcia da denúncia, falhas na cadeia de custódia das provas, cerceamento de defesa por alegada amnésia do réu, nulidade do laudo de insanidade mental e ausência de dolo em razão do consumo de álcool e medicamentos. Todos os argumentos foram rejeitados pela magistrada.
Na decisão, o tribunal manteve a perda do cargo público de capitão da Marinha e a indenização mínima de R$ 200 mil por danos morais aos familiares das vítimas. Houve apenas uma redução parcial da pena, após a exclusão de uma circunstância judicial considerada inadequada na dosimetria. Com isso, a condenação passou de 80 para 72 anos de reclusão, sem alteração do entendimento sobre a responsabilidade criminal do réu.
A desembargadora destacou que os exames realizados concluíram que Cristiano possuía plena capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos e que não ficou comprovado que a ingestão de álcool ou medicamentos fosse suficiente para afastar a responsabilidade penal.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 24 de junho de 2022, em um apartamento no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Segundo as investigações, Cristiano da Silva Lacerda não aceitava o fim do relacionamento com Felipe da Silva Coelho e decidiu matar os pais dele para provocar sofrimento ao ex-companheiro.
Na ocasião, Geraldo Pereira Coelho, de 73 anos, e Osélia da Silva Coelho, de 72, foram atacados a facadas enquanto dormiam. O casal, que morava em Fortaleza, estava no Rio de Janeiro visitando o filho.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, após cometer o crime, Cristiano ligou para Felipe afirmando que os pais dele estariam passando mal. Ao chegar ao imóvel, Felipe encontrou os dois mortos. O oficial da Marinha foi preso em flagrante e permanece detido desde então.
Condenação no júri
Em dezembro de 2025, o III Tribunal do Júri da Capital condenou Cristiano pelos dois homicídios qualificados. O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além da causa de aumento de pena pelo fato de os crimes terem sido praticados contra pessoas idosas.
Na sentença, a Justiça também determinou a perda do cargo de capitão da Marinha e o pagamento de indenização aos familiares das vítimas. Com a decisão da 1ª Câmara Criminal, a condenação foi mantida, restando apenas o recálculo da pena para 72 anos de prisão.
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