Bia Pacheco Divulgação/ FERNANDA SABENCA
Publicado 15/06/2026 07:00
RIO- Prestes a completar um mês à frente da Secretaria da Mulher e de Políticas Inclusivas do Estado do Rio de Janeiro, Bia Pacheco aposta na integração entre acolhimento social, proteção às mulheres e ampliação das políticas de inclusão como eixo central da gestão. Em meio aos desafios relacionados à violência de gênero, à desigualdade social e à falta de acessibilidade, a secretária defende que o fortalecimento da autonomia financeira feminina, da empregabilidade e da presença do estado nas regiões mais vulneráveis é fundamental para transformar políticas públicas em ações concretas.

Entre as iniciativas em desenvolvimento, ela anuncia que a pasta trabalha, em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Rio Ônibus, no lançamento de uma grande campanha contra a importunação sexual nos coletivos, que deverá ser lançada ainda neste semestre.

Nesta entrevista, a secretária fala ainda sobre os planos da pasta, os desafios da nova estrutura da secretaria e a construção de uma rede mais ampla de proteção, inclusão e geração de oportunidades no estado.

DIA - Como a senhora define o principal objetivo da Secretaria da Mulher e de Políticas Inclusivas neste momento?
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BIA PACHECO - Nosso principal objetivo é não deixar nenhuma política pública e nenhum direito conquistado pelas mulheres e pelas pessoas com deficiência retrocederem ou perderem importância. Queremos seguir transformando essas políticas em melhorias concretas na vida das pessoas. Estamos trabalhando para fortalecer a proteção das mulheres, ampliar oportunidades e garantir inclusão real para pessoas com deficiência e outros grupos historicamente invisibilizados.

A secretaria passou por uma reestruturação recente. O que muda na prática?
A mudança permite integrar e potencializar políticas que antes estavam dispersas. Nosso plano é atuar de forma mais ampla, conectando acolhimento, proteção social, capacitação, empregabilidade e inclusão. Isso dá mais eficiência e mais alcance às ações do estado.

O combate à violência contra a mulher continua sendo prioridade?
Sem dúvida. Enfrentamos a violência com firmeza, acolhimento e foco nas vulnerabilidades de cada grupo. Na palma da mão, o App Rede Mulher garante socorro rápido com botão de emergência e delegacia on-line. Para fortalecer a rede local, criamos o Impulso Mulher RJ junto ao SEBRAE, capacitando gestoras da Região Metropolitana e Baixada Fluminense como catalisadoras de transformação em seus territórios. Nas ruas, o Ônibus Lilás leva serviços gratuitos de proteção, orientação jurídica, documentação e empregabilidade direto à população. Essa atuação itinerante nos permite dar visibilidade a uma realidade silenciosa: a violência contra mulheres com deficiência. Com a clareza de que inclusão também é proteção, vamos rodar o estado com o CapaCidades, preparando profissionais para acolher essas meninas e mulheres desde a escola, rompendo o isolamento que as torna ainda mais vulneráveis.

Quais são os maiores desafios encontrados atualmente?
Ainda existe muita desigualdade social, econômica e estrutural. Muitas mulheres vivem ciclos de violência ou dependência financeira. No campo da inclusão, o desafio é combater barreiras invisíveis, principalmente no acesso ao mercado de trabalho, educação e mobilidade.

A independência financeira da mulher é um tema recorrente na secretaria. Por quê?
Porque a autonomia muda vidas. Uma mulher economicamente independente tem mais condições de romper ciclos de violência, cuidar da própria família e conquistar liberdade. Por isso, estamos investindo em capacitação, empreendedorismo e acesso a oportunidades. Exemplos disso são a parceria que firmamos com a ESPM, que vai oferecer 400 bolsas de estudo para mulheres, um projeto que pode ser ampliado para 1.000 vagas, e a Mentoria Mulher+ Perto de Você. Esse programa tem polos de atendimento no Pavão-Pavãozinho/Cantagalo e em Manguinhos, e oferece orientação prática para mulheres empreendedoras, ajudando a identificar desafios, construir soluções e fortalecer seus negócios por meio da escuta, acolhimento e troca de experiências.

A secretaria pretende ampliar programas voltados ao empreendedorismo feminino?
Sim. Queremos criar mais caminhos para que mulheres empreendedoras tenham acesso à qualificação, crédito e incentivo. Muitas mulheres sustentam suas famílias com o próprio negócio e precisam do apoio e da orientação do poder público.

A secretaria também trabalha em novas iniciativas voltadas à proteção das mulheres no dia a dia? Existe algum projeto nessa área em desenvolvimento?
Sim. Estamos construindo, em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Rio Ônibus, uma campanha de grande impacto contra a importunação sexual nos ônibus. A ideia é reforçar que existem canais seguros de denúncia, conscientizar os passageiros de que isso é crime e capacitar os profissionais do setor rodoviário para um acolhimento imediato e seguro. Os detalhes técnicos ainda estão sendo finalizados, mas a expectativa é lançar essa iniciativa ainda neste semestre.

Como a pauta da inclusão entra nesse planejamento? Pode explicar mais sobre a importância de unir as pautas da mulher e das políticas inclusivas em uma mesma secretaria?
Falar de inclusão é falar de acolhimento, dignidade, acesso a direitos e combate às desigualdades. Ela precisa estar presente em tudo, em especial quando falamos de emprego, educação, saúde ou mobilidade. E também quando o assunto é a Mulher, uma vez que também precisamos cuidar da mulher com deficiência. Na verdade, existe uma conexão direta entre essas pautas. Agora, com essa integração, fortalecemos a capacidade do estado de atender quem mais precisa. E vamos avançar nas duas pautas, tanto a das mulheres quanto a das pessoas com deficiência, com políticas e cuidados que são fundamentais para uma sociedade mais justa, entendendo as particularidades de cada lado e as características que unem as duas lutas por direitos.

E a senhora acredita que o Rio de Janeiro avançou nessas pautas nos últimos anos?
Houve avanços importantes, mas ainda temos muito trabalho pela frente. O mais importante é garantir continuidade nas políticas públicas e ampliar o alcance das ações para chegar a mais pessoas.

Qual legado a senhora deseja construir à frente da secretaria?
Quero deixar uma secretaria mais humana, mais próxima das pessoas e mais eficiente. Nosso compromisso é garantir que mulheres e pessoas com deficiência sejam vistas, acolhidas e tenham oportunidades reais.

Qual mensagem a senhora deixa para as mulheres fluminenses e para as pessoas com deficiência no estado?
Que nenhuma mulher ou pessoa com deficiência não estão sozinhas. O estado é, e continuará sendo, uma rede firme de apoio, proteção e oportunidade para garantir dignidade e autonomia a todas. Assumo aqui um compromisso inegociável: enquanto o feminicídio existir, o nosso trabalho não acaba. Vamos combater a violência com tolerância zero, dando atenção especial à alarmante e silenciosa violência praticada contra a mulher com deficiência. Unificar as nossas pautas nos dá exatamente a força necessária para agir de forma integrada, acolher quem mais precisa e romper definitivamente os ciclos de abuso em todo o estado.
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