Deputado Val Ceasa falou com a imprensa na porta da AlerjÉrica Martin/Agência O DIA
Publicado 18/06/2026 09:06 | Atualizado 18/06/2026 11:50
Rio - O deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos (PRD/RJ), conhecido como Val Ceasa, é alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil, nesta quinta-feira (18), que apura a ligação de agentes públicos com a facção Terceiro Comando Puro (TCP). Também são investigados o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins, além de um ex-assessor parlamentar.
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Até o momento, já foram apreendidos R$ 341 mil em espécie, cinco armas, 11 aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e diversas munições. Além disso, os agentes também prenderam em flagrante Suelen Silva dos Reis, ex-mulher do ex-vereador Zico Bacana, assassinado a tiros em 2023, e Michael Jhonny Vianna de Azevedo, assessor do deputado, ambos por porte ilegal de arma. Os dois mantêm um relacionamento.
Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Entre os endereços estão a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Ceasa e outros pontos na capital e no Espírito Santo. A decisão ocorreu por determinação do procurador-geral de Justiça do estado, Antonio José Campos Moreira.

A ação é realizada por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil. 
De acordo com o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, os materiais apreendidos ajudarão a esclarecer a relação dos envolvidos com a facção.

Em um segundo momento, os dados constantes desses aparelhos serão extraídos e examinados para esclarecer e elucidar a participação desse parlamentar e do ex-parlamentar na organização criminosa. Esses fatos preocupam muito e revelam uma degradação desse meio político.
Em nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informou que acompanha a operação. "A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense", explicou em comunicado.
Já a Prefeitura do Rio explicou que o ex-vereador não integra os quadros de servidores municipais. "Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025 pois a órgão possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação", ressaltou.

Relação com TCP
Segundo o MPRJ, a investigação teve início após indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pela organização criminosa em Parada de Lucas, região conhecida como Complexo de Israel, Zona Norte do Rio.
Um deles é o "resort" de luxo do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos líderes da facção. O imóvel contava com um lago artificial com carpas, piscina, academia e uma enorme área de lazer. 
Segundo a Polícia Civil, os espaços foram financiados com dinheiro ilícito, e utilizado como esconderijo e base operacional de Peixão. Já a academia de musculação era um dos pontos de encontro do grupo.
Ainda de acordo com a investigação, os agentes públicos teriam utilizado sua influência para argumentar que os imóveis eram destinados à prestação de serviços sociais, o que, segundo as apurações, não correspondia à realidade. Na ocasião, a ação policial acabou sendo adiada.
O que diz o deputado?
No fim da manhã, enquanto chegava na Alerj, o deputado informou que pediu ao então prefeito Eduardo Paes para construir uma vila olímpica onde foi demolido o resort de Peixão.

"Nunca fui, nunca vi, mas os presidentes da associação falam que foram lá, derrubaram tudo, deixaram as crianças brincando dentro do esgoto, da lama, uma covardia. Eu fui no Eduardo Paes e falei: ‘faz uma vila olímpica lá para dar dignidade ao povo’. Eu pedi porque aquilo lá está abandonado, largado e o povo precisa. Hoje em dia, por a gente trabalhar em comunidade, a gente sofre essa perseguição política de adversário. O adversário, antes dele ir trabalhar, ajudar os menos favorecidos, eles ficam inventando história", disse

Val Ceasa frisou ainda que trabalha para os menos favorecidos e reforçou que por isso sofre perseguição política.

"Eu acho que todo servidor público tem que ser investigado, toda pessoa. A justiça tem o direito de investigar, isso é normal. Mas isso aí é perseguição política. Eu trabalho para os humildes, de domingo a domingo. Vocês podem entrar na minha rede social, que eu sou trabalhador e digno do meu salário. Se for uma investigação séria, eu bato palmas, que eu vou sair como herói, que a população sabe quem é Val Ceasa", acrescentou.
A reportagem tenta contato com a defesa dos demais envolvidos. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
Relembre outros casos
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante), de 39 anos, foi preso, no início de maio, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, que investiga fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc).
Na primeira fase, realizada em dezembro de 2025, a PF prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Segundo investigações da época, Bacellar teria vazado informações da operação contra um grupo especializada no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro.
Os alvos da ação eram o ex-deputado estadual TH Joias - que acabou preso e cassado - um delegado da Polícia Federal, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e uma liderança do CV no Complexo do Alemão, Zona Norte.
TH Joias é acusado de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). De acordo com as investigações, ele usava o mandato para favorecer o crime organizado, intermediando a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinado a comunidades controladas pela facção.
Na segunda etapa da operação, ainda em dezembro do ano passado, foi a vez do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), ser preso. Ele era o relator do processo de TH Joias.
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