Ylana Miller fala dos problemas que as mulheres enfrentam nas empresasDivulgação
Publicado 28/06/2026 00:00
"Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda'', reza a estrofe de uma antiga música de Erasmo Carlos. De fato, ela precisa sempre ser uma fortaleza tamanho os problemas que a acompanham no decorrer da vida, inclusive na profissional. Se passar dos 50 anos, então, é quase uma 'guerra' para se manter no emprego, numa liderança, então, nem se fala.Pesquisa da Great Place To Work ( em português, "Ótimo Lugar para Trabalhar"), consultoria global que certifica e premia empresas com excelentes culturas organizacionais e ambientes de trabalho, aponta que as profissionais do sexo feminino vão perdendo espaço nas corporações conforme vão envelhecendo.
Segundo o estudo, na faixa etária até 25 anos, as mulheres ocupam 50% das vagas nas empresas. Já dos 26 aos 34 anos, a participação cai para 46% e diminuí de acordo com a idade. Entre 35 e 44 anos, fica em 43% e dos 45 aos 54 anos, em 39%. Já a partir dos 55 anos, as mulheres respondem por apenas 30% da força de trabalho.
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De acordo com Ylana Miller, especialista em liderança e gestão de carreira e CEO da Yluminarh (empresa voltada para gestão de pessoas) a queda na participação feminina conforme a idade avança acontece por uma combinação de fatores. ''São vieses culturais, sobrecarga de cuidados familiares e barreiras estruturais. Muitas mulheres têm a necessidade de se afastar de atividades profissionais remuneradas para cuidar de pais idosos e de filhos. A 'economia do cuidado' impacta desproporcionalmente sobre a jornada profissional de mulheres'', explica a profissional, acrescentando que o etarismo associado à discriminação do gênero feminino ainda é forte no mercado de trabalho.
"Mulheres têm suas competências questionadas de forma mais severa que os homens na mesma faixa etária, além de estereótipos de que mulheres teriam menos assertividade para negócios. Ainda temos poucos programas de desenvolvimento de líderes femininas e falta de políticas de retenção para mulheres", pontua.
Cuidados com o outro vão para o sexo feminino
Da mesma opinião compartilha a advogada e executiva C-Level Juliana Zobaran. "As mulheres acima dos 40 anos enfrentam uma combinação de dois vieses que frequentemente se sobrepõem: o de gênero e o etário. Embora tenham acumulado experiência, maturidade e capacidade de liderança ao longo da carreira, muitas vezes são percebidas como menos aderentes aos perfis tradicionalmente associados ao crescimento executivo".
A especialista explica que a trajetória profissional feminina costuma ser menos linear do que a masculina. "Questões relacionadas à maternidade e, posteriormente, aos cuidados com familiares idosos ainda recaem desproporcionalmente sobre as mulheres, gerando interrupções ou desacelerações de carreira que impactam seu acesso a posições estratégicas", aponta.
A advogada cita ainda que não são raros os relatos de etarismo explícito ou implícito em que mulheres experientes passam a ser preteridas em favor de profissionais mais jovens, mesmo possuindo histórico comprovado de resultados. "Trata-se de uma perda significativa para as organizações, que deixam de aproveitar profissionais com elevada capacidade de gestão, visão estratégica e inteligência relacional", conta.
Segredo da longevidade

Quando as barreiras no ambiente corporativo começam a ficar insuportáveis, muitas mulheres acabam migrando para o empreendedorismo. Estrategista de negócios, especialista em marketing digital e consultora do Sebrae, Paula Petrucio, fala a respeito. "O movimento de migração das mulheres do ambiente corporativo para o empreendedorismo é, sem dúvida, uma das transformações mais marcantes do mercado atual. Esse fenômeno não é um acaso, mas uma resposta direta à falta de reconhecimento, às rotinas exaustivas e à instabilidade presente em muitas estruturas tradicionais, que frequentemente falham em oferecer o crescimento e a flexibilidade necessários para profissionais de alta performance".
Paula afirma que essa busca também tem a ver com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. "Seja por necessidade ou por desejo, elas estão trocando ambientes que limitavam seu potencial por um ecossistema onde o seu valor é o principal motor de resultados. Embora o empreendedorismo apresente desafios próprios, a liberdade de ser a arquiteta da própria carreira compensa a jornada intensa".
A especialista dá orientações para quem está começando um negócio. "O segredo da longevidade reside na organização estratégica da rotina e no planejamento rigoroso. Minha dica principal é estabelecer um cronograma que priorize as atividades que geram lucro direto, delegando ou eliminando tarefas secundárias que roubam seu tempo. Comece transformando metas grandes em micro tarefas diárias, pois isso traz a clareza necessária para não se perder na sobrecarga operacional. Planejar com antecedência, separar rigorosamente as finanças pessoais das empresariais e estabelecer limites claros entre o tempo de trabalho e o de descanso são passos essenciais para que o seu projeto cresça com saúde, sustentabilidade e propósito'', finaliza.
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